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Sofrimento experiênciado pelo enfermeiro quando cuida o doente em fim de vida com dor não controlada

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A singularidade e individualidade da pessoa fazem com que a relação que o homem tem com a sua dor e sofrimento seja única e, que essa experiência seja vivida de uma forma muito particular. Os processos e a intervenção de enfermagem para o alívio do sofrimento, desenvolve-se através de um processo de acompanhamento inter-relacional, dinâmico, integral e sistemático, numa relação de proximidade, da qual pode resultar no enfermeiro sofrimento, seja ele enunciado ou não, provocando “incómodo” aos cuidadores. Assim, estes adotam mecanismos de defesa como: “fuga” de cuidar daquele doente que se encontra em fim de vida e com dor não controlada, evitamento de situações constrangedoras que o fim de vida coloca, evitamento das problemáticas familiares e transmissão de más notícias, entre outros. Nestes profissionais é frequente o esgotamento físico e mental, podendo ocorrer conflitos internos, com repercussões no processo de cuidar, que envolve indiscutivelmente uma dimensão holística. Verificando-se no quotidiano da prática clínica que as intervenções dos enfermeiros influenciam a forma como o doente em fim de vida vive esta etapa, surgiu a questão de investigação: Que sofrimento experienciam os enfermeiros, que cuidam o doente em fim de vida, com dor não controlada? Com o objetivo de conhecer o sofrimento experienciado pelos enfermeiros que cuidam do doente em fim de vida com dor não controlada, de forma a contribuir para o desenvolvimento de estratégias para o alívio do sofrimento do enfermeiro, e consequentemente oferecer um final de vida digno ao doente e família, que vivenciam esta etapa. Estudo de natureza qualitativa, um estudo de caso. Recorreu-se à entrevista semiestruturada para a recolha de dados, realizado a enfermeiros de um serviço de medicina de um hospital de agudos do Norte, obedecendo às questões éticas inerentes a qualquer estudo científico. Os dados obtidos foram submetidos a análise de conteúdo segundo Bardin (2011). Resultados: Um dos sofrimentos experienciados pelos enfermeiros prende-se com o conceito que possuem de fim de vida, quer pela subjetividade do conceito, quer pela multidimensionalidade de sintomas que o doente apresenta. Entendem ter deficits na formação em cuidados paliativos, prestando maioritariamente intervenções paliativas, intervenções promotoras de conforto, intervenções promotoras do acompanhamento da família, embora o reconheçam deficitário. Admitindo que estas intervenções não se revelam suficientes para preservar a qualidade de vida do doente, expressam o seu sofrimento através de um misto de sentimentos: raiva, angústia, pena, revolta, impotência, tristeza, ansiedade, distanciamento. Desta forma, adotam várias estratégias de coping que se estendem desde o encorajamento, a alegria, disponibilidade, afetividade, partilha de experiências, verbalização das suas emoções, procura de apoio afetivo no seio familiar, até ao evitamento e fuga. Salientam como fundamental para minimizar o seu sofrimento, o acompanhamento por um psicólogo. Realçam como fatores potenciadores do seu sofrimento: a falta de trabalho em equipa, a falta de autonomia e a falta de sensibilização pela equipa médica para os cuidados paliativos. Conclusão: Os enfermeiros ao confrontarem-se com o seu sofrimento, apelam para a necessidade de formação em cuidados paliativos, formação e sensibilização da equipa médica para a filosofia do cuidar, existência de protocolos de analgesia, maior autonomia, maior circuito de informação e partilha entre a equipa de saúde, existência de espaços de reflexão, olhar o doente em fim de vida com dor não controlada, e família como parceiros no cuidar. Ficou demonstrado pelo estudo que os enfermeiros apelam para uma mudança da cultura social da morte e do morrer.
Autores principais:Viana, Aurora Maria Martins
Assunto:Sofrimento do enfermeiro Doente em fim de vida Dor não controlada Suffering of nurses Patient in end of life Pain not controlled
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Viana do Castelo
Idioma:português
Origem:Repositório Científico IPVC
Descrição
Resumo:A singularidade e individualidade da pessoa fazem com que a relação que o homem tem com a sua dor e sofrimento seja única e, que essa experiência seja vivida de uma forma muito particular. Os processos e a intervenção de enfermagem para o alívio do sofrimento, desenvolve-se através de um processo de acompanhamento inter-relacional, dinâmico, integral e sistemático, numa relação de proximidade, da qual pode resultar no enfermeiro sofrimento, seja ele enunciado ou não, provocando “incómodo” aos cuidadores. Assim, estes adotam mecanismos de defesa como: “fuga” de cuidar daquele doente que se encontra em fim de vida e com dor não controlada, evitamento de situações constrangedoras que o fim de vida coloca, evitamento das problemáticas familiares e transmissão de más notícias, entre outros. Nestes profissionais é frequente o esgotamento físico e mental, podendo ocorrer conflitos internos, com repercussões no processo de cuidar, que envolve indiscutivelmente uma dimensão holística. Verificando-se no quotidiano da prática clínica que as intervenções dos enfermeiros influenciam a forma como o doente em fim de vida vive esta etapa, surgiu a questão de investigação: Que sofrimento experienciam os enfermeiros, que cuidam o doente em fim de vida, com dor não controlada? Com o objetivo de conhecer o sofrimento experienciado pelos enfermeiros que cuidam do doente em fim de vida com dor não controlada, de forma a contribuir para o desenvolvimento de estratégias para o alívio do sofrimento do enfermeiro, e consequentemente oferecer um final de vida digno ao doente e família, que vivenciam esta etapa. Estudo de natureza qualitativa, um estudo de caso. Recorreu-se à entrevista semiestruturada para a recolha de dados, realizado a enfermeiros de um serviço de medicina de um hospital de agudos do Norte, obedecendo às questões éticas inerentes a qualquer estudo científico. Os dados obtidos foram submetidos a análise de conteúdo segundo Bardin (2011). Resultados: Um dos sofrimentos experienciados pelos enfermeiros prende-se com o conceito que possuem de fim de vida, quer pela subjetividade do conceito, quer pela multidimensionalidade de sintomas que o doente apresenta. Entendem ter deficits na formação em cuidados paliativos, prestando maioritariamente intervenções paliativas, intervenções promotoras de conforto, intervenções promotoras do acompanhamento da família, embora o reconheçam deficitário. Admitindo que estas intervenções não se revelam suficientes para preservar a qualidade de vida do doente, expressam o seu sofrimento através de um misto de sentimentos: raiva, angústia, pena, revolta, impotência, tristeza, ansiedade, distanciamento. Desta forma, adotam várias estratégias de coping que se estendem desde o encorajamento, a alegria, disponibilidade, afetividade, partilha de experiências, verbalização das suas emoções, procura de apoio afetivo no seio familiar, até ao evitamento e fuga. Salientam como fundamental para minimizar o seu sofrimento, o acompanhamento por um psicólogo. Realçam como fatores potenciadores do seu sofrimento: a falta de trabalho em equipa, a falta de autonomia e a falta de sensibilização pela equipa médica para os cuidados paliativos. Conclusão: Os enfermeiros ao confrontarem-se com o seu sofrimento, apelam para a necessidade de formação em cuidados paliativos, formação e sensibilização da equipa médica para a filosofia do cuidar, existência de protocolos de analgesia, maior autonomia, maior circuito de informação e partilha entre a equipa de saúde, existência de espaços de reflexão, olhar o doente em fim de vida com dor não controlada, e família como parceiros no cuidar. Ficou demonstrado pelo estudo que os enfermeiros apelam para uma mudança da cultura social da morte e do morrer.