Publicação
Envelhecimento bem-sucedido na perspetiva das pessoas mais velhas : um estudo qualitativo com professoras do 1º ciclo
| Resumo: | Contexto e objetivo. Envelhecer com bem-estar, qualidade de vida e elevado funcionamento é um dos grandes desafios que a ciência e a sociedade encaram face ao aumento da longevidade (Fernández-Ballesteros, 2009). O envelhecimento individual é um processo multidimensional, multicausal e multidirecional de ciclo de vida que contém a marca histórica, cultural e social dos contextos de vida das pessoas (Baltes, Staudinger, & Lindenberger, 1999). Apesar da grande heterogeneidade que carateriza as pessoas mais velhas e o envelhecimento, a literatura assinala diferentes formas de envelhecer, nomeadamente o (1) envelhecimento normal, (2) envelhecimento patológico e (3) envelhecimento ótimo/bem-sucedido/ativo (Baltes & Mayer, 1999). O envelhecimento bem-sucedido (EBS) refere-se a um envelhecimento com baixa probabilidade de ocorrência de doença e incapacidade, onde as capacidades biológicas e psicológicas permitem uma boa adaptação, traduzindo uma satisfação com o mesmo (Baltes & Baltes, 1990). O envelhecimento bem-sucedido é um dos temas mais investigados nas últimas décadas no âmbito da gerontologia social, contudo não existe um único conjunto de critérios comumente aceite para o caraterizar. Das várias definições encontradas para definir EBS, a mais ampla é a proposta pela Organização Mundial de Saúde (OMS, 2002), que adota a designação de envelhecimento ativo. No que concerne ao envelhecimento bem-sucedido há três perspetivas que marcam a investigação no domínio: (1) os critérios de envelhecimento bem-sucedido de Rowe e Kahn (1987; 1998), (2) o modelo de Otimização Seletiva com Compensação (SOC) de P. Baltes e M. Baltes (1990), e (3) o modelo da Pró-atividade Preventiva e Corretiva de Kahana e Kahana (1996; 2005). Face à diversidade concetual instalada, em 2009, Fernandéz-Ballesteros, propõe uma leitura multidimensional e multinível de envelhecimento bem-sucedido, ativo e saudável, chamando a atenção para as conceções que as pessoas, em particular as mais velhas, constroem sobre este processo de otimização do envelhecimento, que designou como lay concept. Globalmente, a investigação, ainda inicial, sobre o conceito popular/leigo de EBS sugere que este integra diferentes dimensões ou componentes, assemelhando-se ao conceito científico, nomeadamente níveis positivos de saúde, bom funcionamento cognitivo, relações sociais satisfatórias e a satisfação com a vida (Ryff, 1989). Neste contexto, o presente estudo tem como objetivo compreender o conceito de EBS na perspetiva das pessoas mais velhas. Método. O presente estudo, de natureza fenomenológica, inclui oito pessoas mais velhas, do género feminino, com idades compreendidas entre os 58 e os 66 anos, a residir na comunidade, todas reformadas, e que tiveram como profissão professoras do primeiro ciclo de ensino. A recolha de dados foi efetuada com recurso a entrevista semiestruturada construída especificamente para o estudo. As entrevistas depois de realizadas foram transcritas e o seu conteúdo sujeito à análise de conteúdo (Creswell, 2013) Resultados. A análise de conteúdo efetuada às entrevistas permitiu verificar a existência de um tema comum – A arte de envelhecer? que integra três domínios: (1) Envelhecer: dimensão pessoal; (2) Envelhecer: dimensão contextual; e (3) Uma visão de EBS, que por sua vez agregam um número variável de categorias e subcategorias. Assim, os resultados permitem verificar que as participantes reconhecem que (1) existem diferentes formas de envelhecer, uma das quais em que é possível manter níveis elevados de funcionamento do ponto de vista físico, cognitivo e socioemocional; (2) o ambiente físico, cultural e social é importante; e (3) a pessoa pode intencionalmente ativar recursos e estratégias para conseguir envelhecer bem. Conclusão. Os resultados obtidos neste estudo vão no sentido do apontado na literatura, isto é, as pessoas mais velhas constroem conceções acerca do processo de EBS que vão de encontro ao definido conceptualmente, reconhecem as vantagens de envelhecer com sucesso e identificam estratégias, recursos e condições (pessoais e contextuais) para atingir o EBS. Parece-nos que estes resultados são relevantes para que políticos, investigadores e profissionais no domínio possam internacionalizar a sua ação no sentido de criar condições para que as pessoas envelheçam com sucesso |
|---|---|
| Autores principais: | Cunha, Célia Maria Lopes da |
