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Sexualidade e intimidade de pessoas mais velhas em ERPI : "Essas Coisas Acabaram"

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O fenómeno do envelhecimento (demográfico e individual) é um assunto de crescente interesse e preocupação mais ou menos informado por políticos e cientistas, que acordaram para o “Grey Power” quando este começou a impor-se nos diversos contextos. Um pouco por todo o mundo, foi-se percebendo que havia de facto um desafio com as potenciais despesas na Saúde e no sistema de Segurança Social e, simultaneamente, uma oportunidade com um mercado emergente de necessidades e serviços. O envelhecimento individual estabelece-se como um fenómeno biopsicossocial complexo, multidirecional, multidimensional e multicausal, regulado por ganhos e perdas e que contém o cunho de dois aspetos fundamentais que exercem influência, o lugar e o tempo histórico-cultural em que a pessoa vive. Nas últimas décadas a investigação tem reunido um corpo crescente e sistemático de evidências que permitem compreender muitas das dimensões deste processo, salientando o papel ativo e dinâmico da pessoa no seu próprio processo de desenvolvimento e envelhecimento. As questões da sexualidade e intimidade são transversais em qualquer idade, logo deverão ser também analisadas no envelhecimento, tal como ocorre em outras etapas da vida. A par de crenças e mitos acerca das pessoas idosas e da velhice, surge a vivência e a expressão da sexualidade, muitas vezes relegada para segundo plano, por se considerar que nesta etapa da vida a pessoa se torna num ser assexuado. Porque consideramos que a sexualidade e intimidade devem ser conceptualizadas e estudadas numa linha desenvolvimental, uma vez que estas vivências fazem parte integrante do desenvolvimento pessoal ao longo de todo o ciclo vital, o presente estudo de natureza qualitativa, de tipo fenomenológico, tem como objetivo compreender de que forma a sexualidade e intimidade é vivida e experienciada por idosos institucionalizados. Participaram no estudo nove pessoas de ambos os sexos residentes numa Estrutura Residencial Para Pessoas Idosas que foram entrevistadas com recurso a uma entrevista semiestruturada desenhada especificamente para o presente estudo. A análise conteúdo das entrevistas permitiu identificar a existência de um tema comum – Sexualidade e Intimidade na Velhice, que integra dois domínios: Vivência da sexualidade e intimidade e Posicionamento face à intimidade e sexualidade na velhice. O primeiro domínio integra sete categorias (1) Vivência da sexualidade; (2) Vivência da intimidade; (3) Motivos; (4) Constrangimentos à vivência da sexualidade e intimidade; (5) Estratégias pessoais e (6) Manifestações do envelhecimento e (7) Efeitos geracionais; e o segundo domínio agrega quatro categorias: (1) Conceção de sexualidade e intimidade, (2) Posicionamento face à sexualidade na velhice, (3) Conselhos e orientações e (4) Perspetivas sociais sobre a sexualidade na velhice. Face aos resultados obtidos é possível constatar a heterogeneidade na vivência da sexualidade e intimidade ao longo da vida, tornando-se evidente a presença de diferenças de género no modo como os participantes experienciaram e vivenciaram a intimidade e sexualidade antes e após a institucionalização. Especificamente, é evidente que a vivência da sexualidade e intimidade é influenciada pelas práticas educativas e valores morais/religiosos e pelos acontecimentos de vida, essencialmente o casamento como marco para o início da sexualidade feminina. Também ficou claro que a institucionalização por si mesma não parece constituir um fator de alterações na vivência da sexualidade e intimidade para os participantes no estudo, sendo a morte ou ausência do cônjuge ou parceiro e as fragilidades físicas apontadas como principais fatores para alterações nesta vivência. Os participantes distinguem o conceito de sexualidade do de intimidade, estando a sexualidade ligada diretamente à expressão de afetos (amor e carinho) e a intimidade suportada por sentimentos positivos como confiança e amizade. Em suma, a sexualidade e intimidade ao longo da vida e, principalmente, na velhice parece constituir-se como um processo heterogéneo, sendo consideradas estas vivências como positivas e necessárias mesmo na velhice e em ambiente institucional. Os participantes apresentaram um discurso reflexivo, com grande capacidade de abertura ao tema, desprovido de preconceitos, mas reconhecendo a sua existência por parte da Sociedade. Deste modo, os resultados permitem o desenvolvimento de orientações para a prática gerontológica, nomeadamente ao nível da formação dos profissionais nesta área, da educação da Sociedade e do trabalho direto com os mais velhos.
