Publicação
Práticas e representações sobre a retenção escolar em escolas de oito concelhos do Alentejo
| Resumo: | A retenção é uma prática comum no sistema de ensino português (CNE, 2017) apesar dos efeitos negativos apontados pela literatura (Davoudzadeh, McTernan, & Grimm, 2015; Fruehwirth, Navarro & Takakashi, 2011; Goos et al., 2013; Guèvremont, Roos & Brownell, 2007; Jimerson, 2001; Jimerson et al., 1997; Xia & Kirby, 2009). Em Portugal são acentuadas as diferenças regionais em termos de desigualdade no desempenho dos alunos (Justino et al., 2014; Pereira & Reis, 2012) bem como nas taxas de retenção (Justino et al., 2014, 2017). A literatura demonstra que que a retenção não acontece somente devido às características dos alunos, mas também devido a fatores familiares, escolares e regionais. Nesta comunicação pretende-se responder a duas questões: 1) Quais são as práticas adotadas relativas à retenção escolar? 2) Quais são as representações sobre a retenção escolar? Como metodologia, selecionou-se oito concelhos geograficamente próximos, da região do Alentejo, dado que em 2011 era uma das áreas geográficas com maior taxa de atraso (Justino et al., 2017) e aplicou-se uma entrevista semiestruturada a nove diretores de agrupamentos de escola. As entrevistas foram submetidas a uma análise de conteúdo com recurso ao programa MAXQDA. No discurso da maioria dos diretores é manifestado que a tomada de decisão acerca da retenção de um aluno é analisada caso a caso pelos professores em conselho de turma havendo flexibilização na aplicação da mesma; os alunos em risco são sinalizados no início de cada letivo. A medida de promoção de sucesso educativo mais recorrentemente aplicada é o apoio ao estudo e no 2.º e 3.º CEB são os ciclos onde mais se promove a recuperação do aluno. A partir da segunda retenção os alunos são encaminhados para outra oferta formativa. As justificações para as taxas de retenção nos agrupamentos são devidas a fatores dos alunos ou familiares. Os resultados indicam que a aplicação da medida de retenção baseia-se em critérios subjetivos. Apesar de os alunos com dificuldades serem sinalizados, a maioria não se faz acompanhar de medidas de recuperação eficazes para colmatar o insucesso sendo ineficaz a mais comumente aplicada. A maioria dos diretores tem uma visão desfavorável face à retenção. |
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| Autores principais: | Almeida, Sílvia |
| Outros Autores: | Santana, Maria Raquel |
| Assunto: | Diretores escolares Práticas de retenção Representações sobre a retenção escolar Políticas educativas |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | documento de conferência |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Instituto Politécnico de Beja |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional do IPBeja |
| Resumo: | A retenção é uma prática comum no sistema de ensino português (CNE, 2017) apesar dos efeitos negativos apontados pela literatura (Davoudzadeh, McTernan, & Grimm, 2015; Fruehwirth, Navarro & Takakashi, 2011; Goos et al., 2013; Guèvremont, Roos & Brownell, 2007; Jimerson, 2001; Jimerson et al., 1997; Xia & Kirby, 2009). Em Portugal são acentuadas as diferenças regionais em termos de desigualdade no desempenho dos alunos (Justino et al., 2014; Pereira & Reis, 2012) bem como nas taxas de retenção (Justino et al., 2014, 2017). A literatura demonstra que que a retenção não acontece somente devido às características dos alunos, mas também devido a fatores familiares, escolares e regionais. Nesta comunicação pretende-se responder a duas questões: 1) Quais são as práticas adotadas relativas à retenção escolar? 2) Quais são as representações sobre a retenção escolar? Como metodologia, selecionou-se oito concelhos geograficamente próximos, da região do Alentejo, dado que em 2011 era uma das áreas geográficas com maior taxa de atraso (Justino et al., 2017) e aplicou-se uma entrevista semiestruturada a nove diretores de agrupamentos de escola. As entrevistas foram submetidas a uma análise de conteúdo com recurso ao programa MAXQDA. No discurso da maioria dos diretores é manifestado que a tomada de decisão acerca da retenção de um aluno é analisada caso a caso pelos professores em conselho de turma havendo flexibilização na aplicação da mesma; os alunos em risco são sinalizados no início de cada letivo. A medida de promoção de sucesso educativo mais recorrentemente aplicada é o apoio ao estudo e no 2.º e 3.º CEB são os ciclos onde mais se promove a recuperação do aluno. A partir da segunda retenção os alunos são encaminhados para outra oferta formativa. As justificações para as taxas de retenção nos agrupamentos são devidas a fatores dos alunos ou familiares. Os resultados indicam que a aplicação da medida de retenção baseia-se em critérios subjetivos. Apesar de os alunos com dificuldades serem sinalizados, a maioria não se faz acompanhar de medidas de recuperação eficazes para colmatar o insucesso sendo ineficaz a mais comumente aplicada. A maioria dos diretores tem uma visão desfavorável face à retenção. |
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