Publicação
Vinculação e sobrecarga nos cuidados informais: um estudo sobre cuidadores em acolhimento familiar para pessoas idosas
| Resumo: | Face ao envelhecimento acentuado da população mundial, as políticas sociais têm vindo a alterar- se numa tentativa de responder aos desafios complexos de tal mudança. Contudo, atualmente para além de disponibilizar recursos para que a população idosa possa envelhecer com dignidade e qualidade de vida, existe a preocupação de criar e valorizar medidas políticas que permitam que esta população possa envelhecer em comunidade, num meio familiar numa linha de aging in place. A resposta social Acolhimento Familiar para Pessoas Idosas (AFPI) é uma das respostas sociais disponibilizadas pelo Sistema de Segurança Social português que se enquadra neste linha ao permitir integrar, temporária ou permanentemente, em familias consideradas idóneas pessoas idosas quando, por ausência ou falta de condições de familiares e/ou inexistência ou insuficiência de respostas sociais, não possam permanecer no seu domicilio. O cuidar de idosos é por si só um processo complexo que, por vezes, consoante as características idiossincráticas do cuidador, torna- se muito exigente e desafiante, provocando frequentemente efeitos negativos e disruptivos no cuidador, sendo o mais apontado pela literatura no dominio a sobrecarga do cuidador. A investigação no dominio revela que o cuidador poderá ser afetado a vários níveis (financeiro, emocional, saúde física e mental), sendo a depressão uma das consequências mais apontadas na literatura. Neste contexto, a qualidade da vinculação do cuidador pode constituir-se como um recurso interno fundamental neste processo. Face ao exposto, o presente estudo pretende: (1) caracterizar os cuidadores que integram a resposta social de AFPI no distrito de Viana do Castelo do ponto de vista sociodemográfico, vinculação, sobrecarga e sintomas psicopatológicos; (ii) analisar a relação entre vinculação, sobrecarga e sintomatologia psicopatológica em cuidadores de AFPI; (iii) compreender a experiência de ser cuidador em AFPI em termos de antecedentes (motivos) e consequências (vantagens e desvantagens e necessidades) do cuidar. Para tal desenhamos um estudo transversal em que participam 49 cuidadores (familias de acolhimento) que foram avaliados com: (i) Ficha sociodemográfica; (ii) Escala de Vinculação do Adulto (EVA, versão portuguesa de Canavarro, 1997); (ii) Escala de Sobrecarga do Cuidador (ESC, versão portuguesa de Sequeira, 2007); (iv) Inventário de Sintomas Psicopatológicos (BSI, versão portuguesa Canavarro, 1999). Os resultados mostram que os participantes são do género feminino (100.0%), maioritariamente casadas (71.4%), com idades compreendidas entre os 31 e os 74 anos (M = 50.3 anos, DP = 9.19). Paralelamente, 36.1% apresentam sobrecarga, sendo os cuidadores com vinculação insegura os que apresentavam níveis de sobrecarga mais elevados; assim como os cuidadores com sobrecarga os mais suscetíveis ao aparecimento de sintomatologia psicopatológica, com a depressão e a ansiedade como indicadores psicopatológicos mais recorrentes. Globalmente estes resultados permitem: (1) caracterizar os cuidadores em termos de estilo de vinculação e sobrecarga; (2) analisar a relação entre vinculação, sobrecarga e sintomatologia depressiva; (3) identificar cuidadores em risco ou em processo de sobrecarga; e (4) delinear estratégias de intervenção no sentido de potenciar a qualidade dos cuidados prestados. Neste sentido, este estudo representa um contributo relevante para a gerontologia social, abrindo um novo campo de investigação e avaliação do domínio dos cuidados na resposta social de Acolhimento Familiar para Pessoas Idosas. |
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| Autores principais: | Abreu, Sandrina dos Santos |
| Assunto: | Sobrecarga Vinculação Gerontologia Social Cuidados informais Burden Adult attachment Social Gerontology Informal caregiving |
| Ano: | 2014 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso a metadados |
| Instituição associada: | Instituto Politécnico de Viana do Castelo |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Científico IPVC |
| Resumo: | Face ao envelhecimento acentuado da população mundial, as políticas sociais têm vindo a alterar- se numa tentativa de responder aos desafios complexos de tal mudança. Contudo, atualmente para além de disponibilizar recursos para que a população idosa possa envelhecer com dignidade e qualidade de vida, existe a preocupação de criar e valorizar medidas políticas que permitam que esta população possa envelhecer em comunidade, num meio familiar numa linha de aging in place. A resposta social Acolhimento Familiar para Pessoas Idosas (AFPI) é uma das respostas sociais disponibilizadas pelo Sistema de Segurança Social português que se enquadra neste linha ao permitir integrar, temporária ou permanentemente, em familias consideradas idóneas pessoas idosas quando, por ausência ou falta de condições de familiares e/ou inexistência ou insuficiência de respostas sociais, não possam permanecer no seu domicilio. O cuidar de idosos é por si só um processo complexo que, por vezes, consoante as características idiossincráticas do cuidador, torna- se muito exigente e desafiante, provocando frequentemente efeitos negativos e disruptivos no cuidador, sendo o mais apontado pela literatura no dominio a sobrecarga do cuidador. A investigação no dominio revela que o cuidador poderá ser afetado a vários níveis (financeiro, emocional, saúde física e mental), sendo a depressão uma das consequências mais apontadas na literatura. Neste contexto, a qualidade da vinculação do cuidador pode constituir-se como um recurso interno fundamental neste processo. Face ao exposto, o presente estudo pretende: (1) caracterizar os cuidadores que integram a resposta social de AFPI no distrito de Viana do Castelo do ponto de vista sociodemográfico, vinculação, sobrecarga e sintomas psicopatológicos; (ii) analisar a relação entre vinculação, sobrecarga e sintomatologia psicopatológica em cuidadores de AFPI; (iii) compreender a experiência de ser cuidador em AFPI em termos de antecedentes (motivos) e consequências (vantagens e desvantagens e necessidades) do cuidar. Para tal desenhamos um estudo transversal em que participam 49 cuidadores (familias de acolhimento) que foram avaliados com: (i) Ficha sociodemográfica; (ii) Escala de Vinculação do Adulto (EVA, versão portuguesa de Canavarro, 1997); (ii) Escala de Sobrecarga do Cuidador (ESC, versão portuguesa de Sequeira, 2007); (iv) Inventário de Sintomas Psicopatológicos (BSI, versão portuguesa Canavarro, 1999). Os resultados mostram que os participantes são do género feminino (100.0%), maioritariamente casadas (71.4%), com idades compreendidas entre os 31 e os 74 anos (M = 50.3 anos, DP = 9.19). Paralelamente, 36.1% apresentam sobrecarga, sendo os cuidadores com vinculação insegura os que apresentavam níveis de sobrecarga mais elevados; assim como os cuidadores com sobrecarga os mais suscetíveis ao aparecimento de sintomatologia psicopatológica, com a depressão e a ansiedade como indicadores psicopatológicos mais recorrentes. Globalmente estes resultados permitem: (1) caracterizar os cuidadores em termos de estilo de vinculação e sobrecarga; (2) analisar a relação entre vinculação, sobrecarga e sintomatologia depressiva; (3) identificar cuidadores em risco ou em processo de sobrecarga; e (4) delinear estratégias de intervenção no sentido de potenciar a qualidade dos cuidados prestados. Neste sentido, este estudo representa um contributo relevante para a gerontologia social, abrindo um novo campo de investigação e avaliação do domínio dos cuidados na resposta social de Acolhimento Familiar para Pessoas Idosas. |
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