Publicação
Consciencialização e práricas associadas às zoonoses entre pecuaristas da Ilha de Santiago, em Cabo Verde
| Resumo: | A pecuária é uma das principais formas de subsistência dos criadores de gado em Cabo Verde. Todavia, as doenças infeciosas são uma restrição chave na produção de gado, afetando não só a produtividade, mas também a segurança alimentar e a saúde pública. Este estudo teve como objetivo compreender a perceção e as atitudes dos produtores tradicionais de gado, da Ilha de Santiago, sobre a importância das zoonoses, de forma a ajudar no desenvolvimento de políticas e na melhoria dos programas educacionais. Para este efeito foi construído, testado e administrado um inquérito por questionário, através do qual se recolheram 196 respostas de produtores de gado. Desses, apenas 8,7% conhecem o termo “zoonoses”, porém 85,7% sabem que existem doenças que são transmitidas de animais para humanos, 75,0% conheciam pelo menos uma doença zoonótica e desses, 92,1% um modo de transmissão. Dos inquiridos, 95,6% bebem leite sem tratamento térmico, 25,0% consomem carne crua ou mal cozinhada, 17,4% consomem animais doentes que acabaram por morrer e 10,2% vendem esses animais. Do total de inquiridos, 73,0% assistem os animais durante o parto, 76,9% deles sem luvas, 41,8% abandonam os produtos do parto a céu aberto e 4,1% oferecem-nos aos cães como alimento. Ainda, 56,6% lidam com o rebanho quando têm cortes ou feridas e 14,8% não separam os animais doentes dos saudáveis. Os inquiridos estão conscientes dos métodos de prevenção destas doenças (95,4%), no entanto, 76,0% nunca usam luvas, 67,3% nunca usam máscara e 31,1% nunca usam botas próprias quando contatam com os seus animais. Além disso, 10,2% estiveram infetados com uma zoonose e 7,7% conhecem pelo menos um caso de infeção na família. Apesar do conhecimento das zoonoses, poucos inquiridos percebem o risco de transmissão de doenças entre gado e humanos e que muitas das suas práticas quotidianas levam à sua exposição. O estudo contribui para uma melhor compreensão sobre as doenças zoonóticas dentro da temática “Uma Só Saúde". Outros estudos serão necessários, assim como alargar o estudo a todas as ilhas do arquipélago, para que se procure orientar intervenções de educação para a saúde locais eficazes e relevantes. |
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| Autores principais: | Oliveira, Filipa Alexandra Oliveira Pinto da Silva |
| Assunto: | Cabo Verde Consciencialização Criadores de gado Uma Só Saúde Zoonoses Awareness Cape Verde Livestock farmers One Health Zoonosis |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso embargado |
| Instituição associada: | Instituto Politécnico de Viana do Castelo |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Científico IPVC |
| Resumo: | A pecuária é uma das principais formas de subsistência dos criadores de gado em Cabo Verde. Todavia, as doenças infeciosas são uma restrição chave na produção de gado, afetando não só a produtividade, mas também a segurança alimentar e a saúde pública. Este estudo teve como objetivo compreender a perceção e as atitudes dos produtores tradicionais de gado, da Ilha de Santiago, sobre a importância das zoonoses, de forma a ajudar no desenvolvimento de políticas e na melhoria dos programas educacionais. Para este efeito foi construído, testado e administrado um inquérito por questionário, através do qual se recolheram 196 respostas de produtores de gado. Desses, apenas 8,7% conhecem o termo “zoonoses”, porém 85,7% sabem que existem doenças que são transmitidas de animais para humanos, 75,0% conheciam pelo menos uma doença zoonótica e desses, 92,1% um modo de transmissão. Dos inquiridos, 95,6% bebem leite sem tratamento térmico, 25,0% consomem carne crua ou mal cozinhada, 17,4% consomem animais doentes que acabaram por morrer e 10,2% vendem esses animais. Do total de inquiridos, 73,0% assistem os animais durante o parto, 76,9% deles sem luvas, 41,8% abandonam os produtos do parto a céu aberto e 4,1% oferecem-nos aos cães como alimento. Ainda, 56,6% lidam com o rebanho quando têm cortes ou feridas e 14,8% não separam os animais doentes dos saudáveis. Os inquiridos estão conscientes dos métodos de prevenção destas doenças (95,4%), no entanto, 76,0% nunca usam luvas, 67,3% nunca usam máscara e 31,1% nunca usam botas próprias quando contatam com os seus animais. Além disso, 10,2% estiveram infetados com uma zoonose e 7,7% conhecem pelo menos um caso de infeção na família. Apesar do conhecimento das zoonoses, poucos inquiridos percebem o risco de transmissão de doenças entre gado e humanos e que muitas das suas práticas quotidianas levam à sua exposição. O estudo contribui para uma melhor compreensão sobre as doenças zoonóticas dentro da temática “Uma Só Saúde". Outros estudos serão necessários, assim como alargar o estudo a todas as ilhas do arquipélago, para que se procure orientar intervenções de educação para a saúde locais eficazes e relevantes. |
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