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Estratégias de Motivação para a Leitura na aula de Língua Portuguesa: uma perspectiva de Supervisão

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Resumo:No quadro das perspectivas actuais sobre Educação, analisar a problemática da leitura parece-nos não só pertinente, mas sobretudo indispensável pois, para a maioria dos nossos alunos, “leitura” é sinónimo de obrigatoriedade, aborrecimento, esforço. Por conseguinte, o estudo empírico apresentado, no âmbito do Mestrado em Supervisão, especialidade Didáctica do Português, resultou da crença de que o gosto pela leitura está, em grande parte, dependente da escola e, inexoravelmente, nas mãos dos professores, em especial dos professores de Língua Portuguesa. Partimos do pressuposto, baseado num conhecimento do terreno, de que as estratégias de motivação para a leitura nas aulas de Língua Portuguesa são parcas e pouco diversificadas e assumimos que é necessário intervir na formação de professores de Língua Materna para que se verifiquem alterações a este nível. Assim, propusemo-nos conceber, desenvolver e avaliar uma experiência de formação em que participaram quatro professores estagiários, a frequentar o estágio integrado das Licenciaturas em Ensino de Línguas da Universidade de Aveiro, no ano lectivo de 2002/03. Esta experiência de formação, associada à leccionação da Língua Portuguesa, no 3º Ciclo do Ensino Básico, deveria conduzir a uma investigação sobre as suas práticas, no sentido de neles desenvolver competências que lhes permitissem motivar os seus alunos para a leitura. Deste modo, o estudo apresentado, que decorreu da aplicação de uma metodologia de investigação-acção como estratégia de formação, parte do pressuposto de que, pela via do desenvolvimento de competências investigativas e de reflexão sobre a práxis, se pode contribuir para a promoção da autonomia em professores em formação inicial. Este processo de formação baseou-se num modelo reflexivo de formação de professores (Zeichner, 1983), num estilo de formação do tipo não-standard (Sá-Chaves, 1994) e nos princípios da epistemologia da prática (Schön, 1987). As questões investigativas que nortearam a nossa pesquisa, foram as seguintes: (1) A que competências poderá o professor de Língua Portuguesa recorrer para definir estratégias que lhes permitam motivar os seus alunos para a leitura? e (2) De que modo a Supervisão, inserida na formação inicial de professores, poderá contribuir para desenvolver nestes competências que lhes permitam realizar esta importante tarefa? Para responder a estas questões investigativas, propusemo-nos atingir os seguintes objectivos: (1) Definir algumas linhas gerais, características de uma formação de professores de Língua Portuguesa, direccionadas para o desenvolvimento de competências que lhes permitam motivar os seus alunos para a leitura; (2) Desenvolver nestes professores uma atitude investigativa e de análise reflexiva da práxis; e (3) Promover a sua autonomia na formação. Os dados a analisar foram recolhidos através da observação participante e da análise documental de vários documentos: questionários passados aos professores estagiários, entrevistas feitas aos professores estagiários e aos respectivos orientadores, protocolos das aulas, dos encontros de pré- e pósobservação e da reunião final de avaliação, documentos produzidos pelos professores no âmbito dos seus mini-projectos de investigação-acção, guias de reflexão de pré- e pós-observação, fichas de actividade metacognitiva, relatórios de estágio. Optámos pela análise de conteúdo, como procedimento da análise do corpus. Os resultados obtidos indicam que a estratégia de formação-investigaçãoacção implementada contribuiu para a construção e/ou reconstrução dos saberes dos professores estagiários e para a alteração das suas práticas de motivação para a leitura na sala de aula, criando-lhes e/ou desenvolvendolhes competências reflexivas, investigativas e colaborativas face à sua prática educativa.
Autores principais:Madanelo, Olga Maria Coutinho de Oliveira
Assunto:Motivação dos alunos Estratégias da aprendizagem Ensino da leitura
Ano:2003
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Aveiro
Idioma:português
Origem:RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro
Descrição
Resumo:No quadro das perspectivas actuais sobre Educação, analisar a problemática da leitura parece-nos não só pertinente, mas sobretudo indispensável pois, para a maioria dos nossos alunos, “leitura” é sinónimo de obrigatoriedade, aborrecimento, esforço. Por conseguinte, o estudo empírico apresentado, no âmbito do Mestrado em Supervisão, especialidade Didáctica do Português, resultou da crença de que o gosto pela leitura está, em grande parte, dependente da escola e, inexoravelmente, nas mãos dos professores, em especial dos professores de Língua Portuguesa. Partimos do pressuposto, baseado num conhecimento do terreno, de que as estratégias de motivação para a leitura nas aulas de Língua Portuguesa são parcas e pouco diversificadas e assumimos que é necessário intervir na formação de professores de Língua Materna para que se verifiquem alterações a este nível. Assim, propusemo-nos conceber, desenvolver e avaliar uma experiência de formação em que participaram quatro professores estagiários, a frequentar o estágio integrado das Licenciaturas em Ensino de Línguas da Universidade de Aveiro, no ano lectivo de 2002/03. Esta experiência de formação, associada à leccionação da Língua Portuguesa, no 3º Ciclo do Ensino Básico, deveria conduzir a uma investigação sobre as suas práticas, no sentido de neles desenvolver competências que lhes permitissem motivar os seus alunos para a leitura. Deste modo, o estudo apresentado, que decorreu da aplicação de uma metodologia de investigação-acção como estratégia de formação, parte do pressuposto de que, pela via do desenvolvimento de competências investigativas e de reflexão sobre a práxis, se pode contribuir para a promoção da autonomia em professores em formação inicial. Este processo de formação baseou-se num modelo reflexivo de formação de professores (Zeichner, 1983), num estilo de formação do tipo não-standard (Sá-Chaves, 1994) e nos princípios da epistemologia da prática (Schön, 1987). As questões investigativas que nortearam a nossa pesquisa, foram as seguintes: (1) A que competências poderá o professor de Língua Portuguesa recorrer para definir estratégias que lhes permitam motivar os seus alunos para a leitura? e (2) De que modo a Supervisão, inserida na formação inicial de professores, poderá contribuir para desenvolver nestes competências que lhes permitam realizar esta importante tarefa? Para responder a estas questões investigativas, propusemo-nos atingir os seguintes objectivos: (1) Definir algumas linhas gerais, características de uma formação de professores de Língua Portuguesa, direccionadas para o desenvolvimento de competências que lhes permitam motivar os seus alunos para a leitura; (2) Desenvolver nestes professores uma atitude investigativa e de análise reflexiva da práxis; e (3) Promover a sua autonomia na formação. Os dados a analisar foram recolhidos através da observação participante e da análise documental de vários documentos: questionários passados aos professores estagiários, entrevistas feitas aos professores estagiários e aos respectivos orientadores, protocolos das aulas, dos encontros de pré- e pósobservação e da reunião final de avaliação, documentos produzidos pelos professores no âmbito dos seus mini-projectos de investigação-acção, guias de reflexão de pré- e pós-observação, fichas de actividade metacognitiva, relatórios de estágio. Optámos pela análise de conteúdo, como procedimento da análise do corpus. Os resultados obtidos indicam que a estratégia de formação-investigaçãoacção implementada contribuiu para a construção e/ou reconstrução dos saberes dos professores estagiários e para a alteração das suas práticas de motivação para a leitura na sala de aula, criando-lhes e/ou desenvolvendolhes competências reflexivas, investigativas e colaborativas face à sua prática educativa.