Publicação
Influência da cultura nos comportamentos violentos sobre a mulher nas relações de intimidade numa região de Cabinda (Angola)
| Resumo: | A influência da cultura nos comportamentos violentos sobre a mulher nas relações de intimidade na região de Cabinda (Angola) surge como o tema central da presente dissertação, sendo o seu objetivo principal averiguar a possível existência de comportamento violento nas relações de intimidade e explorar também o que estará na base de desses comportamentos em função de variáveis sociodemográficas e contextuais, em mulheres. O estudo empírico de natureza qualitativa, recorre ao método etnográfico e à observação participante junto de uma amostra de mulheres vendedoras e à aplicação de um questionário a representantes das autoridades tradicionais. Os resultados indicam que as mulheres acompanhadas referem ter sido vítimas de violência nas relações de intimidade que têm ou tiveram. Referem ainda que ao longo da sua vida presenciaram outras situações em que a mulher foi vitimizada por um companheiro. Estas respostas são transversais apesar dos perfis demográficos e académicos serem diversos. Já as autoridades tradicionais reconhecem que a violência é frequente e justificada pelos ciúmes (associados à poligamia) e situações sociais desfavoráveis (em que se incluem dependências e desemprego). Estas tensões entre géneros e a normalização da violência sobre a mulher, está em grande medida relacionada com as práticas culturais tradicionais que tendem a atribuir à mulher um papel de subalternidade e sobrecarregá-las com as responsabilidades familiares, nomeadamente, o cuidado dos filhos e todo o trabalho doméstico. Também do ponto de vista cultural, na medida em que o valor da mulher passa pela sua capacidade de ter muitos filhos numa fase jovem da sua vida, há uma limitação no seu percurso académico que dificulta o processo de ruptura deste ciclo de violência. A educação social parece oferecer neste contexto um contributo fundamental para criar nas mulheres, em particular das regiões rurais, uma consciência dos seus direitos e da sua legitimidade enquanto cidadãs. |
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| Autores principais: | Leitao, Ana Sidónia da Conceição Barros Cardoso |
| Assunto: | Violência Género Cultura Autoridades Tradicionais Educação Social Cabinda Violence Gender Culture Traditional authorities Social Educatio |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Instituto Politécnico de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Científico do Instituto Politécnico de Lisboa |
| Resumo: | A influência da cultura nos comportamentos violentos sobre a mulher nas relações de intimidade na região de Cabinda (Angola) surge como o tema central da presente dissertação, sendo o seu objetivo principal averiguar a possível existência de comportamento violento nas relações de intimidade e explorar também o que estará na base de desses comportamentos em função de variáveis sociodemográficas e contextuais, em mulheres. O estudo empírico de natureza qualitativa, recorre ao método etnográfico e à observação participante junto de uma amostra de mulheres vendedoras e à aplicação de um questionário a representantes das autoridades tradicionais. Os resultados indicam que as mulheres acompanhadas referem ter sido vítimas de violência nas relações de intimidade que têm ou tiveram. Referem ainda que ao longo da sua vida presenciaram outras situações em que a mulher foi vitimizada por um companheiro. Estas respostas são transversais apesar dos perfis demográficos e académicos serem diversos. Já as autoridades tradicionais reconhecem que a violência é frequente e justificada pelos ciúmes (associados à poligamia) e situações sociais desfavoráveis (em que se incluem dependências e desemprego). Estas tensões entre géneros e a normalização da violência sobre a mulher, está em grande medida relacionada com as práticas culturais tradicionais que tendem a atribuir à mulher um papel de subalternidade e sobrecarregá-las com as responsabilidades familiares, nomeadamente, o cuidado dos filhos e todo o trabalho doméstico. Também do ponto de vista cultural, na medida em que o valor da mulher passa pela sua capacidade de ter muitos filhos numa fase jovem da sua vida, há uma limitação no seu percurso académico que dificulta o processo de ruptura deste ciclo de violência. A educação social parece oferecer neste contexto um contributo fundamental para criar nas mulheres, em particular das regiões rurais, uma consciência dos seus direitos e da sua legitimidade enquanto cidadãs. |
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