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A pessoa em situação crítica em contexto de urgência: dos cuidados enfermagem prestados aos cuidados de enfermagem documentados

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Resumo:A documentação de cuidados de enfermagem tem ao longo dos tempos seguido trajetórias diferentes, de acordo com os vários contextos de prestação de cuidados. Hoje em dia, com a introdução de sistemas de informação, os enfermeiros debatem-se com questões relacionadas com a própria informatização dos registos a par da necessidade de se discutirem questões relacionadas com os modelos de cuidados de enfermagem em uso no contexto das práticas. Constituindo os serviços de urgência, locais onde tradicionalmente, a documentação dos cuidados é pouco valorizada pelos enfermeiros, fruto de modelos de cuidados sustentados num cariz biomédico, entre outros, e considerando que o campo de intervenção autónoma do enfermeiro é vasto, emergiu o presente estudo que tem como principal objetivo compreender se a documentação de enfermagem processada pelos enfermeiros traduz os cuidados de enfermagem prestados à pessoa em situação crítica em contexto de urgência. Para a consecução deste estudo, assente no paradigma qualitativo e de caráter exploratório-descritivo, recorremos a uma técnica multimétodo de recolha de dados, com recurso à entrevista, à observação participante e à análise documental dos registos dos enfermeiros. Participaram no estudo oito enfermeiros de um serviço de urgência da zona norte do país. Os dados obtidos permitiram-nos identificar seis áreas temáticas: intervenções de enfermagem realizadas, informação documentada, critérios subjacentes à documentação dos cuidados de enfermagem, contributos da documentação dos cuidados de enfermagem, fatores que interferem na documentação e sugestões para otimizar a documentação dos cuidados de enfermagem. Os resultados indicam que é nos setores onde o doente permanece mais tempo, nomeadamente no setor de OBS, que a documentação de enfermagem é realizada de uma forma mais sistemática, sendo a atenção do enfermeiro focalizada em diagnósticos de enfermagem do domínio da “função” e em intervenções relacionadas com a vigilância do doente e a prevenção de complicações. Os cuidados de enfermagem prestados em situação de urgência não se tornaram visíveis nos registos, bem como as intervenções do tipo informar e atender.Foram apontados alguns fatores que interferem negativamente no processo de documentação, dos quais salientamos as caraterísticas do próprio doente e o pouco tempo de interação enfermeiro/doente, a falta de tempo para documentar, fatores relacionados com o enfermeiro como a falta de motivação, e ainda o facto do aplicativo que suporta o Sistema de Informação em Enfermagem (SIE) ser pouco adequado e não facilitar a documentação de uma forma menos complicada. Surge também como fator positivo a própria linguagem classificada, considerada como facilitadora do processo de documentação dos cuidados de enfermagem. Emergiram sugestões que atribuem particular importância à criação de momentos e espaços para refletir e discutir as práticas de cuidados.
Autores principais:Alves, Teresa Maria Cerqueira
Assunto:Doente crítico Urgência Documentação de enfermagem Sistemas de Informação Critical Patient Nursing documentation Information systems
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Viana do Castelo
Idioma:português
Origem:Repositório Científico IPVC
Descrição
Resumo:A documentação de cuidados de enfermagem tem ao longo dos tempos seguido trajetórias diferentes, de acordo com os vários contextos de prestação de cuidados. Hoje em dia, com a introdução de sistemas de informação, os enfermeiros debatem-se com questões relacionadas com a própria informatização dos registos a par da necessidade de se discutirem questões relacionadas com os modelos de cuidados de enfermagem em uso no contexto das práticas. Constituindo os serviços de urgência, locais onde tradicionalmente, a documentação dos cuidados é pouco valorizada pelos enfermeiros, fruto de modelos de cuidados sustentados num cariz biomédico, entre outros, e considerando que o campo de intervenção autónoma do enfermeiro é vasto, emergiu o presente estudo que tem como principal objetivo compreender se a documentação de enfermagem processada pelos enfermeiros traduz os cuidados de enfermagem prestados à pessoa em situação crítica em contexto de urgência. Para a consecução deste estudo, assente no paradigma qualitativo e de caráter exploratório-descritivo, recorremos a uma técnica multimétodo de recolha de dados, com recurso à entrevista, à observação participante e à análise documental dos registos dos enfermeiros. Participaram no estudo oito enfermeiros de um serviço de urgência da zona norte do país. Os dados obtidos permitiram-nos identificar seis áreas temáticas: intervenções de enfermagem realizadas, informação documentada, critérios subjacentes à documentação dos cuidados de enfermagem, contributos da documentação dos cuidados de enfermagem, fatores que interferem na documentação e sugestões para otimizar a documentação dos cuidados de enfermagem. Os resultados indicam que é nos setores onde o doente permanece mais tempo, nomeadamente no setor de OBS, que a documentação de enfermagem é realizada de uma forma mais sistemática, sendo a atenção do enfermeiro focalizada em diagnósticos de enfermagem do domínio da “função” e em intervenções relacionadas com a vigilância do doente e a prevenção de complicações. Os cuidados de enfermagem prestados em situação de urgência não se tornaram visíveis nos registos, bem como as intervenções do tipo informar e atender.Foram apontados alguns fatores que interferem negativamente no processo de documentação, dos quais salientamos as caraterísticas do próprio doente e o pouco tempo de interação enfermeiro/doente, a falta de tempo para documentar, fatores relacionados com o enfermeiro como a falta de motivação, e ainda o facto do aplicativo que suporta o Sistema de Informação em Enfermagem (SIE) ser pouco adequado e não facilitar a documentação de uma forma menos complicada. Surge também como fator positivo a própria linguagem classificada, considerada como facilitadora do processo de documentação dos cuidados de enfermagem. Emergiram sugestões que atribuem particular importância à criação de momentos e espaços para refletir e discutir as práticas de cuidados.