Publicação
As intervenções especializadas do enfermeiro em Cuidados Paliativos
| Resumo: | A ciência torna-se insensível quando a pessoa fica reduzida a um mero objeto despersonalizado. Lidar com os doentes enquanto sujeitos, procurando a sua participação e defendendo a sua autonomia no projeto terapêutico, constitui a chave do sucesso a todos os níveis e adquire particular importância quando estamos a lidar com doentes com doença incurável. Talvez o “remédio” mais eficaz para lidar com o sofrimento do doente incurável e sua família seja a qualidade do relacionamento mantido entre o doente e seus cuidadores, e entre o doente e sua família. A qualidade curativa da terapêutica pode facilmente ser enfraquecida ou ameaçada quando reações emocionais (negação, raiva, culpa e medo) sentidas pelos doentes, famílias ou cuidadores não são adequadamente monitorizadas e avaliadas. É claro que está no coração da relação terapêutica entre doente e cuidadores o cuidado das necessidades de relação, bem como, de uma comunicação honesta e verdadeira. Nesta perspetiva, para lidar de forma eficaz com a pessoa em fim de vida e família é essencial perceber a complexidade dos sujeitos (incluindo os profissionais), a multicausalidade dos problemas de saúde e os “ingredientes” do sofrimento humano. Nesta linha de pensamento, tendo em conta a nossa experiência e o regulamento de competências específicas emanadas pela Ordem dos Enfermeiros, consideramos que é urgente mudar a forma de estar relativamente ao cuidar do doente com patologia incurável, quer esteja ou não em fim de vida, assim como cuidar dos profissionais da saúde enquanto pessoas que sofrem ao lidar com o sofrimento do seu semelhante. Assim, com o objetivo de desenvolver competências especializadas e habilidades na área dos Cuidados Paliativos a nossa opção recaiu pela realização de um Estágio de Natureza Profissional na Equipa de Suporte de Cuidados Paliativos da Unidade Local de Saúde de Matosinhos, de forma a contribuir para um cuidar de forma sustentada e integral. A nossa prestação de cuidados de enfermagem especializada assentou nas componentes fundamentais dos cuidados paliativos, nomeadamente: controlo de sintomas; comunicação; trabalho em equipa, apoio à família e acompanhamento no processo de luto. Procuramos adotar metodologias interativas, dinâmicas, considerando a unidade de cuidados, e respeitando os princípios éticos, deontológicos e legais. Verificamos, através da nossa prática clínica no Estágio de Natureza Profissional, que prestar Cuidados Paliativos exige uma abordagem onde se disponibilizem técnicas ativas de cuidados, mas com competências de comunicação especiais: baixa tecnologia e elevado afeto.Ajudar uma pessoa a morrer bem, é apoiar o sentido de amor próprio, dignidade, espiritualidade e escolha dessa pessoa até ao último momento de vida. Para o conseguir, prestamos cuidados sensíveis e individualizados, de forma que a experiência da pessoa em final de vida fosse livre de dor, sentindo-se reconfortada. É obrigatório manter a nossa espiritualidade viva e dar sentido à nossa vida e à VIDA. Parece podermos afirmar que com a realização deste estágio de natureza profissional adquirimos competências técnicas, científicas, relacionais e humanas, bem como, um pensamento mais crítico para a prestação de cuidados paliativos. |
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| Autores principais: | Oliveira, Sílvia Juliana da Silva |
| Assunto: | Cuidados paliativos Desenvolvimento de competências Enfermeiros Controlo sintomático Comunicação Apoio à família Trabalho de equipa Palliative care Development of competitions Nurses Symptomatic control Communication Support to the family Team work |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Instituto Politécnico de Viana do Castelo |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Científico IPVC |
| Resumo: | A ciência torna-se insensível quando a pessoa fica reduzida a um mero objeto despersonalizado. Lidar com os doentes enquanto sujeitos, procurando a sua participação e defendendo a sua autonomia no projeto terapêutico, constitui a chave do sucesso a todos os níveis e adquire particular importância quando estamos a lidar com doentes com doença incurável. Talvez o “remédio” mais eficaz para lidar com o sofrimento do doente incurável e sua família seja a qualidade do relacionamento mantido entre o doente e seus cuidadores, e entre o doente e sua família. A qualidade curativa da terapêutica pode facilmente ser enfraquecida ou ameaçada quando reações emocionais (negação, raiva, culpa e medo) sentidas pelos doentes, famílias ou cuidadores não são adequadamente monitorizadas e avaliadas. É claro que está no coração da relação terapêutica entre doente e cuidadores o cuidado das necessidades de relação, bem como, de uma comunicação honesta e verdadeira. Nesta perspetiva, para lidar de forma eficaz com a pessoa em fim de vida e família é essencial perceber a complexidade dos sujeitos (incluindo os profissionais), a multicausalidade dos problemas de saúde e os “ingredientes” do sofrimento humano. Nesta linha de pensamento, tendo em conta a nossa experiência e o regulamento de competências específicas emanadas pela Ordem dos Enfermeiros, consideramos que é urgente mudar a forma de estar relativamente ao cuidar do doente com patologia incurável, quer esteja ou não em fim de vida, assim como cuidar dos profissionais da saúde enquanto pessoas que sofrem ao lidar com o sofrimento do seu semelhante. Assim, com o objetivo de desenvolver competências especializadas e habilidades na área dos Cuidados Paliativos a nossa opção recaiu pela realização de um Estágio de Natureza Profissional na Equipa de Suporte de Cuidados Paliativos da Unidade Local de Saúde de Matosinhos, de forma a contribuir para um cuidar de forma sustentada e integral. A nossa prestação de cuidados de enfermagem especializada assentou nas componentes fundamentais dos cuidados paliativos, nomeadamente: controlo de sintomas; comunicação; trabalho em equipa, apoio à família e acompanhamento no processo de luto. Procuramos adotar metodologias interativas, dinâmicas, considerando a unidade de cuidados, e respeitando os princípios éticos, deontológicos e legais. Verificamos, através da nossa prática clínica no Estágio de Natureza Profissional, que prestar Cuidados Paliativos exige uma abordagem onde se disponibilizem técnicas ativas de cuidados, mas com competências de comunicação especiais: baixa tecnologia e elevado afeto.Ajudar uma pessoa a morrer bem, é apoiar o sentido de amor próprio, dignidade, espiritualidade e escolha dessa pessoa até ao último momento de vida. Para o conseguir, prestamos cuidados sensíveis e individualizados, de forma que a experiência da pessoa em final de vida fosse livre de dor, sentindo-se reconfortada. É obrigatório manter a nossa espiritualidade viva e dar sentido à nossa vida e à VIDA. Parece podermos afirmar que com a realização deste estágio de natureza profissional adquirimos competências técnicas, científicas, relacionais e humanas, bem como, um pensamento mais crítico para a prestação de cuidados paliativos. |
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