Publicação
Estado nutricional em crianças e adolescentes com fibrose quística
| Resumo: | Introdução: A Fibrose Quística (FQ) é a doença hereditária autossómica com risco de vida mais comum na Europa onde atualmente mais de 44.000 casos estão registados. É fortemente associada a um aumento das necessidades de energia e nutrientes e existe uma forte associação entre o estado nutricional e os resultados clínicos. Assim, o presente estudo tem por objetivo, numa amostra em crianças e adolescentes com FQ, avaliar o estado nutricional e a adequação da ingestão nutricional comparando com as necessidades nutricionais preconizadas para a idade e situação clínica. Materiais e métodos: Estudo observacional, transversal e analítico. Foram recolhidos peso, altura, perímetro da cintura, prega cutânea tricipital (PCT) e prega cutânea subescapular (PCSE). Foram calculadas e classificadas razão cintura/altura, PCT, percentagem de massa gorda (MG), Índice de Massa Gorda (IMG) e Índice de Massa Livre de Gordura (IMLG), e calculados z-scores. Foi recolhido e posteriormente quantificado o registo alimentar de 3 dias e também recolhidos dados demográficos, clínicos e bioquímicos, e foi aplicado o International Physical Activity Questionnaire (IPAQ). Resultados: Na classificação do z-score de Índice de Massa Corporal (IMC), 75% da amostra apresentava-se em eutrofia, já pela classificação do z-score peso/idade todos os analisados apresentaram-se com peso adequado para a idade e no z-score estatura/idade, 95% apresentaram-se com estatura adequada. Ao classificar a PCT, 45% da amostra encontrava-se abaixo e 55% acima do percentil 50 enquanto na classificação da MG, apresentaram valores adequados e pelo IMG apresentaram-se 35% acima ou igual ao z-score 0 enquanto o IMLG mostrou 60% acima ou igual ao z-score 0. Foi encontrada uma correlação entre o FEV1 (L) e o IMC, e outras correlações significativas. No que toca à ingestão de energia, com base nas guidelines europeias, 25% dos utentes estavam dentro da recomendação, enquanto pelas guidelines americanas, 55% estavam de acordo. Conclusão: Este estudo concluiu que na avaliação do estado nutricional do utente é preferível a utilização de IMC, porém também se deve avaliar a MLG e MG do indivíduo com FQ, visto que estes parâmetros podem estar alterados e serem mascarados com um IMC adequado. De reforçar que mesmo com IMC adequado, poderemos estar na presença de stunting, pelo que a altura/comprimento para a idade deve igualmente ser um parâmetro a valorizar. Também podese concluir o desafio que é se manter dentro dos valores recomendados pelas guidelines. |
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| Autores principais: | Santana, Luciana Quitéria de Moura |
| Assunto: | Nutrição clínica Fibrose quística Saúde infantil Estado nutricional Ingestão nutricional Clinical nutrition Cystic fibrosis Pediatrics Nutritional status Nutritional intake MNC |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Instituto Politécnico de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Científico do Instituto Politécnico de Lisboa |
| Resumo: | Introdução: A Fibrose Quística (FQ) é a doença hereditária autossómica com risco de vida mais comum na Europa onde atualmente mais de 44.000 casos estão registados. É fortemente associada a um aumento das necessidades de energia e nutrientes e existe uma forte associação entre o estado nutricional e os resultados clínicos. Assim, o presente estudo tem por objetivo, numa amostra em crianças e adolescentes com FQ, avaliar o estado nutricional e a adequação da ingestão nutricional comparando com as necessidades nutricionais preconizadas para a idade e situação clínica. Materiais e métodos: Estudo observacional, transversal e analítico. Foram recolhidos peso, altura, perímetro da cintura, prega cutânea tricipital (PCT) e prega cutânea subescapular (PCSE). Foram calculadas e classificadas razão cintura/altura, PCT, percentagem de massa gorda (MG), Índice de Massa Gorda (IMG) e Índice de Massa Livre de Gordura (IMLG), e calculados z-scores. Foi recolhido e posteriormente quantificado o registo alimentar de 3 dias e também recolhidos dados demográficos, clínicos e bioquímicos, e foi aplicado o International Physical Activity Questionnaire (IPAQ). Resultados: Na classificação do z-score de Índice de Massa Corporal (IMC), 75% da amostra apresentava-se em eutrofia, já pela classificação do z-score peso/idade todos os analisados apresentaram-se com peso adequado para a idade e no z-score estatura/idade, 95% apresentaram-se com estatura adequada. Ao classificar a PCT, 45% da amostra encontrava-se abaixo e 55% acima do percentil 50 enquanto na classificação da MG, apresentaram valores adequados e pelo IMG apresentaram-se 35% acima ou igual ao z-score 0 enquanto o IMLG mostrou 60% acima ou igual ao z-score 0. Foi encontrada uma correlação entre o FEV1 (L) e o IMC, e outras correlações significativas. No que toca à ingestão de energia, com base nas guidelines europeias, 25% dos utentes estavam dentro da recomendação, enquanto pelas guidelines americanas, 55% estavam de acordo. Conclusão: Este estudo concluiu que na avaliação do estado nutricional do utente é preferível a utilização de IMC, porém também se deve avaliar a MLG e MG do indivíduo com FQ, visto que estes parâmetros podem estar alterados e serem mascarados com um IMC adequado. De reforçar que mesmo com IMC adequado, poderemos estar na presença de stunting, pelo que a altura/comprimento para a idade deve igualmente ser um parâmetro a valorizar. Também podese concluir o desafio que é se manter dentro dos valores recomendados pelas guidelines. |
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