Publicação
A iconografia na História e Geografia de Portugal: o manual escolar pelo olhar do 5º ano de escolaridade
| Resumo: | O presente relatório de Prática de Ensino Supervisionada II surge como resultado final do Mestrado em Ensino no 1º e 2º Ciclos do Ensino Básico, tendo sido desenvolvido na área disciplinar de História e Geografia de Portugal. A História e Geografia de Portugal é uma disciplina em que a utilização da literatura visual nos manuais escolares assume um papel fundamental. A fim de favorecer um melhor relacionamento com os estudantes e proporcionar o sucesso dos alunos, esta investigação teve por base a auscultação inédita das representações iconográficas que as crianças têm sobre o manual de HGP, com o propósito de averiguar como morfologicamente a iconografia é por elas entendida. O manual serviu como principal ponto de referência, permitindo a conjugação de todo o trabalho: a análise dos resultados do estudo, assim como do quadro de opiniões iconográficas dos alunos relativas ao seu próprio manual e às produções que tiveram por base o tema a “Arte Manuelina”. Este estudo, de natureza qualitativa, foi orientado por uma metodologia de estudo investigação-ação, para o qual foi essencial que o fenómeno em análise fosse compreendido e interpretado no seu contexto natural. A investigação teve a participação de dezanove alunos do 5º ano, pertencentes a uma escola Básica Integrada, situada numa zona suburbana do concelho de Viana do Castelo. Para a análise das ideias icónicas dos alunos realizou-se um momento “Pequenos grandes artistas”, tendo como ponto de partida a exploração de elementos visuais sobre a temática a “Arte manuelina”. Esta atividade extra aula foi facultativa e contou com a participação de dezasseis alunos. Foram igualmente aplicados dois inquéritos, sob a forma de questionário, à turma referida e realizada uma análise integral da componente iconográfica do manual de HGP adotado pelo estabelecimento de ensino, onde decorreu a investigação, com base numa grelha de observação. Os resultados demonstram que o manual utiliza uma multiplicidade de imagens para apoiar o desenvolvimento de conteúdos e ilustrar conceitos, da qual se ressaltam as fotografias e os documentos históricos (pinturas). Para as crianças, a imagem é verdadeiramente preponderante, dada a importância atribuída nos questionários aplicados e no trabalho resultante do “Pequenos grandes artistas”. Com a sua perspetiva morfológica, constatou-se uma maior frequência ilustrativa do que no manual e a primazia de desenhos e pinturas. As ilustrações devem ser legendadas, coloridas, realistas e detalhadas. A utilização deste tipo de características foi do mesmo modo verificada no manual. Alunos e manual escolar enquadram-se dentro dos parâmetros defendidos por várias investigações, o que vem reforçar a qualidade pedagógica das imagens. A imagem transporta o indivíduo para dentro de determinado período histórico, torna-o participante na descodificação da mensagem que a mesma oculta e auxilia-o na perceção, visualização e recriação do passado histórico. O seu papel será tão ou mais ativo quanto maior for a intenção do professor de o tornar. A ilustração atrai a curiosidade e a atenção do aluno. Este encantamento leva à criação de raciocínios históricos interessantes baseados na sua “simples” observação que podem transformar figuras e passagens históricas em personagens e acontecimentos autênticos. O imaginário da criança é assim alimentado, favorecendo um melhor relacionamento da mesma com a História. Deste modo, uma mudança passa obrigatoriamente por uma maior valorização da componente ilustrativa por parte de autores e editoras nos manuais escolares, mas também dos professores nas suas práticas letivas: devem saber trabalhá-la e saber respeitar a sua presença no manual, sem esquecer de considerar nesse percurso os seus principais destinatários. Ao redirecionar-se o foco para o corpo discente, pode estar-se a ajudar a refletir sobre metodologias de ensino e de produção de manuais escolares, mas sobretudo a ajudar a que o aluno pense sobre a História e que desenvolva raciocínios que beneficiem a sua compreensão, recriando o passado, compreendendo-o e transportando-o para o presente, com o objetivo último de se concretizarem de modo mais eficaz os objetivos pedagógicos delineados. |
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| Autores principais: | Ferraz, Célia Filipa Pimenta |