| Assunto: | Envelhecimento bem-sucedido Envelhecimento individual Estudo qualitativo Gerontologia Social Successful aging Individual aging Qualitative study Social Gerontology |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Instituto Politécnico de Viana do Castelo |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Científico IPVC |
| Resumo: | Contexto e objetivo. Envelhecer com bem-estar, qualidade de vida e elevado funcionamento é um dos grandes desafios que a ciência e a sociedade encaram face ao aumento da longevidade (Fernández-Ballesteros, 2009). O envelhecimento individual é um processo multidimensional, multicausal e multidirecional de ciclo de vida que contém a marca histórica, cultural e social dos contextos de vida das pessoas (Baltes, Staudinger, & Lindenberger, 1999). Apesar da grande heterogeneidade que carateriza as pessoas mais velhas e o envelhecimento, a literatura assinala diferentes formas de envelhecer, nomeadamente o (1) envelhecimento normal, (2) envelhecimento patológico e (3) envelhecimento ótimo/bem-sucedido/ativo (Baltes & Mayer, 1999). O envelhecimento bem-sucedido (EBS) refere-se a um envelhecimento com baixa probabilidade de ocorrência de doença e incapacidade, onde as capacidades biológicas e psicológicas permitem uma boa adaptação, traduzindo uma satisfação com o mesmo (Baltes & Baltes, 1990). O envelhecimento bem-sucedido é um dos temas mais investigados nas últimas décadas no âmbito da gerontologia social, contudo não existe um único conjunto de critérios comumente aceite para o caraterizar. Das várias definições encontradas para definir EBS, a mais ampla é a proposta pela Organização Mundial de Saúde (OMS, 2002), que adota a designação de envelhecimento ativo. No que concerne ao envelhecimento bem-sucedido há três perspetivas que marcam a investigação no domínio: (1) os critérios de envelhecimento bem-sucedido de Rowe e Kahn (1987; 1998), (2) o modelo de Otimização Seletiva com Compensação (SOC) de P. Baltes e M. Baltes (1990), e (3) o modelo da Pró-atividade Preventiva e Corretiva de Kahana e Kahana (1996; 2005). Face à diversidade concetual instalada, em 2009, Fernandéz-Ballesteros, propõe uma leitura multidimensional e multinível de envelhecimento bem-sucedido, ativo e saudável, chamando a atenção para as conceções que as pessoas, em particular as mais velhas, constroem sobre este processo de otimização do envelhecimento, que designou como lay concept. Globalmente, a investigação, ainda inicial, sobre o conceito popular/leigo de EBS sugere que este integra diferentes dimensões ou componentes, assemelhando-se ao conceito científico, nomeadamente níveis positivos de saúde, bom funcionamento cognitivo, relações sociais satisfatórias e a satisfação com a vida (Ryff, 1989). Neste contexto, o presente estudo tem como objetivo compreender o conceito de EBS na perspetiva das pessoas mais velhas. Método. O presente estudo, de natureza fenomenológica, inclui oito pessoas mais velhas, do género feminino, com idades compreendidas entre os 58 e os 66 anos, a residir na comunidade, todas reformadas, e que tiveram como profissão professoras do primeiro ciclo de ensino. A recolha de dados foi efetuada com recurso a entrevista semiestruturada construída especificamente para o estudo. As entrevistas depois de realizadas foram transcritas e o seu conteúdo sujeito à análise de conteúdo (Creswell, 2013) Resultados. A análise de conteúdo efetuada às entrevistas permitiu verificar a existência de um tema comum – A arte de envelhecer? que integra três domínios: (1) Envelhecer: dimensão pessoal; (2) Envelhecer: dimensão contextual; e (3) Uma visão de EBS, que por sua vez agregam um número variável de categorias e subcategorias. Assim, os resultados permitem verificar que as participantes reconhecem que (1) existem diferentes formas de envelhecer, uma das quais em que é possível manter níveis elevados de funcionamento do ponto de vista físico, cognitivo e socioemocional; (2) o ambiente físico, cultural e social é importante; e (3) a pessoa pode intencionalmente ativar recursos e estratégias para conseguir envelhecer bem. Conclusão. Os resultados obtidos neste estudo vão no sentido do apontado na literatura, isto é, as pessoas mais velhas constroem conceções acerca do processo de EBS que vão de encontro ao definido conceptualmente, reconhecem as vantagens de envelhecer com sucesso e identificam estratégias, recursos e condições (pessoais e contextuais) para atingir o EBS. Parece-nos que estes resultados são relevantes para que políticos, investigadores e profissionais no domínio possam internacionalizar a sua ação no sentido de criar condições para que as pessoas envelheçam com sucesso |
|---|