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Sensibilidade e bom senso: o sentido das relações entre crianças e adultos

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Resumo:Nas interações da criança com os adultos, as crianças aprendem a comunicar, a relacionar-se e a representar as relações sociais. Vários estudos identificam tipos de comportamentos dos Pais e da criança relacionados com estes ganhos de desenvolvimento tais como a reciprocidade e a adequação de resposta. Ainsworth, Bell & Stayton (1974) denominaram estes comportamentos de “sensíveis” e verificaram a sua associação com a qualidade da vinculação. Não obstante, a literatura continua a procurar os elementos caracterizadores desse comportamento sensível que promove o desenvolvimento infantil. O presente estudo procura contribuir para esse corpo de conhecimento: i) identificando comportamentos interativos de apoio à construção da criança praticados em díades de elevada e de baixa qualidade interativa; ii) estudando a relação entre a qualidade dos comportamentos diádicos e comportamentos interativos de apoio à construção da criança e, iii) procurando relacionar como o tipo de comunicação verbal do adulto concorre para a qualidade na interação diádica. Assim, procuramos encontrar novos descritores cartografando o comportamento sensível, recorrendo à análise do tipo de comunicação e à interação do adulto como parceiro de atividade, tanto em pais como em mães, ao nível da sensibilidade e da comunicação. A amostra é composta por 19 díades mãe-criança e 17 pai-criança. No momento da observação as crianças encontravam-se entre os 3 e 5 anos (M de anos de vida=4.08; DP=.81), não tinham problemas de desenvolvimento identificados e eram primogénitos (19 crianças tinham irmãos mais novos). Os Pais eram maioritariamente de nacionalidade portuguesa, tinham formação académica superior e menos de 35 anos. Mães, pais e crianças foram observadas independentemente, na mesma situação quasi-experimental, como parceiros numa atividade lúdica de construção. Para o efeito, foi-lhes pedido que realizassem, em 20 minutos, um produto à sua escolha com os materiais (papéis coloridos; placas de madeira; ataches etc.) e ferramentas disponibilizadas (alicate; cola quente; martelo etc.). Os dados foram cotados com escalas Tandem, MINDS e Care-Index. Os dados foram analisados quanto à associação entre a qualidade da interação diádica e o tipo de comunicação do adulto e, também, o comportamento interativo. Adicionalmente, comparámos por teste de médias os comportamentos das díades com pontuações superiores a 4 pontos, numa escala de 5, correspondentes a muito boa qualidade interativa, e os dados correspondentes a interações inferiores a 2 pontos correspondentes a interações de risco. Os resultados indicam que nas díades com melhor qualidade de interação diádica, os Pais fazem mais sugestões, mais elogios e menos críticas. Do ponto de vista do comportamento interativo dos adultos, o presente estudo é inovador ao indicar que, nas díades com melhor qualidade de interação diádica, os adultos desafiam mais a criança a experimentar novos problemas, efetuam mais perguntas que estimulam a reflexão e usam narrativas associativas (recurso à fantasia) para tematizar a atividade. O presente estudo indica que o adulto “sensível” não só dá feedback positivo e respeitador, envolvendo-se em interações recíprocas e com envolvimento afetivo, mas também confia na criança para a desafiar cognitiva e emocionalmente.
Autores principais:Pinto, Filipe Brás
Assunto:Interação Pais-filhos Qualidade interativa diádica Comunicação verbal Atividade de construção Interaction parents-children Dyadic interaction quality Verbal communication Mutual participation task
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Científico do Instituto Politécnico de Lisboa
Descrição
Resumo:Nas interações da criança com os adultos, as crianças aprendem a comunicar, a relacionar-se e a representar as relações sociais. Vários estudos identificam tipos de comportamentos dos Pais e da criança relacionados com estes ganhos de desenvolvimento tais como a reciprocidade e a adequação de resposta. Ainsworth, Bell & Stayton (1974) denominaram estes comportamentos de “sensíveis” e verificaram a sua associação com a qualidade da vinculação. Não obstante, a literatura continua a procurar os elementos caracterizadores desse comportamento sensível que promove o desenvolvimento infantil. O presente estudo procura contribuir para esse corpo de conhecimento: i) identificando comportamentos interativos de apoio à construção da criança praticados em díades de elevada e de baixa qualidade interativa; ii) estudando a relação entre a qualidade dos comportamentos diádicos e comportamentos interativos de apoio à construção da criança e, iii) procurando relacionar como o tipo de comunicação verbal do adulto concorre para a qualidade na interação diádica. Assim, procuramos encontrar novos descritores cartografando o comportamento sensível, recorrendo à análise do tipo de comunicação e à interação do adulto como parceiro de atividade, tanto em pais como em mães, ao nível da sensibilidade e da comunicação. A amostra é composta por 19 díades mãe-criança e 17 pai-criança. No momento da observação as crianças encontravam-se entre os 3 e 5 anos (M de anos de vida=4.08; DP=.81), não tinham problemas de desenvolvimento identificados e eram primogénitos (19 crianças tinham irmãos mais novos). Os Pais eram maioritariamente de nacionalidade portuguesa, tinham formação académica superior e menos de 35 anos. Mães, pais e crianças foram observadas independentemente, na mesma situação quasi-experimental, como parceiros numa atividade lúdica de construção. Para o efeito, foi-lhes pedido que realizassem, em 20 minutos, um produto à sua escolha com os materiais (papéis coloridos; placas de madeira; ataches etc.) e ferramentas disponibilizadas (alicate; cola quente; martelo etc.). Os dados foram cotados com escalas Tandem, MINDS e Care-Index. Os dados foram analisados quanto à associação entre a qualidade da interação diádica e o tipo de comunicação do adulto e, também, o comportamento interativo. Adicionalmente, comparámos por teste de médias os comportamentos das díades com pontuações superiores a 4 pontos, numa escala de 5, correspondentes a muito boa qualidade interativa, e os dados correspondentes a interações inferiores a 2 pontos correspondentes a interações de risco. Os resultados indicam que nas díades com melhor qualidade de interação diádica, os Pais fazem mais sugestões, mais elogios e menos críticas. Do ponto de vista do comportamento interativo dos adultos, o presente estudo é inovador ao indicar que, nas díades com melhor qualidade de interação diádica, os adultos desafiam mais a criança a experimentar novos problemas, efetuam mais perguntas que estimulam a reflexão e usam narrativas associativas (recurso à fantasia) para tematizar a atividade. O presente estudo indica que o adulto “sensível” não só dá feedback positivo e respeitador, envolvendo-se em interações recíprocas e com envolvimento afetivo, mas também confia na criança para a desafiar cognitiva e emocionalmente.