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Implicação dos sintomas na dignidade em pessoas em fim de vida

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Resumo:Enquadramento: Os cuidados paliativos assumem-se como um direito humano, uma vez que são preponderantes para o bem-estar e o conforto em situação de doença crónica, paliativa e de finitude, constituindo-se como dever ético por parte dos profissionais de saúde a sua promoção. Assentam, sobretudo, na prevenção e alívio do sofrimento físico, psicológico e espiritual, na melhoria do bem-estar e no apoio aos doentes e às suas famílias, respeitando a autonomia, a vontade, a individualidade, a dignidade da pessoa e a inviolabilidade da vida humana. O controlo de sintomas é uma das maiores preocupações da pessoa em fim de vida e sua família, requerendo uma avaliação sistemática, excelentes cuidados de enfermagem e uma prescrição clínica cuidadosa. De forma particular, os cuidados paliativos baseiam a sua atividade clínica multidisciplinar na dignidade da pessoa doente e sua família. Objetivos: Determinar o grau de dignidade auto-percebido das pessoas em fim de vida; caracterizar a sintomatologia das pessoas em fim de vida; avaliar se os sintomas têm implicação na dignidade auto-percebida das pessoas em fim de vida. Métodos: Estudo correlacional em corte transversal, realizado em contexto paliativo, numa amostra de 83 participantes (50,6% mulheres), com uma média de 70,95 anos. O instrumento de recolha de informação ficou constituído por um questionário sociodemográfico, Escala de Avaliação de Sintomas de Edmonton (Edmonton Symptom Assessment System) e a Escala de Dignidade do Doente (The Patient Dignity Inventory, Chochinov et al., 2008). Resultados: Cerca de 73,8% das mulheres e 73,2% dos homens autopercecionam uma dignidade positiva (moderada a elevada). Por outro lado, 76,2% das pessoas que experienciam uma elevada dignidade têm sintomatologia leve. De modo semelhante, 72,7% das pessoas com uma baixa dignidade auto-percebida apresentam sintomatologia grave e quanto maiores os valores dos sintomas (que correspondem a uma presença de sintomas mais intensa), maiores serão os valores da dignidade (que correspondem a uma dignidade mais baixa) nas suas diferentes vertentes e na sua globalidade. Os sintomas revelam poder explicativo na Dignidade (49,8%). Conclusão: Os resultados mostram que a dignidade é auto-percebida como positiva por 73,5% das pessoas em fim de vida. A identificação dos sintomas em pessoas em fim de vida potencia o desenvolvimento e implementação de estratégias clínicas promotoras da sua dignidade.
Autores principais:Carvalho, Fátima Cristina Lopes de
Assunto:Dignidade humana Doente terminal Tratamento paliativo Palliative care Personhood Terminally ill
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Viseu
Idioma:português
Origem:Repositório Científico do Instituto Politécnico de Viseu
Descrição
Resumo:Enquadramento: Os cuidados paliativos assumem-se como um direito humano, uma vez que são preponderantes para o bem-estar e o conforto em situação de doença crónica, paliativa e de finitude, constituindo-se como dever ético por parte dos profissionais de saúde a sua promoção. Assentam, sobretudo, na prevenção e alívio do sofrimento físico, psicológico e espiritual, na melhoria do bem-estar e no apoio aos doentes e às suas famílias, respeitando a autonomia, a vontade, a individualidade, a dignidade da pessoa e a inviolabilidade da vida humana. O controlo de sintomas é uma das maiores preocupações da pessoa em fim de vida e sua família, requerendo uma avaliação sistemática, excelentes cuidados de enfermagem e uma prescrição clínica cuidadosa. De forma particular, os cuidados paliativos baseiam a sua atividade clínica multidisciplinar na dignidade da pessoa doente e sua família. Objetivos: Determinar o grau de dignidade auto-percebido das pessoas em fim de vida; caracterizar a sintomatologia das pessoas em fim de vida; avaliar se os sintomas têm implicação na dignidade auto-percebida das pessoas em fim de vida. Métodos: Estudo correlacional em corte transversal, realizado em contexto paliativo, numa amostra de 83 participantes (50,6% mulheres), com uma média de 70,95 anos. O instrumento de recolha de informação ficou constituído por um questionário sociodemográfico, Escala de Avaliação de Sintomas de Edmonton (Edmonton Symptom Assessment System) e a Escala de Dignidade do Doente (The Patient Dignity Inventory, Chochinov et al., 2008). Resultados: Cerca de 73,8% das mulheres e 73,2% dos homens autopercecionam uma dignidade positiva (moderada a elevada). Por outro lado, 76,2% das pessoas que experienciam uma elevada dignidade têm sintomatologia leve. De modo semelhante, 72,7% das pessoas com uma baixa dignidade auto-percebida apresentam sintomatologia grave e quanto maiores os valores dos sintomas (que correspondem a uma presença de sintomas mais intensa), maiores serão os valores da dignidade (que correspondem a uma dignidade mais baixa) nas suas diferentes vertentes e na sua globalidade. Os sintomas revelam poder explicativo na Dignidade (49,8%). Conclusão: Os resultados mostram que a dignidade é auto-percebida como positiva por 73,5% das pessoas em fim de vida. A identificação dos sintomas em pessoas em fim de vida potencia o desenvolvimento e implementação de estratégias clínicas promotoras da sua dignidade.