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Estatuto de cuidador informal na perspetiva dos estudantes de Gerontologia: contributos para a Gerontologia Social

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Resumo:Contexto e objetivo. A longevidade humana e o envelhecimento populacional representam a maior conquista do século XXI. A expectativa de vida aumentou mais de 30 anos no último século, pelo que importa que estes anos ganhos sejam agora traduzidos em oportunidades. De facto, a transição demográfica a que assistimos implica um conjunto de desafios e oportunidades que exigem respostas inovadoras e/ou que reconfigurem papéis tradicionais, como é o caso do cuidador informal. Muitos países da OCDE têm implementado medidas políticas para apoiar os cuidadores informais, reconhecendo a importância do seu papel na sociedade e Portugal não é exceção. Publicado em 2019, o Estatuto do Cuidador Informal regula os direitos e deveres do cuidador e da pessoa cuidada e estabelece as respetivas medidas de apoio. O Gerontólogo, sendo o profissional que contribui para a melhoria da qualidade de vida e promoção do bem-estar das pessoas à medida que envelhecem em contexto familiar, comunitário e social, através da investigação, educação e aplicação de conhecimento interdisciplinar do processo de envelhecimento e das populações envelhecidas (AGHE, 2014), é fundamental para uma mudança de paradigma sobre o processo de envelhecimento e os cuidados informais em particular. Neste sentido, o presente estudo teve como objetivo compreender a perspetiva dos estudantes de gerontologia, futuros gerontólogos, relativamente ao Estatuto do Cuidador Informal. Método. No estudo, qualitativo e do tipo transversal, participam 37 estudantes que frequentam formação ao nível do 1º e 2º ciclos de estudos em Gerontologia numa instituição de ensino superior da região norte do país. Os dados foram recolhidos com recurso a entrevista semiestruturada aplicada a cinco focus group (três focus group na licenciatura, um por cada ano curricular, e dois no mestrado, um por cada ano curricular), que depois de transcritas foram sujeitas a análise de conteúdo. Resultados. A análise de conteúdo permitiu identificar três domínios: (1) Medidas de política no âmbito do envelhecimento em Portugal; (2) Estatuto do cuidador informal e (3) O Estatuto do cuidador informal no contexto da formação de gerontólogos, sendo cada um constituído por categorias e subcategorias. Globalmente, os resultados evidenciam uma diversidade de perspetivas e preocupações em relação às políticas no âmbito do envelhecimento e, em particular, dos cuidados informais. Os participantes enfatizam a importância do reconhecimento social do cuidador, a necessidade de otimizar os mecanismos de divulgação das políticas existentes, bem como a necessidade de serem desenvolvidas medidas mais abrangentes e eficazes para apoiar os cuidadores informais e as pessoas cuidadas. Conclusão. Considerando os resultados obtidos, é evidente a preocupação com a necessidade de apoiar a pessoa na sua globalidade, contribuir para a humanização dos cuidados a adultos mais velhos e contribuir para uma mudança de paradigma sobre o processo de envelhecimento. Assim, os participantes manifestam uma elevada consciência das limitações do Estatuto do Cuidador Informal, bem como do seu papel enquanto futuros profissionais na garantia do bem-estar e da dignidade dos cuidadores informais e das pessoas mais velhas.
Autores principais:Simões, Carina Rafaela Gomes
Assunto:Cuidador informal Gerontologia Social Envelhecimento Políticas sociais Gerontólogo Informal caregiver Social Gerontology Aging Social policies Gerontologist
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Viana do Castelo
Idioma:português
Origem:Repositório Científico IPVC
Descrição
Resumo:Contexto e objetivo. A longevidade humana e o envelhecimento populacional representam a maior conquista do século XXI. A expectativa de vida aumentou mais de 30 anos no último século, pelo que importa que estes anos ganhos sejam agora traduzidos em oportunidades. De facto, a transição demográfica a que assistimos implica um conjunto de desafios e oportunidades que exigem respostas inovadoras e/ou que reconfigurem papéis tradicionais, como é o caso do cuidador informal. Muitos países da OCDE têm implementado medidas políticas para apoiar os cuidadores informais, reconhecendo a importância do seu papel na sociedade e Portugal não é exceção. Publicado em 2019, o Estatuto do Cuidador Informal regula os direitos e deveres do cuidador e da pessoa cuidada e estabelece as respetivas medidas de apoio. O Gerontólogo, sendo o profissional que contribui para a melhoria da qualidade de vida e promoção do bem-estar das pessoas à medida que envelhecem em contexto familiar, comunitário e social, através da investigação, educação e aplicação de conhecimento interdisciplinar do processo de envelhecimento e das populações envelhecidas (AGHE, 2014), é fundamental para uma mudança de paradigma sobre o processo de envelhecimento e os cuidados informais em particular. Neste sentido, o presente estudo teve como objetivo compreender a perspetiva dos estudantes de gerontologia, futuros gerontólogos, relativamente ao Estatuto do Cuidador Informal. Método. No estudo, qualitativo e do tipo transversal, participam 37 estudantes que frequentam formação ao nível do 1º e 2º ciclos de estudos em Gerontologia numa instituição de ensino superior da região norte do país. Os dados foram recolhidos com recurso a entrevista semiestruturada aplicada a cinco focus group (três focus group na licenciatura, um por cada ano curricular, e dois no mestrado, um por cada ano curricular), que depois de transcritas foram sujeitas a análise de conteúdo. Resultados. A análise de conteúdo permitiu identificar três domínios: (1) Medidas de política no âmbito do envelhecimento em Portugal; (2) Estatuto do cuidador informal e (3) O Estatuto do cuidador informal no contexto da formação de gerontólogos, sendo cada um constituído por categorias e subcategorias. Globalmente, os resultados evidenciam uma diversidade de perspetivas e preocupações em relação às políticas no âmbito do envelhecimento e, em particular, dos cuidados informais. Os participantes enfatizam a importância do reconhecimento social do cuidador, a necessidade de otimizar os mecanismos de divulgação das políticas existentes, bem como a necessidade de serem desenvolvidas medidas mais abrangentes e eficazes para apoiar os cuidadores informais e as pessoas cuidadas. Conclusão. Considerando os resultados obtidos, é evidente a preocupação com a necessidade de apoiar a pessoa na sua globalidade, contribuir para a humanização dos cuidados a adultos mais velhos e contribuir para uma mudança de paradigma sobre o processo de envelhecimento. Assim, os participantes manifestam uma elevada consciência das limitações do Estatuto do Cuidador Informal, bem como do seu papel enquanto futuros profissionais na garantia do bem-estar e da dignidade dos cuidadores informais e das pessoas mais velhas.