| Assunto: | Manual escolar Iconografia Representações iconográficas História Textbook Iconography Iconographic representations History |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Instituto Politécnico de Viana do Castelo |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Científico IPVC |
| Resumo: | O presente relatório de Prática de Ensino Supervisionada II surge como resultado final do Mestrado em Ensino no 1º e 2º Ciclos do Ensino Básico, tendo sido desenvolvido na área disciplinar de História e Geografia de Portugal. A História e Geografia de Portugal é uma disciplina em que a utilização da literatura visual nos manuais escolares assume um papel fundamental. A fim de favorecer um melhor relacionamento com os estudantes e proporcionar o sucesso dos alunos, esta investigação teve por base a auscultação inédita das representações iconográficas que as crianças têm sobre o manual de HGP, com o propósito de averiguar como morfologicamente a iconografia é por elas entendida. O manual serviu como principal ponto de referência, permitindo a conjugação de todo o trabalho: a análise dos resultados do estudo, assim como do quadro de opiniões iconográficas dos alunos relativas ao seu próprio manual e às produções que tiveram por base o tema a “Arte Manuelina”. Este estudo, de natureza qualitativa, foi orientado por uma metodologia de estudo investigação-ação, para o qual foi essencial que o fenómeno em análise fosse compreendido e interpretado no seu contexto natural. A investigação teve a participação de dezanove alunos do 5º ano, pertencentes a uma escola Básica Integrada, situada numa zona suburbana do concelho de Viana do Castelo. Para a análise das ideias icónicas dos alunos realizou-se um momento “Pequenos grandes artistas”, tendo como ponto de partida a exploração de elementos visuais sobre a temática a “Arte manuelina”. Esta atividade extra aula foi facultativa e contou com a participação de dezasseis alunos. Foram igualmente aplicados dois inquéritos, sob a forma de questionário, à turma referida e realizada uma análise integral da componente iconográfica do manual de HGP adotado pelo estabelecimento de ensino, onde decorreu a investigação, com base numa grelha de observação. Os resultados demonstram que o manual utiliza uma multiplicidade de imagens para apoiar o desenvolvimento de conteúdos e ilustrar conceitos, da qual se ressaltam as fotografias e os documentos históricos (pinturas). Para as crianças, a imagem é verdadeiramente preponderante, dada a importância atribuída nos questionários aplicados e no trabalho resultante do “Pequenos grandes artistas”. Com a sua perspetiva morfológica, constatou-se uma maior frequência ilustrativa do que no manual e a primazia de desenhos e pinturas. As ilustrações devem ser legendadas, coloridas, realistas e detalhadas. A utilização deste tipo de características foi do mesmo modo verificada no manual. Alunos e manual escolar enquadram-se dentro dos parâmetros defendidos por várias investigações, o que vem reforçar a qualidade pedagógica das imagens. A imagem transporta o indivíduo para dentro de determinado período histórico, torna-o participante na descodificação da mensagem que a mesma oculta e auxilia-o na perceção, visualização e recriação do passado histórico. O seu papel será tão ou mais ativo quanto maior for a intenção do professor de o tornar. A ilustração atrai a curiosidade e a atenção do aluno. Este encantamento leva à criação de raciocínios históricos interessantes baseados na sua “simples” observação que podem transformar figuras e passagens históricas em personagens e acontecimentos autênticos. O imaginário da criança é assim alimentado, favorecendo um melhor relacionamento da mesma com a História. Deste modo, uma mudança passa obrigatoriamente por uma maior valorização da componente ilustrativa por parte de autores e editoras nos manuais escolares, mas também dos professores nas suas práticas letivas: devem saber trabalhá-la e saber respeitar a sua presença no manual, sem esquecer de considerar nesse percurso os seus principais destinatários. Ao redirecionar-se o foco para o corpo discente, pode estar-se a ajudar a refletir sobre metodologias de ensino e de produção de manuais escolares, mas sobretudo a ajudar a que o aluno pense sobre a História e que desenvolva raciocínios que beneficiem a sua compreensão, recriando o passado, compreendendo-o e transportando-o para o presente, com o objetivo último de se concretizarem de modo mais eficaz os objetivos pedagógicos delineados. |
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