Publicação

Influência da salinidade na taxa de alimentação em Xenopus laevis e Pelophylax perezi

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Como consequência do aquecimento global tem-se vindo a observar um aumento do nível médio da água do mar, em parte devido à subida da temperatura média global. Esta subida do nível médio dos oceanos provoca intrusões salinas em ecossistemas costeiros de água doce, causando um aumento da salinidade. Dependendo da intensidade e duração das intrusões salinas, o equilíbrio ecológico destes ecossistemas pode ser colocado em causa pois as espécies ou organismos mais sensíveis a um aumento de salinidade podem sofrer efeitos adversos que poderão comprometer a sua aptidão e, consequentemente, a sua capacidade de permanecer no ecossistema. Um dos grupos taxonómicos que habita este tipo de ecossistemas e que é considerado muito vulnerável a estas mudanças de salinidade é a Classe Amphibia. De fato, este grupo de organismos está, presentemente, em grande declínio a nível mundial, sendo considerado o grupo de vertebrados em maior risco devido à influência de vários tipos de perturbações ambientais (ex. perda de habitats, disseminação de doenças infecciosas, presença de espécies invasoras, contaminação antropogénica, entre outros factores). Com base no exposto acima, o presente estudo pretendeu avaliar os efeitos provocados por um aumento de salinidade nas espécies de anfíbios Xenopus laevis (espécie padronizada) e Pelophylax perezi, (espécie autóctone da Península Ibérica e sul de França). Pretendeu-se ainda avaliar o efeito da temperatura na toxicidade de sal. Para atingir o primeiro objetivo proposto, girinos no estádio Gosner 25 de cada espécie foram expostos durante 72h a uma gama de 5 concentrações de NaCl (para simular o aumento de salinidade) e a um controlo negativo e avaliou-se o efeito do sal na taxa de alimentação. Para avaliar a influência da temperatura na toxicidade de sal, girinos de X. laevis foram expostos a uma gama de 5 concentrações de NaCl a 3 temperaturas: 20, 23 e 26ºC. No final do ensaio foram avaliados os seguintes parâmetros: taxa de alimentação, taxa de incremento corporal, taxa de crescimento. Os resultados obtidos apontam para que P. perezi seja mais sensível a aumentos de salinidade do que X. laevis. Mais ainda, foram observados efeitos adversos a níveis baixos de salinidade, o que sugere que estas espécies são muito vulneráveis a pequenos aumentos de salinidade e estarão em elevado risco em cenários de intrusões de água do mar. Apesar de terem sido registadas interações significativas entre temperatura e concentração de sal, não foi observado um padrão de influência da temperatura, i.e., com um aumento ou diminuição de temperatura ocorre um aumento ou diminuição de efeitos.
Autores principais:Alves, Ricardo Alexandre Catarino
Assunto:Biologia marinha Anfíbios Ecossistemas Salinidade
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Aveiro
Idioma:português
Origem:RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro
Descrição
Resumo:Como consequência do aquecimento global tem-se vindo a observar um aumento do nível médio da água do mar, em parte devido à subida da temperatura média global. Esta subida do nível médio dos oceanos provoca intrusões salinas em ecossistemas costeiros de água doce, causando um aumento da salinidade. Dependendo da intensidade e duração das intrusões salinas, o equilíbrio ecológico destes ecossistemas pode ser colocado em causa pois as espécies ou organismos mais sensíveis a um aumento de salinidade podem sofrer efeitos adversos que poderão comprometer a sua aptidão e, consequentemente, a sua capacidade de permanecer no ecossistema. Um dos grupos taxonómicos que habita este tipo de ecossistemas e que é considerado muito vulnerável a estas mudanças de salinidade é a Classe Amphibia. De fato, este grupo de organismos está, presentemente, em grande declínio a nível mundial, sendo considerado o grupo de vertebrados em maior risco devido à influência de vários tipos de perturbações ambientais (ex. perda de habitats, disseminação de doenças infecciosas, presença de espécies invasoras, contaminação antropogénica, entre outros factores). Com base no exposto acima, o presente estudo pretendeu avaliar os efeitos provocados por um aumento de salinidade nas espécies de anfíbios Xenopus laevis (espécie padronizada) e Pelophylax perezi, (espécie autóctone da Península Ibérica e sul de França). Pretendeu-se ainda avaliar o efeito da temperatura na toxicidade de sal. Para atingir o primeiro objetivo proposto, girinos no estádio Gosner 25 de cada espécie foram expostos durante 72h a uma gama de 5 concentrações de NaCl (para simular o aumento de salinidade) e a um controlo negativo e avaliou-se o efeito do sal na taxa de alimentação. Para avaliar a influência da temperatura na toxicidade de sal, girinos de X. laevis foram expostos a uma gama de 5 concentrações de NaCl a 3 temperaturas: 20, 23 e 26ºC. No final do ensaio foram avaliados os seguintes parâmetros: taxa de alimentação, taxa de incremento corporal, taxa de crescimento. Os resultados obtidos apontam para que P. perezi seja mais sensível a aumentos de salinidade do que X. laevis. Mais ainda, foram observados efeitos adversos a níveis baixos de salinidade, o que sugere que estas espécies são muito vulneráveis a pequenos aumentos de salinidade e estarão em elevado risco em cenários de intrusões de água do mar. Apesar de terem sido registadas interações significativas entre temperatura e concentração de sal, não foi observado um padrão de influência da temperatura, i.e., com um aumento ou diminuição de temperatura ocorre um aumento ou diminuição de efeitos.