Autores principais:Leitão, Susana Cristina Bernardino
Assunto:Sexualidade Intimidade Envelhecimento Institucionalização Gerontologia Social Sexuality Intimacy Aging Institutionalization Social Gerontology
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Viana do Castelo
Idioma:português
Origem:Repositório Científico IPVC
Descrição
Resumo:O fenómeno do envelhecimento (demográfico e individual) é um assunto de crescente interesse e preocupação mais ou menos informado por políticos e cientistas, que acordaram para o “Grey Power” quando este começou a impor-se nos diversos contextos. Um pouco por todo o mundo, foi-se percebendo que havia de facto um desafio com as potenciais despesas na Saúde e no sistema de Segurança Social e, simultaneamente, uma oportunidade com um mercado emergente de necessidades e serviços. O envelhecimento individual estabelece-se como um fenómeno biopsicossocial complexo, multidirecional, multidimensional e multicausal, regulado por ganhos e perdas e que contém o cunho de dois aspetos fundamentais que exercem influência, o lugar e o tempo histórico-cultural em que a pessoa vive. Nas últimas décadas a investigação tem reunido um corpo crescente e sistemático de evidências que permitem compreender muitas das dimensões deste processo, salientando o papel ativo e dinâmico da pessoa no seu próprio processo de desenvolvimento e envelhecimento. As questões da sexualidade e intimidade são transversais em qualquer idade, logo deverão ser também analisadas no envelhecimento, tal como ocorre em outras etapas da vida. A par de crenças e mitos acerca das pessoas idosas e da velhice, surge a vivência e a expressão da sexualidade, muitas vezes relegada para segundo plano, por se considerar que nesta etapa da vida a pessoa se torna num ser assexuado. Porque consideramos que a sexualidade e intimidade devem ser conceptualizadas e estudadas numa linha desenvolvimental, uma vez que estas vivências fazem parte integrante do desenvolvimento pessoal ao longo de todo o ciclo vital, o presente estudo de natureza qualitativa, de tipo fenomenológico, tem como objetivo compreender de que forma a sexualidade e intimidade é vivida e experienciada por idosos institucionalizados. Participaram no estudo nove pessoas de ambos os sexos residentes numa Estrutura Residencial Para Pessoas Idosas que foram entrevistadas com recurso a uma entrevista semiestruturada desenhada especificamente para o presente estudo. A análise conteúdo das entrevistas permitiu identificar a existência de um tema comum – Sexualidade e Intimidade na Velhice, que integra dois domínios: Vivência da sexualidade e intimidade e Posicionamento face à intimidade e sexualidade na velhice. O primeiro domínio integra sete categorias (1) Vivência da sexualidade; (2) Vivência da intimidade; (3) Motivos; (4) Constrangimentos à vivência da sexualidade e intimidade; (5) Estratégias pessoais e (6) Manifestações do envelhecimento e (7) Efeitos geracionais; e o segundo domínio agrega quatro categorias: (1) Conceção de sexualidade e intimidade, (2) Posicionamento face à sexualidade na velhice, (3) Conselhos e orientações e (4) Perspetivas sociais sobre a sexualidade na velhice. Face aos resultados obtidos é possível constatar a heterogeneidade na vivência da sexualidade e intimidade ao longo da vida, tornando-se evidente a presença de diferenças de género no modo como os participantes experienciaram e vivenciaram a intimidade e sexualidade antes e após a institucionalização. Especificamente, é evidente que a vivência da sexualidade e intimidade é influenciada pelas práticas educativas e valores morais/religiosos e pelos acontecimentos de vida, essencialmente o casamento como marco para o início da sexualidade feminina. Também ficou claro que a institucionalização por si mesma não parece constituir um fator de alterações na vivência da sexualidade e intimidade para os participantes no estudo, sendo a morte ou ausência do cônjuge ou parceiro e as fragilidades físicas apontadas como principais fatores para alterações nesta vivência. Os participantes distinguem o conceito de sexualidade do de intimidade, estando a sexualidade ligada diretamente à expressão de afetos (amor e carinho) e a intimidade suportada por sentimentos positivos como confiança e amizade. Em suma, a sexualidade e intimidade ao longo da vida e, principalmente, na velhice parece constituir-se como um processo heterogéneo, sendo consideradas estas vivências como positivas e necessárias mesmo na velhice e em ambiente institucional. Os participantes apresentaram um discurso reflexivo, com grande capacidade de abertura ao tema, desprovido de preconceitos, mas reconhecendo a sua existência por parte da Sociedade. Deste modo, os resultados permitem o desenvolvimento de orientações para a prática gerontológica, nomeadamente ao nível da formação dos profissionais nesta área, da educação da Sociedade e do trabalho direto com os mais velhos.