Publicação

A família do idoso dependente: análise das necessidades/dificuldades no cuidar no domicílio

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Em Portugal, a família continua a ser a principal fonte de apoio ao idoso dependente. Deste modo, perspetivando a família como um sistema em que existe uma correlação entre os seus membros, quando a doença atinge um deles, esta confronta-se com a necessidade de definir e redefinir as relações familiares. Neste sentido, é importante que se compreenda e avalie as necessidades e dificuldades sentidas pelo familiar cuidador, uma vez que estas são interpretadas como fatores que limitam a qualidade do cuidado prestado. Partindo deste pressuposto surgiu a questão de investigação: “Quais as necessidades/dificuldades dos familiares cuidadores no cuidar do idoso dependente no domicílio?” com o objetivo de perceber as necessidades/dificuldades dos familiares cuidadores no cuidar do idoso dependente no domicílio, tendo como finalidade contribuir para a melhoria dos cuidados ao idoso dependente no domicílio, minimizando o sofrimento da família que cuida, de forma a potencializar o seu bem-estar. Trata-se de um estudo de natureza qualitativa, um estudo de caso. Recorreu-se à entrevista semi-estruturada para a recolha de dados, realizada a onze familiares cuidadores de pessoas idosas dependentes inscritas numa Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados do Alto Minho. Os dados foram analisados através de análise de conteúdo segundo Bardin (2011). Resultados: Os familiares cuidadores do idoso dependente no domicílio evidenciam que são de diversa ordem as necessidades com que se deparam no seu quotidiano, tais como: possuir formação, mais ajudas técnicas, maior disponibilidade de tempo para si, maior disponibilidade económica e sobretudo, maior apoio e acompanhamento. Consideram que as dificuldades se focalizam sobretudo a nível do autocuidado e no enfrentar o sofrimento do seu ente querido. Revelam que cuidar do idoso dependente acarreta repercussões a nível do desgaste físico e psicológico, sentindo-se aprisionados e com isolamento social. A maioria perceciona que os apoios/acompanhamento são insuficientes e centram-se dentro da própria família e em alguns casos a nível da vizinhança. Adotam várias estratégias no cuidar, que passam por estabelecer comunicação, aceitar a doença, preservar a autonomia e adaptar o espaço arquitetónico da habitação. Também apresentam expectativas relativamente às intervenções dos enfermeiros, centrando-as a nível do apoio/ajuda e essencialmente a nível de adquirir formação para o desenvolvimento de habilidades e competências para cuidar do idoso dependente. Ficou evidente que no processo de cuidar, os familiares cuidadores manifestam sentimentos e emoções como o desânimo, tristeza, medo, revolta, impotência e preocupação, aceitação e também felicidade. Vários aspetos da sua vida ficaram alterados após a responsabilidade de cuidar, tais como a perda laboral e a ausência de atividades de lazer. No entanto, para alguns familiares cuidadores não existiram alterações nos seus aspetos de vida. Como forma das famílias preservarem o seu bem-estar, sugerem mais apoio e união familiar, aceitação da situação de dependência do familiar, cuidar com maior dedicação e afeto, mais ajudas técnicas, mais assistência médica e visitas domiciliárias da equipa de enfermagem mais frequentes. Conclusão: Ficou demonstrado pelo estudo que os familiares cuidadores defendem a presença em casa do idoso dependente, só assim conseguem preservar a sua dignidade e lhe proporcionar qualidade de vida.
Autores principais:Martins, Orlanda Sofia Parente
Assunto:Família cuidadora Idoso dependente Necessidades Dificuldades Cuidar Caring family Dependent elderly Needs Difficulties Caring
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Viana do Castelo
Idioma:português
Origem:Repositório Científico IPVC
Descrição
Resumo:Em Portugal, a família continua a ser a principal fonte de apoio ao idoso dependente. Deste modo, perspetivando a família como um sistema em que existe uma correlação entre os seus membros, quando a doença atinge um deles, esta confronta-se com a necessidade de definir e redefinir as relações familiares. Neste sentido, é importante que se compreenda e avalie as necessidades e dificuldades sentidas pelo familiar cuidador, uma vez que estas são interpretadas como fatores que limitam a qualidade do cuidado prestado. Partindo deste pressuposto surgiu a questão de investigação: “Quais as necessidades/dificuldades dos familiares cuidadores no cuidar do idoso dependente no domicílio?” com o objetivo de perceber as necessidades/dificuldades dos familiares cuidadores no cuidar do idoso dependente no domicílio, tendo como finalidade contribuir para a melhoria dos cuidados ao idoso dependente no domicílio, minimizando o sofrimento da família que cuida, de forma a potencializar o seu bem-estar. Trata-se de um estudo de natureza qualitativa, um estudo de caso. Recorreu-se à entrevista semi-estruturada para a recolha de dados, realizada a onze familiares cuidadores de pessoas idosas dependentes inscritas numa Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados do Alto Minho. Os dados foram analisados através de análise de conteúdo segundo Bardin (2011). Resultados: Os familiares cuidadores do idoso dependente no domicílio evidenciam que são de diversa ordem as necessidades com que se deparam no seu quotidiano, tais como: possuir formação, mais ajudas técnicas, maior disponibilidade de tempo para si, maior disponibilidade económica e sobretudo, maior apoio e acompanhamento. Consideram que as dificuldades se focalizam sobretudo a nível do autocuidado e no enfrentar o sofrimento do seu ente querido. Revelam que cuidar do idoso dependente acarreta repercussões a nível do desgaste físico e psicológico, sentindo-se aprisionados e com isolamento social. A maioria perceciona que os apoios/acompanhamento são insuficientes e centram-se dentro da própria família e em alguns casos a nível da vizinhança. Adotam várias estratégias no cuidar, que passam por estabelecer comunicação, aceitar a doença, preservar a autonomia e adaptar o espaço arquitetónico da habitação. Também apresentam expectativas relativamente às intervenções dos enfermeiros, centrando-as a nível do apoio/ajuda e essencialmente a nível de adquirir formação para o desenvolvimento de habilidades e competências para cuidar do idoso dependente. Ficou evidente que no processo de cuidar, os familiares cuidadores manifestam sentimentos e emoções como o desânimo, tristeza, medo, revolta, impotência e preocupação, aceitação e também felicidade. Vários aspetos da sua vida ficaram alterados após a responsabilidade de cuidar, tais como a perda laboral e a ausência de atividades de lazer. No entanto, para alguns familiares cuidadores não existiram alterações nos seus aspetos de vida. Como forma das famílias preservarem o seu bem-estar, sugerem mais apoio e união familiar, aceitação da situação de dependência do familiar, cuidar com maior dedicação e afeto, mais ajudas técnicas, mais assistência médica e visitas domiciliárias da equipa de enfermagem mais frequentes. Conclusão: Ficou demonstrado pelo estudo que os familiares cuidadores defendem a presença em casa do idoso dependente, só assim conseguem preservar a sua dignidade e lhe proporcionar qualidade de vida.