Publicação
Ansiedade em crianças em idade pré-escolar no pós-pandemia: o olhar dos profissionais da Educação de Infância
| Resumo: | Este trabalho pretendeu averiguar as perceções dos profissionais da Educação de Infância relativamente ao potencial impacto da Pandemia Covid-19 no bem-estar emocional das crianças em idade Pré-Escolar, designadamente se esta contribuiu para o emergir ou agravar de quadros de ansiedade entre este grupo etário. Considerando estes profissionais como informantes-chave destes processos, procurou-se auscultar o seu olhar sobre eventuais diferenças percecionadas nos níveis de ansiedade e bem-estar geral das crianças com idades compreendidas entre os 3 e os 6 anos antes da Pandemia e o mesmo grupo etário no pós-pandemia. O estudo realizou-se a partir de grupos focais junto de nove educadoras de infância e cinco assistentes operacionais a trabalhar em contextos de educação Pré-Escolar – da esfera pública -, inseridos em meio urbano, rural e semi rural do norte de Portugal. Os resultados do estudo revelaram que as crianças desta faixa etária manifestam ansiedade no seu dia a dia em contexto de educação Pré-Escolar, a qual é atribuída a vários fatores que não apenas circunscritos ao período da Pandemia. Segundo estas profissionais, é especialmente na ansiedade dos pais, no seu acelerado ritmo de vida, na sua parca disponibilidade (física e emocional) para a criança, e/ou na pouca paciência para lidar com as suas demandas (de afeto, de atenção, de tempo para brincar) que reside a origem de grande parte das manifestações cognitivas, emocionais e comportamentais observadas entre estas crianças e que denotam a presença de ansiedade nas suas vidas. Ou seja; parece que algum do mal-estar e os atrasos desenvolvimentais observados por este grupo de profissionais entre as crianças com que lidam diariamente no seu contexto laboral (nascidas um pouco antes, durante ou pouco depois da Pandemia) são um efeito “colateral” do próprio mal-estar e “indisponibilidade” dos pais, dando lugar a processos proximais mais pobres (em termos de estimulação, afeto, atenção), mais tensos e/ou menos atentos aos seus “ritmos” e características desenvolvimentais. Nas considerações finais do presente trabalho deixam-se ficar algumas sugestões de intervenção bem como de investigação no sentido de uma compreensão mais ampla e profunda dos fenómenos em estudo. |
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| Autores principais: | Rodrigues, Sara Daniela Carvalho |
| Assunto: | Ansiedade Criança Pandemia Perceções dos profissionais Educação de Infância Anxiety Child Pandemic Perceptions of Early Childhood Education professionals |
| Ano: | 2025 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Este trabalho pretendeu averiguar as perceções dos profissionais da Educação de Infância relativamente ao potencial impacto da Pandemia Covid-19 no bem-estar emocional das crianças em idade Pré-Escolar, designadamente se esta contribuiu para o emergir ou agravar de quadros de ansiedade entre este grupo etário. Considerando estes profissionais como informantes-chave destes processos, procurou-se auscultar o seu olhar sobre eventuais diferenças percecionadas nos níveis de ansiedade e bem-estar geral das crianças com idades compreendidas entre os 3 e os 6 anos antes da Pandemia e o mesmo grupo etário no pós-pandemia. O estudo realizou-se a partir de grupos focais junto de nove educadoras de infância e cinco assistentes operacionais a trabalhar em contextos de educação Pré-Escolar – da esfera pública -, inseridos em meio urbano, rural e semi rural do norte de Portugal. Os resultados do estudo revelaram que as crianças desta faixa etária manifestam ansiedade no seu dia a dia em contexto de educação Pré-Escolar, a qual é atribuída a vários fatores que não apenas circunscritos ao período da Pandemia. Segundo estas profissionais, é especialmente na ansiedade dos pais, no seu acelerado ritmo de vida, na sua parca disponibilidade (física e emocional) para a criança, e/ou na pouca paciência para lidar com as suas demandas (de afeto, de atenção, de tempo para brincar) que reside a origem de grande parte das manifestações cognitivas, emocionais e comportamentais observadas entre estas crianças e que denotam a presença de ansiedade nas suas vidas. Ou seja; parece que algum do mal-estar e os atrasos desenvolvimentais observados por este grupo de profissionais entre as crianças com que lidam diariamente no seu contexto laboral (nascidas um pouco antes, durante ou pouco depois da Pandemia) são um efeito “colateral” do próprio mal-estar e “indisponibilidade” dos pais, dando lugar a processos proximais mais pobres (em termos de estimulação, afeto, atenção), mais tensos e/ou menos atentos aos seus “ritmos” e características desenvolvimentais. Nas considerações finais do presente trabalho deixam-se ficar algumas sugestões de intervenção bem como de investigação no sentido de uma compreensão mais ampla e profunda dos fenómenos em estudo. |
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