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Envelhecimento e idadismo: um estudo com jovens e adultos mais velhos

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Contexto e objetivos: O envelhecimento em Portugal tem ocorrido de forma progressiva e gradual. Existem inúmeras maneiras de envelhecer, relacionadas não só com a variabilidade das características das pessoas, como também com o contexto sociocultural em que vivem. Assim, envelhecer diz respeito às modificações biológicas e psicológicas, mas também aos padrões sociais e à forma como as comunidades percecionam o processo de envelhecimento (Miguel, 2014). As imagens associadas a este processo incluem comportamentos, conceitos, crenças, emoções e estereótipos que tendem a evidenciar-se ao longo da vida, podendo assumir formas de discriminação, tais como o idadismo (Ribeiro, 2007). Este termo foi introduzido por Butler em 1969, caracterizando-se por ser um processo de estereótipos e discriminação sistemática com base na idade. As atitudes idadistas em relação às pessoas mais velhas podem assumir três componentes: (i) estereótipos, (ii) preconceito e (iii) discriminação (Marques, 2011) com reflexo no seu bem-estar e qualidade de vida. Deste modo, é objetivo geral do presente estudo analisar a relação entre as imagens e estereótipos sobre a velhice e a qualidade de vida de jovens adultos e adultos mais velhos. Os objetivos específicos são: caracterizar as imagens e estereótipos de jovens adultos e adultos mais velhos sobre a pessoa idosa e o processo de envelhecimento; avaliar a relação entre as imagens e estereótipos sobre a velhice e variáveis específicas e analisar se existem diferenças em relação à imagem e estereótipos sobre a velhice em função da geração de pertença. Método: Trata-se de um estudo quantitativo, transversal, de carácter não experimental, do tipo correlacional. A amostra foi composta por 122 participantes, dos quais 62 jovens (17-24 anos) e 60 adultos mais velhos (65 ou mais anos), sem comprometimento cognitivo, a residir na comunidade e a frequentar o IPVC ou uma Universidade Sénior do Norte de Portugal. O processo de amostragem foi não probabilístico por conveniência, sendo que para a recolha de dados foi utilizado um questionário sociodemográfico, o questionário específico sobre o idadismo, o questionário de avaliação da qualidade de vida - WHOQOL-Bref (Canavarro et al., 2010) e a Escala ImAges (Sousa et al., 2008). O protocolo foi auto-administrado, tendo a recolha de dados decorrido entre setembro e dezembro de 2023. A análise descritiva e inferencial dos dados foi realizada através do programa IBM SPSS, versão 27. Resultados: Os participantes têm idades compreendidas entre os 17 e os 83 anos (M=45,34; DP=26,1), são maioritariamente do sexo feminino, 69,4% (n=84), solteiros 53,5% (n=65) e com escolaridade ao nível do 10º-12º ano (55%). Relativamente aos domínios da qualidade de vida observa-se que a pontuação média mais alta na escala WHOQOL-Bref pertence ao domínio das relações sociais (M=73,84; DP=16,37) e a pontuação mais baixa ao domínio do ambiente (M=70,13; DP=15,50). Em relação aos domínios da Escala ImAges, constata-se que foi no domínio da incompetência relacional e cognitiva que a pontuação foi mais alta (M=22,01; DP=6,36) e no domínio da dependência física e emocional e antiquado que a pontuação foi mais baixa (M=20,62; DP=5,07). Foram observadas diferenças estatisticamente significativas nas imagens da velhice em função dos grupos de idade, sendo que os jovens têm mais imagens negativas de “Dependência física e emocional e antiquado” (t(108)=-2,815; p=0,006) e os adultos mais velhos de “Incompetência relacional e cognitiva” (t(100)=2,945; p=,004). Observam-se ainda associações negativas e estatisticamente significativas no caso dos adultos mais velhos s entre a saúde mental e os fatores “Dependência física e emocional e antiquado” (r=-,354, p=,018.) e “Incompetência relacional e cognitiva” (r=-,457, p=,004). Conclusão: A promoção de um envelhecimento com qualidade de vida implica ações de combate ao idadismo nas suas várias dimensões: individual, familiar, social e institucional com o principal objetivo de desmitificar as imagens e estereótipos negativos presentes na sociedade associados à pessoa idosa.
