Publicação

Subnotificação de acidentes de trabalho de enfermeiros do serviço de urgência

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Os profissionais de enfermagem são o grupo na saúde com mais representatividade nas instituições de saúde e assumem pelas caraterísticas próprias da profissão que desempenham, um grupo de risco para os acidentes de trabalho devido ao seu conteúdo funcional. Os Serviços de Urgência expõem este grupo de profissionais, diariamente, a riscos de ordem biológica, química, física, mecânica e psicossocial, contribuindo para a ocorrência de acidentes de trabalho e doenças profissionais. O presente trabalho é um estudo descritivo de cariz epidemiológico, transversal, que pretende descrever as caraterísticas sociodemográficas e socioprofissionais dos enfermeiros, analisar a prevalência dos acidentes de trabalho e sua notificação e encontrar alguma relação entre as variáveis em torno da não notificação dos acidentes de trabalho. Pretende, também, identificar as causas, consequências dos acidentes não notificados, bem como, os motivos que levaram o enfermeiro a não notificar os mesmos. A população alvo é formada pelo universo dos enfermeiros dos três Serviços de Urgência de uma Unidade Local de Saúde do Norte do País que aceitaram responder ao questionário, construído para o efeito. A construção do mesmo teve como objetivo descrever e analisar os aspetos associados à não notificação, dos acidentes de trabalho sofridos no último ano de exercício profissional. Os dados sugerem que, 30,9% dos enfermeiros referem terem tido pelo menos um acidente de trabalho. Destaca-se a ocorrência de acidentes entre os enfermeiros com mais habilitações académicas. No total, foram relatados 57 acidentes, sendo que, 80,7% dos mesmos ficaram por notificar, verificando-se uma diferença estatística significativa entre a notificação de acidentes e a jornada média por turno. As causas mais referidas para a ocorrência do acidente não notificado foram a sobrecarga de trabalho, a agitação psicomotora do doente, o excesso de número de doentes/enfermeiro, o número elevado de doentes e a realização de várias tarefas em simultâneo. O fator de risco mais mencionado como causa dos acidentes não notificados foram os de origem mecânica e as consequências mais referidas estão relacionadas com o mesmo. Os motivos que reuniram mais concordância para a não notificação dos acidentes de trabalho foram a burocracia excessiva na participação do acidente e que do mesmo não adviria qualquer consequência.Espera-se, com este trabalho, que seja mais um contributo para a segurança deste grupo profissional no exercício das suas funções nos Serviços de Urgência, com uma consequente melhoria nos cuidados prestados ao doente/família
Autores principais:Arieiro, Vítor Manuel Quesado
Assunto:Enfermagem Urgência Acidentes de trabalho Notificação de acidentes de trabalho Nursing Emergency medicine Occupational accidents Occupational accidents registry
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Viana do Castelo
Idioma:português
Origem:Repositório Científico IPVC
Descrição
Resumo:Os profissionais de enfermagem são o grupo na saúde com mais representatividade nas instituições de saúde e assumem pelas caraterísticas próprias da profissão que desempenham, um grupo de risco para os acidentes de trabalho devido ao seu conteúdo funcional. Os Serviços de Urgência expõem este grupo de profissionais, diariamente, a riscos de ordem biológica, química, física, mecânica e psicossocial, contribuindo para a ocorrência de acidentes de trabalho e doenças profissionais. O presente trabalho é um estudo descritivo de cariz epidemiológico, transversal, que pretende descrever as caraterísticas sociodemográficas e socioprofissionais dos enfermeiros, analisar a prevalência dos acidentes de trabalho e sua notificação e encontrar alguma relação entre as variáveis em torno da não notificação dos acidentes de trabalho. Pretende, também, identificar as causas, consequências dos acidentes não notificados, bem como, os motivos que levaram o enfermeiro a não notificar os mesmos. A população alvo é formada pelo universo dos enfermeiros dos três Serviços de Urgência de uma Unidade Local de Saúde do Norte do País que aceitaram responder ao questionário, construído para o efeito. A construção do mesmo teve como objetivo descrever e analisar os aspetos associados à não notificação, dos acidentes de trabalho sofridos no último ano de exercício profissional. Os dados sugerem que, 30,9% dos enfermeiros referem terem tido pelo menos um acidente de trabalho. Destaca-se a ocorrência de acidentes entre os enfermeiros com mais habilitações académicas. No total, foram relatados 57 acidentes, sendo que, 80,7% dos mesmos ficaram por notificar, verificando-se uma diferença estatística significativa entre a notificação de acidentes e a jornada média por turno. As causas mais referidas para a ocorrência do acidente não notificado foram a sobrecarga de trabalho, a agitação psicomotora do doente, o excesso de número de doentes/enfermeiro, o número elevado de doentes e a realização de várias tarefas em simultâneo. O fator de risco mais mencionado como causa dos acidentes não notificados foram os de origem mecânica e as consequências mais referidas estão relacionadas com o mesmo. Os motivos que reuniram mais concordância para a não notificação dos acidentes de trabalho foram a burocracia excessiva na participação do acidente e que do mesmo não adviria qualquer consequência.Espera-se, com este trabalho, que seja mais um contributo para a segurança deste grupo profissional no exercício das suas funções nos Serviços de Urgência, com uma consequente melhoria nos cuidados prestados ao doente/família