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Efeito da presença de gafa na azeitona nos compostos bioativos do azeite

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Uma das doenças fúngicas mais relevantes da oliveira em Portugal é a antracnose, também conhecida por "gafa", que tem consequências negativas na quantidade e na qualidade do azeite. O presente estudo incide sobre o efeito da presença de gafa nos frutos das cultivares ‘Galega Vulgar’ e 'Cobrançosa', no teor de compostos bioativos, nomeadamente na composição em fenóis, hidroxitirosol (Htyr) e seus derivados (alegação de saúde) de azeites extraídos de azeitonas colhidas em outubro e novembro em três anos consecutivos (2019-2021). Os frutos foram colhidos em Castelo Branco em olivais de sequeiro sem tratamentos fitossanitários. Imediatamente após a colheita, o azeite foi extraído num sistema Abencor. Os critérios de qualidade foram avaliados por espetroscopia NIR, os fenóis totais e os pigmentos por espectroscopia VIS. O perfil fenólico foi avaliado por HPLC-UV, os derivados totais de Hyt e tirosol (Tyr) por HPLC-DAD. Os resultados dos critérios de qualidade mostram que os azeites Galega extraídos de azeitonas num estado avançado de maturação (IM > 5) e com maior incidência de gafa apresentam não conformidade para as categorias Azeite Virgem Extra (AVE) e Azeite Virgem (AV), pela acidez elevada e notas sensoriais negativas acompanhadas de um quase desaparecimento de oleaceína. Pelo contrário, nos azeites Cobrançosa extraídos de frutos com elevada incidência de gafa, não foram observados defeitos sensoriais. Apesar da diminuição de todos os atributos positivos associados à cultivar, como os teores de oleaceína e oleocantal, os critérios de qualidade mantiveram-se em conformidade com a categoria AVE. O teor total de Htyr e Tyr (> 5,42) permite a utilização da alegação de saúde no rótulo dos azeites Cobrançosa. Nos azeites Galega, apenas os das duas primeiras colheitas de 2019 contêm teores suficientes para a alegação. Assim, a presença de gafa nas azeitonas pode comprometer a classificação de AVE e AV, especialmente em cultivares suscetíveis à doença.
Autores principais:Gouveia, Cecília
Assunto:Colletotrichum spp. Alegação de saúde Compostos bioativos Maturação Health claim Bioactive compounds Ripening
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso embargado
Instituição associada:Instituto Politécnico de Castelo Branco
Idioma:português
Origem:Repositório Científico do Instituto Politécnico de Castelo Branco
Descrição
Resumo:Uma das doenças fúngicas mais relevantes da oliveira em Portugal é a antracnose, também conhecida por "gafa", que tem consequências negativas na quantidade e na qualidade do azeite. O presente estudo incide sobre o efeito da presença de gafa nos frutos das cultivares ‘Galega Vulgar’ e 'Cobrançosa', no teor de compostos bioativos, nomeadamente na composição em fenóis, hidroxitirosol (Htyr) e seus derivados (alegação de saúde) de azeites extraídos de azeitonas colhidas em outubro e novembro em três anos consecutivos (2019-2021). Os frutos foram colhidos em Castelo Branco em olivais de sequeiro sem tratamentos fitossanitários. Imediatamente após a colheita, o azeite foi extraído num sistema Abencor. Os critérios de qualidade foram avaliados por espetroscopia NIR, os fenóis totais e os pigmentos por espectroscopia VIS. O perfil fenólico foi avaliado por HPLC-UV, os derivados totais de Hyt e tirosol (Tyr) por HPLC-DAD. Os resultados dos critérios de qualidade mostram que os azeites Galega extraídos de azeitonas num estado avançado de maturação (IM > 5) e com maior incidência de gafa apresentam não conformidade para as categorias Azeite Virgem Extra (AVE) e Azeite Virgem (AV), pela acidez elevada e notas sensoriais negativas acompanhadas de um quase desaparecimento de oleaceína. Pelo contrário, nos azeites Cobrançosa extraídos de frutos com elevada incidência de gafa, não foram observados defeitos sensoriais. Apesar da diminuição de todos os atributos positivos associados à cultivar, como os teores de oleaceína e oleocantal, os critérios de qualidade mantiveram-se em conformidade com a categoria AVE. O teor total de Htyr e Tyr (> 5,42) permite a utilização da alegação de saúde no rótulo dos azeites Cobrançosa. Nos azeites Galega, apenas os das duas primeiras colheitas de 2019 contêm teores suficientes para a alegação. Assim, a presença de gafa nas azeitonas pode comprometer a classificação de AVE e AV, especialmente em cultivares suscetíveis à doença.