Publicação
A liderança na política comum de segurança e defesa da União Europeia: evolução e perspetivas no horizonte do Brexit
| Resumo: | Com a queda do Muro de Berlim e consequente fim da Guerra Fria, o quadro securitário europeu alterou-se profundamente. A reunificação da Alemanha colocou a roda comunitária em andamento a uma grande velocidade durante a década de 90 e a Declaração franco-britânica de Saint-Malo, em 1998, oficializou o compromisso e liderança entre as duas maiores potências europeias para a criação de bases sólidas para o desenvolvimento do vetor securitário comunitário. Volvidos quase vinte anos, o Reino Unido, através de referendo popular, optou pela saída da União Europeia deixando um vácuo de liderança, em especial, na Política Comum de Segurança e Defesa. Esse vazio, além de colocar desafios financeiros e militares de grande escala, representa, ao mesmo tempo, a oportunidade para outros Estados assumirem o lugar deixado pelos britânicos. Assim sendo, esta dissertação tem como propósito analisar a evolução da liderança no âmbito da Política Comum de Segurança e Defesa da União Europeia, desde a iniciativa anglo-francesa que resultou na Declaração de Saint-Malo de 4 de dezembro de 1998 até março de 2019. Recorrendo ao método de process-tracing e com base no quadro-teórico de Oran R. Young sobre diferentes tipos de liderança, constatamos que a liderança no quadro da Política Comum de Segurança e Defesa assentou, essencialmente, no contributo entre Paris e Londres, embora fragmentado por diversas vezes fruto de crises intraeuropeias. Contudo, após a crise financeira de 2008, a Alemanha tem vindo, gradualmente, a assumir um papel de maior influência no quadro securitário europeu, em especial após o resultado do referendo britânico, fortalecendo o eixo Berlim-Paris em matéria de segurança e defesa. Tendo em conta que a componente de segurança europeia é um produto inacabado e em constante evolução, é possível traçar três cenários. O eixo Berlim-Paris prevalecerá com a principal força motriz do vetor de segurança europeu, a possibilidade de outro Estado se juntar aos franceses e alemães como terceiro líder ou a possibilidade de o Reino Unido continuar a exercer influência através de um acordo de segurança extracomunitário. |
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| Autores principais: | Zidane, Samir Costa |
| Assunto: | Alemanha Brexit França Política comum de segurança e defesa Reino Unido União Europeia Common security and defence policy European Union France Germany United Kingdom |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Com a queda do Muro de Berlim e consequente fim da Guerra Fria, o quadro securitário europeu alterou-se profundamente. A reunificação da Alemanha colocou a roda comunitária em andamento a uma grande velocidade durante a década de 90 e a Declaração franco-britânica de Saint-Malo, em 1998, oficializou o compromisso e liderança entre as duas maiores potências europeias para a criação de bases sólidas para o desenvolvimento do vetor securitário comunitário. Volvidos quase vinte anos, o Reino Unido, através de referendo popular, optou pela saída da União Europeia deixando um vácuo de liderança, em especial, na Política Comum de Segurança e Defesa. Esse vazio, além de colocar desafios financeiros e militares de grande escala, representa, ao mesmo tempo, a oportunidade para outros Estados assumirem o lugar deixado pelos britânicos. Assim sendo, esta dissertação tem como propósito analisar a evolução da liderança no âmbito da Política Comum de Segurança e Defesa da União Europeia, desde a iniciativa anglo-francesa que resultou na Declaração de Saint-Malo de 4 de dezembro de 1998 até março de 2019. Recorrendo ao método de process-tracing e com base no quadro-teórico de Oran R. Young sobre diferentes tipos de liderança, constatamos que a liderança no quadro da Política Comum de Segurança e Defesa assentou, essencialmente, no contributo entre Paris e Londres, embora fragmentado por diversas vezes fruto de crises intraeuropeias. Contudo, após a crise financeira de 2008, a Alemanha tem vindo, gradualmente, a assumir um papel de maior influência no quadro securitário europeu, em especial após o resultado do referendo britânico, fortalecendo o eixo Berlim-Paris em matéria de segurança e defesa. Tendo em conta que a componente de segurança europeia é um produto inacabado e em constante evolução, é possível traçar três cenários. O eixo Berlim-Paris prevalecerá com a principal força motriz do vetor de segurança europeu, a possibilidade de outro Estado se juntar aos franceses e alemães como terceiro líder ou a possibilidade de o Reino Unido continuar a exercer influência através de um acordo de segurança extracomunitário. |
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