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Caracterização de biomarcadores de genotoxicidade em trabalhadores expostos a crómio hexavalente: um estudo no âmbito da Iniciativa Europeia em Biomonitorização Humana

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Resumo:No âmbito da Iniciativa Europeia em Biomonitorização Humana (HBM4EU) realizou-se um estudo ocupacional, envolvendo trabalhadores com potencial exposição a crómio hexavalente [Cr(VI)], um reconhecido agente carcinogénico. No presente estudo são apresentados os resultados de biomarcadores de genotoxicidade, incluindo a análise de lesão no DNA e de alterações cromossómicas em células sanguíneas. O estudo foi realizado em vários Países Europeus e abrangeu trabalhadores de diversos setores industriais e atividades, bem como um grupo de controlo constituído por trabalhadores administrativos das mesmas empresas (controlo interno) e de outras não relacionadas com produção/aplicação de Cr(VI) (controlo externo). Os resultados mostraram níveis de alterações cromossómicas (ensaio do micronúcleo) e de lesão no DNA (ensaio do cometa) significativamente aumentados nos trabalhadores expostos comparativamente aos controlos externos (p=0,03; p<0,001, respetivamente). Estes resultados sugerem que mesmo um baixo nível de exposição ao Cr(VI) representa um risco acrescido para a saúde dos trabalhadores e, principalmente, para os que realizam cromagem em banho. O grupo controlo interno apresentou níveis médios de lesões no DNA e nos cromossomas comparáveis aos do grupo exposto, salientando a relevância de se considerarem também em risco. O uso de biomarcadores de efeito demonstrou ser crucial para a deteção precoce de efeitos biológicos decorrentes de baixos níveis de exposição ao Cr(VI), contribuindo para a identificação de subgrupos em maior risco. O presente estudo vem apoiar a necessidade de uma reavaliação do limite de exposição ocupacional a Cr(VI), bem como da implementação de medidas de gestão de risco conducentes a uma melhor proteção da saúde dos trabalhadores.
Autores principais:Tavares, Ana
Outros Autores:Aimonen, Kukka; Ndaw, Sophie; Fucic, Aleksandra; Catalán, Julia; Duca, Radu Corneliu; Godderis, Lode; Gomes, Bruno C.; Janasik, Beata; Ladeira, Carina; Louro, Henriqueta; Namorado, Sónia; Van Nieuwenhuyse, An; Norppa, Hannu; Scheepers, Paul T.; Ventura, Célia; Verdonck, Jelle; Viegas, Susana; Wasowicz, Wojciech; Santonen, Tiina; Silva, Maria João
Assunto:Saúde ocupacional Exposição ocupacional Genotoxicidade Crómio hexavalente
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Científico do Instituto Politécnico de Lisboa
Descrição
Resumo:No âmbito da Iniciativa Europeia em Biomonitorização Humana (HBM4EU) realizou-se um estudo ocupacional, envolvendo trabalhadores com potencial exposição a crómio hexavalente [Cr(VI)], um reconhecido agente carcinogénico. No presente estudo são apresentados os resultados de biomarcadores de genotoxicidade, incluindo a análise de lesão no DNA e de alterações cromossómicas em células sanguíneas. O estudo foi realizado em vários Países Europeus e abrangeu trabalhadores de diversos setores industriais e atividades, bem como um grupo de controlo constituído por trabalhadores administrativos das mesmas empresas (controlo interno) e de outras não relacionadas com produção/aplicação de Cr(VI) (controlo externo). Os resultados mostraram níveis de alterações cromossómicas (ensaio do micronúcleo) e de lesão no DNA (ensaio do cometa) significativamente aumentados nos trabalhadores expostos comparativamente aos controlos externos (p=0,03; p<0,001, respetivamente). Estes resultados sugerem que mesmo um baixo nível de exposição ao Cr(VI) representa um risco acrescido para a saúde dos trabalhadores e, principalmente, para os que realizam cromagem em banho. O grupo controlo interno apresentou níveis médios de lesões no DNA e nos cromossomas comparáveis aos do grupo exposto, salientando a relevância de se considerarem também em risco. O uso de biomarcadores de efeito demonstrou ser crucial para a deteção precoce de efeitos biológicos decorrentes de baixos níveis de exposição ao Cr(VI), contribuindo para a identificação de subgrupos em maior risco. O presente estudo vem apoiar a necessidade de uma reavaliação do limite de exposição ocupacional a Cr(VI), bem como da implementação de medidas de gestão de risco conducentes a uma melhor proteção da saúde dos trabalhadores.