Autores principais:Leitão, Sandy Gomes
Assunto:Envelhecimento Idadismo Qualidade de vida Gerontologia social Ageing Ageism Quality of life Social gerontology
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Viana do Castelo
Idioma:português
Origem:Repositório Científico IPVC
Descrição
Resumo:Contexto e objetivos: O envelhecimento em Portugal tem ocorrido de forma progressiva e gradual. Existem inúmeras maneiras de envelhecer, relacionadas não só com a variabilidade das características das pessoas, como também com o contexto sociocultural em que vivem. Assim, envelhecer diz respeito às modificações biológicas e psicológicas, mas também aos padrões sociais e à forma como as comunidades percecionam o processo de envelhecimento (Miguel, 2014). As imagens associadas a este processo incluem comportamentos, conceitos, crenças, emoções e estereótipos que tendem a evidenciar-se ao longo da vida, podendo assumir formas de discriminação, tais como o idadismo (Ribeiro, 2007). Este termo foi introduzido por Butler em 1969, caracterizando-se por ser um processo de estereótipos e discriminação sistemática com base na idade. As atitudes idadistas em relação às pessoas mais velhas podem assumir três componentes: (i) estereótipos, (ii) preconceito e (iii) discriminação (Marques, 2011) com reflexo no seu bem-estar e qualidade de vida. Deste modo, é objetivo geral do presente estudo analisar a relação entre as imagens e estereótipos sobre a velhice e a qualidade de vida de jovens adultos e adultos mais velhos. Os objetivos específicos são: caracterizar as imagens e estereótipos de jovens adultos e adultos mais velhos sobre a pessoa idosa e o processo de envelhecimento; avaliar a relação entre as imagens e estereótipos sobre a velhice e variáveis específicas e analisar se existem diferenças em relação à imagem e estereótipos sobre a velhice em função da geração de pertença. Método: Trata-se de um estudo quantitativo, transversal, de carácter não experimental, do tipo correlacional. A amostra foi composta por 122 participantes, dos quais 62 jovens (17-24 anos) e 60 adultos mais velhos (65 ou mais anos), sem comprometimento cognitivo, a residir na comunidade e a frequentar o IPVC ou uma Universidade Sénior do Norte de Portugal. O processo de amostragem foi não probabilístico por conveniência, sendo que para a recolha de dados foi utilizado um questionário sociodemográfico, o questionário específico sobre o idadismo, o questionário de avaliação da qualidade de vida - WHOQOL-Bref (Canavarro et al., 2010) e a Escala ImAges (Sousa et al., 2008). O protocolo foi auto-administrado, tendo a recolha de dados decorrido entre setembro e dezembro de 2023. A análise descritiva e inferencial dos dados foi realizada através do programa IBM SPSS, versão 27. Resultados: Os participantes têm idades compreendidas entre os 17 e os 83 anos (M=45,34; DP=26,1), são maioritariamente do sexo feminino, 69,4% (n=84), solteiros 53,5% (n=65) e com escolaridade ao nível do 10º-12º ano (55%). Relativamente aos domínios da qualidade de vida observa-se que a pontuação média mais alta na escala WHOQOL-Bref pertence ao domínio das relações sociais (M=73,84; DP=16,37) e a pontuação mais baixa ao domínio do ambiente (M=70,13; DP=15,50). Em relação aos domínios da Escala ImAges, constata-se que foi no domínio da incompetência relacional e cognitiva que a pontuação foi mais alta (M=22,01; DP=6,36) e no domínio da dependência física e emocional e antiquado que a pontuação foi mais baixa (M=20,62; DP=5,07). Foram observadas diferenças estatisticamente significativas nas imagens da velhice em função dos grupos de idade, sendo que os jovens têm mais imagens negativas de “Dependência física e emocional e antiquado” (t(108)=-2,815; p=0,006) e os adultos mais velhos de “Incompetência relacional e cognitiva” (t(100)=2,945; p=,004). Observam-se ainda associações negativas e estatisticamente significativas no caso dos adultos mais velhos s entre a saúde mental e os fatores “Dependência física e emocional e antiquado” (r=-,354, p=,018.) e “Incompetência relacional e cognitiva” (r=-,457, p=,004). Conclusão: A promoção de um envelhecimento com qualidade de vida implica ações de combate ao idadismo nas suas várias dimensões: individual, familiar, social e institucional com o principal objetivo de desmitificar as imagens e estereótipos negativos presentes na sociedade associados à pessoa idosa.