Publicação
Impacto do fogo no carbono orgânico em solos do centro de Portugal
| Resumo: | O solo é considerado o maior reservatório de carbono global e um importante sumidouro de CO2 atmosférico. Na maior parte dos solos, a maioria do carbono é tida como carbono orgânico. Os incêndios florestais são um fenómeno frequente nos ecossistemas mediterrânicos, em especial em Portugal. Nas últimas décadas verificou-se um aumento do número de incêndios e os cenários de alterações climáticas sugerem que os regimes de incêndios se poderão intensificar no futuro. Os fogos florestais têm associados vários impactos ambientais, pelos seus efeitos sobre as características físicas e químicas do solo, entre outros. Estes efeitos variam consoante a temperatura que o fogo atinge, alterando as propriedades do solo no espaço e no tempo após o fogo. É comum o interesse no estudo do carbono orgânico do solo devido à sua importância nas principais funções do solo e por ser um indicador universal da qualidade deste. Neste trabalho foi estudado o conteúdo de carbono orgânico no solo numa área no concelho de Sever do Vouga, na região centro norte de Portugal, que ardeu durante o verão de 2010. Pretende-se avaliar o stock de carbono após o incêndio, estudar padrões temporais e espaciais, avaliar o impacto do fogo em encostas com diferente geologia e cobertura vegetal e inferir sobre a variabilidade espacial numa encosta. Para tal, foram selecionadas 5 encostas dentro da área ardida, com duas espécies florestais, eucalipto e pinheiro bravo, e dois tipos de geologia, granito e xisto. Para referência foi igualmente estudada uma encosta não queimada próxima da área de estudo, plantada com eucalipto sobre rocha-mãe de xisto. Foram recolhidas e analisadas amostras de cinza e manta morta e amostras de solo a duas profundidades, de 0 a 2 cm e de 2 a 5 cm, referentes aos primeiros dois anos após o incêndio, num total de 296 amostras. Na determinação do carbono orgânico total foi utilizado um Analisador TOC-V CPH equipado com um amostrador de sólidos SSM-5000A devidamente calibrado. A concentração de carbono é ligeiramente superior em solos sob rocha-mãe xisto do que em solos de granito, e também ligeiramente superior, em eucaliptais do que em pinhais. Após o incêndio existe um aumento de carbono orgânico no solo, que sugere a incorporação de biomassa florestal queimada no solo. A variabilidade espacial entre pontos numa mesma encosta mostra que cada transepto representa a heterogeneidade da encosta. |
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| Autores principais: | Pereira, Ana Isabel Heitor |
| Assunto: | Engenharia do ambiente Incêndios florestais - Impacto ambiental - Região Centro(Portugal) Solos Carbono |
| Ano: | 2013 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Aveiro |
| Idioma: | português |
| Origem: | RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro |
| Resumo: | O solo é considerado o maior reservatório de carbono global e um importante sumidouro de CO2 atmosférico. Na maior parte dos solos, a maioria do carbono é tida como carbono orgânico. Os incêndios florestais são um fenómeno frequente nos ecossistemas mediterrânicos, em especial em Portugal. Nas últimas décadas verificou-se um aumento do número de incêndios e os cenários de alterações climáticas sugerem que os regimes de incêndios se poderão intensificar no futuro. Os fogos florestais têm associados vários impactos ambientais, pelos seus efeitos sobre as características físicas e químicas do solo, entre outros. Estes efeitos variam consoante a temperatura que o fogo atinge, alterando as propriedades do solo no espaço e no tempo após o fogo. É comum o interesse no estudo do carbono orgânico do solo devido à sua importância nas principais funções do solo e por ser um indicador universal da qualidade deste. Neste trabalho foi estudado o conteúdo de carbono orgânico no solo numa área no concelho de Sever do Vouga, na região centro norte de Portugal, que ardeu durante o verão de 2010. Pretende-se avaliar o stock de carbono após o incêndio, estudar padrões temporais e espaciais, avaliar o impacto do fogo em encostas com diferente geologia e cobertura vegetal e inferir sobre a variabilidade espacial numa encosta. Para tal, foram selecionadas 5 encostas dentro da área ardida, com duas espécies florestais, eucalipto e pinheiro bravo, e dois tipos de geologia, granito e xisto. Para referência foi igualmente estudada uma encosta não queimada próxima da área de estudo, plantada com eucalipto sobre rocha-mãe de xisto. Foram recolhidas e analisadas amostras de cinza e manta morta e amostras de solo a duas profundidades, de 0 a 2 cm e de 2 a 5 cm, referentes aos primeiros dois anos após o incêndio, num total de 296 amostras. Na determinação do carbono orgânico total foi utilizado um Analisador TOC-V CPH equipado com um amostrador de sólidos SSM-5000A devidamente calibrado. A concentração de carbono é ligeiramente superior em solos sob rocha-mãe xisto do que em solos de granito, e também ligeiramente superior, em eucaliptais do que em pinhais. Após o incêndio existe um aumento de carbono orgânico no solo, que sugere a incorporação de biomassa florestal queimada no solo. A variabilidade espacial entre pontos numa mesma encosta mostra que cada transepto representa a heterogeneidade da encosta. |
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