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Satisfação conjugal: um desafio à enfermagem de saúde familiar
| Summary: | Enquadramento: Satisfazer as necessidades de cuidados de saúde da família é um objetivo central da Enfermagem de Saúde Familiar (ESF), especialmente no trabalho com casais nas consultas de saúde sexual e reprodutiva. Esta problemática surgiu como prioritária em sede de reunião com a equipa de enfermagem da Unidade de Saúde Familiar, por assumir uma relevância indelével no âmbito da prática colaborativa de ESF e ainda face ao seu baixo índice na unidade. Objetivos: Apresentar a síntese e reflexão no âmbito das competências previstas comuns e específicas para o enfermeiro especialista em Enfermagem Comunitária na área de Enfermagem de Saúde Familiar (ECAESF) Avaliar a satisfação conjugal dos casais, cujas mulheres inscritas na Consulta de Planeamento Familiar numa USF do Norte do país; identificar determinantes sociodemográficas da satisfação conjugal dos casais. Pretende-se ainda dar resposta a uma exigência para a atribuição do Grau de Mestre em Enfermagem Comunitária (EC) na área de ESF, com vista a atribuição posterior do Titulo Profissional de Enfermeira Especialista na área de ECAESF, pela Ordem dos Enfermeiros (OE). Método: Estudo quantitativo, observacional, descritivo-correlacional, transversal. Utilizou-se um questionário sociodemográfico (ad hoc), a Escala de Satisfação Conjugal de Enrich, adaptada e validada para Portugal por Nunes et al. (2022ª,b). Resultados: Amostra constituída por 122 participantes, maioritariamente mulheres (96,7%), com média de idade de 43,43±6,71 anos; todos casados/união de facto, com uma média de coabitação 16,00±6,67 anos; 85,2% têm filhos; 45,9% possuem o ensino secundário. Maioritariamente classificaram o seu estado de saúde global e de saúde mental como “Bom” (66,4% vs. 51,6%). Os níveis médios de satisfação conjugal foram de 42,26 ±1,72 para a dimensão satisfação marital e 18,39±1,38 para a distorção idealizada, com um percentil global de 39,15 ±1,64. A idade e as habilitações literárias mostraram diferenças significativas na distorção idealizada (p<0,05). Durante a prática clínica tive oportunidade de desenvolver competências comuns e específicas do EEESCAESF Conclusões: O estudo demonstrou que a maioria dos utentes da Consulta de Planeamento Familiar era do sexo feminino, o que reflete uma maior adesão das mulheres a este tipo de acompanhamento em saúde. Predomínio de participantes com mais de 45 anos, em grande parte casados ou em união de facto, e com relações marcadas por uma coabitação prolongada. Entre as mulheres com 45 anos ou menos, destacaram-se níveis elevados de satisfação conjugal, ainda que associados a um grau mais acentuado de distorção implícita. Além disso, foi possível identificar que variáveis como a idade, a escolaridade e a perceção de saúde apresentam uma influência estasticamente significativa a satisfação conjugal, o que reforça a complexidade dos fatores que moldam as dinâmicas relacionais no seio da família. Face a estes resultados, torna-se pertinente a implementação de uma avaliação sistemática da satisfação conjugal, utilizando um instrumento validado no contexto português. Esta prática poderá reforçar a consolidação de intervenções baseadas na evidência, contribuindo para a melhoria da qualidade das relações conjugais entre os casais acompanhados na USF. |
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| Main Authors: | Dias, Florbela Correia |
| Subject: | Família Casal Satisfação conjugal Consulta do planeamento familiar Enfermeiras especialistas em saúde da família Family Couple Marital satisfaction Family planning consultation Specialist nurses in family health |
| Year: | 2025 |
| Country: | Portugal |
| Document type: | master thesis |
| Access type: | open access |
| Associated institution: | Instituto Politécnico de Viana do Castelo |
| Language: | Portuguese |
| Origin: | Repositório Científico IPVC |
| Summary: | Enquadramento: Satisfazer as necessidades de cuidados de saúde da família é um objetivo central da Enfermagem de Saúde Familiar (ESF), especialmente no trabalho com casais nas consultas de saúde sexual e reprodutiva. Esta problemática surgiu como prioritária em sede de reunião com a equipa de enfermagem da Unidade de Saúde Familiar, por assumir uma relevância indelével no âmbito da prática colaborativa de ESF e ainda face ao seu baixo índice na unidade. Objetivos: Apresentar a síntese e reflexão no âmbito das competências previstas comuns e específicas para o enfermeiro especialista em Enfermagem Comunitária na área de Enfermagem de Saúde Familiar (ECAESF) Avaliar a satisfação conjugal dos casais, cujas mulheres inscritas na Consulta de Planeamento Familiar numa USF do Norte do país; identificar determinantes sociodemográficas da satisfação conjugal dos casais. Pretende-se ainda dar resposta a uma exigência para a atribuição do Grau de Mestre em Enfermagem Comunitária (EC) na área de ESF, com vista a atribuição posterior do Titulo Profissional de Enfermeira Especialista na área de ECAESF, pela Ordem dos Enfermeiros (OE). Método: Estudo quantitativo, observacional, descritivo-correlacional, transversal. Utilizou-se um questionário sociodemográfico (ad hoc), a Escala de Satisfação Conjugal de Enrich, adaptada e validada para Portugal por Nunes et al. (2022ª,b). Resultados: Amostra constituída por 122 participantes, maioritariamente mulheres (96,7%), com média de idade de 43,43±6,71 anos; todos casados/união de facto, com uma média de coabitação 16,00±6,67 anos; 85,2% têm filhos; 45,9% possuem o ensino secundário. Maioritariamente classificaram o seu estado de saúde global e de saúde mental como “Bom” (66,4% vs. 51,6%). Os níveis médios de satisfação conjugal foram de 42,26 ±1,72 para a dimensão satisfação marital e 18,39±1,38 para a distorção idealizada, com um percentil global de 39,15 ±1,64. A idade e as habilitações literárias mostraram diferenças significativas na distorção idealizada (p<0,05). Durante a prática clínica tive oportunidade de desenvolver competências comuns e específicas do EEESCAESF Conclusões: O estudo demonstrou que a maioria dos utentes da Consulta de Planeamento Familiar era do sexo feminino, o que reflete uma maior adesão das mulheres a este tipo de acompanhamento em saúde. Predomínio de participantes com mais de 45 anos, em grande parte casados ou em união de facto, e com relações marcadas por uma coabitação prolongada. Entre as mulheres com 45 anos ou menos, destacaram-se níveis elevados de satisfação conjugal, ainda que associados a um grau mais acentuado de distorção implícita. Além disso, foi possível identificar que variáveis como a idade, a escolaridade e a perceção de saúde apresentam uma influência estasticamente significativa a satisfação conjugal, o que reforça a complexidade dos fatores que moldam as dinâmicas relacionais no seio da família. Face a estes resultados, torna-se pertinente a implementação de uma avaliação sistemática da satisfação conjugal, utilizando um instrumento validado no contexto português. Esta prática poderá reforçar a consolidação de intervenções baseadas na evidência, contribuindo para a melhoria da qualidade das relações conjugais entre os casais acompanhados na USF. |
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