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Condições de segurança e saúde dos migrantes: O caso particular dos trabalhadores imigrantes em Odemira

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Resumo:O presente estudo, consiste numa abordagem às Condições de Segurança e Saúde dos trabalhadores imigrantes, do sector agrícola, do concelho de Odemira. A temática é abordada com base numa revisão da literatura/estado da arte, bem como nos procedimentos metodológicos adotados, nomeadamente a aplicação de um inquérito por entrevista aos imigrantes, com base numa amostra intencional por conveniência, e a interlocutores privilegiados no âmbito do tema. Este inquérito foi validado por um painel de juízes, na área das Ciências Sociais e da Educação. Para o tratamento dos dados recolhidos recorreu-se à análise de conteúdo, do tipo temático categorial, com categorias definidas a priori. Este tipo de população, maioritariamente composta por indivíduos cujos estudos não ultrapassam o ensino secundário, encontra-se de forma premente exposta a condições deficientes de Segurança e Saúde no Trabalho, devido à sua situação de precaridade laboral, acentuada por défices linguísticos e comunicacionais, que conduzem em muitos casos a situações de vulnerabilidade social e pobreza extrema. Perante este cenário, a maioria das medidas adotadas, não chegam aos imigrantes, que se fecham na sua comunidade, onde a comunicação flui e entre eles encontram formas de irem alcançando meios de sobrevivência. No entanto esta situação leva também ao desconhecimento dos seus direitos, abrindo lugar ao agravamento da falta de condições de vida, nomeadamente no que respeita à habitação, às condições e regalias laborais, de saúde e sociais. Os que dominam a língua portuguesa ou inglesa aproveitam essa vantagem para explorar os recém-chegados. Com empresas de recrutamento de mão-de-obra e casas que subalugam não por espaço, mas por cama, amontoados em beliches em casas sobrelotas e sem condições mínimas de habitabilidade. O acesso à saúde é mais fácil quando a legalização é uma realidade, com número de utente é-lhes possível ter médico de família, medicação comparticipada e baixas médicas. No entanto, esta realidade não é transversal a todos e muitos arrastam-se anos pelas ruas das freguesias do concelho de Odemira na esperança de um dia conseguirem a tão desejada legalização que lhes serve de passaporte para a Europa. As comunidades de acolhimento, vão aprendendo a viver e a conviver com estes imigrantes, não havendo relatos de discriminação, que surge apenas entre si, principalmente em contexto laboral. Sujeitando-se a vidas miseráveis aguardam em média 5 a 6 anos até que todas as condições legais, suas e das suas famílias estejam reunidas, para que possam seguir o sonho de trabalhar e viver em países da europa com melhores salários e condições gerais de vida.
Autores principais:Cavaco, Elsa Maria Ferro Pagarim
Assunto:Segurança e saúde no trabalho Imigrantes Trabalho agrícola
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Beja
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional do IPBeja
Descrição
Resumo:O presente estudo, consiste numa abordagem às Condições de Segurança e Saúde dos trabalhadores imigrantes, do sector agrícola, do concelho de Odemira. A temática é abordada com base numa revisão da literatura/estado da arte, bem como nos procedimentos metodológicos adotados, nomeadamente a aplicação de um inquérito por entrevista aos imigrantes, com base numa amostra intencional por conveniência, e a interlocutores privilegiados no âmbito do tema. Este inquérito foi validado por um painel de juízes, na área das Ciências Sociais e da Educação. Para o tratamento dos dados recolhidos recorreu-se à análise de conteúdo, do tipo temático categorial, com categorias definidas a priori. Este tipo de população, maioritariamente composta por indivíduos cujos estudos não ultrapassam o ensino secundário, encontra-se de forma premente exposta a condições deficientes de Segurança e Saúde no Trabalho, devido à sua situação de precaridade laboral, acentuada por défices linguísticos e comunicacionais, que conduzem em muitos casos a situações de vulnerabilidade social e pobreza extrema. Perante este cenário, a maioria das medidas adotadas, não chegam aos imigrantes, que se fecham na sua comunidade, onde a comunicação flui e entre eles encontram formas de irem alcançando meios de sobrevivência. No entanto esta situação leva também ao desconhecimento dos seus direitos, abrindo lugar ao agravamento da falta de condições de vida, nomeadamente no que respeita à habitação, às condições e regalias laborais, de saúde e sociais. Os que dominam a língua portuguesa ou inglesa aproveitam essa vantagem para explorar os recém-chegados. Com empresas de recrutamento de mão-de-obra e casas que subalugam não por espaço, mas por cama, amontoados em beliches em casas sobrelotas e sem condições mínimas de habitabilidade. O acesso à saúde é mais fácil quando a legalização é uma realidade, com número de utente é-lhes possível ter médico de família, medicação comparticipada e baixas médicas. No entanto, esta realidade não é transversal a todos e muitos arrastam-se anos pelas ruas das freguesias do concelho de Odemira na esperança de um dia conseguirem a tão desejada legalização que lhes serve de passaporte para a Europa. As comunidades de acolhimento, vão aprendendo a viver e a conviver com estes imigrantes, não havendo relatos de discriminação, que surge apenas entre si, principalmente em contexto laboral. Sujeitando-se a vidas miseráveis aguardam em média 5 a 6 anos até que todas as condições legais, suas e das suas famílias estejam reunidas, para que possam seguir o sonho de trabalhar e viver em países da europa com melhores salários e condições gerais de vida.