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Política curricular na formação de professores do Ensino Básico na Guiné-Bissau: Desafios e perspectivas de (re)construção

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A formação de professores é reconhecida como elemento essencial para a melhoria da qualidade do ensino. Na Guiné-Bissau, contudo, observa-se uma lacuna significativa de estudos voltadas às políticas curriculares da formação docente. Esse cenário - marcado por constantes mudanças curriculares a nível global, carência de investigações e fragilidades estruturais -, reforça a necessidade de um olhar mais aprofundado sobre o tema. Este trabalho analisa a política curricular de formação de professores dos 1.º e 2.º ciclos do ensino básico na Guiné-Bissau, com ênfase nos principais desafios e nas possibilidades de reconstrução do sistema educativo nacional. Adotou-se uma abordagem qualitativa, de natureza interpretativa, baseada na revisão de literatura e na análise documental. A análise de conteúdo de documentos oficiais, estudos e relatórios permitiu identificar entraves e potencialidades da formação docente na Guiné-Bissau. Os resultados evidenciam a ausência de uma política curricular contextualizada, uma diminuta formação científica e pedagógica dos professores, greves constantes e prolongadas, o absentismo dos professores, a desarticulação entre teoria e prática pedagógica, a escassez de recursos materiais e humanos, e a desvalorização social da profissão docente. Essas condições contribuem para a evasão de profissionais qualificados e a baixa qualidade do ensino. Aponta-se ainda a inadequação de métodos de ensino, fragilidade nos estágios supervisionados e descontinuidade na formação contínua. A discussão destaca a urgência de uma reconstrução curricular pautada na contextualização, participação dos actores educativos e valorização da prática pedagógica. Defende-se o fortalecimento das estruturas institucionais de formação, através de uma abordagem intersectorial e articulada, com vista à construção de um ensino básico de qualidade, equitativo e inclusivo. Conclui-se que uma política curricular sustentável na Guiné-Bissau deve ser crítica, endógena e exógena, promovendo o desenvolvimento do sistema educativo e a valorização da docência. Recomenda-se, para trabalhos futuros, o aprofundamento de estudos empíricos com a participação direta de formadores, gestores e professores em formação.
Autores principais:Morgado, N'Cak
Outros Autores:Sousa, Joana Raquel Faria; Pacheco, José Augusto
Assunto:Formação de Professores Política Curricular Ensino Básico Guiné-Bissau Qualidade do Ensino Teacher Training Curricular Policy Basic Education Quality of Education
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:comunicação em conferência
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A formação de professores é reconhecida como elemento essencial para a melhoria da qualidade do ensino. Na Guiné-Bissau, contudo, observa-se uma lacuna significativa de estudos voltadas às políticas curriculares da formação docente. Esse cenário - marcado por constantes mudanças curriculares a nível global, carência de investigações e fragilidades estruturais -, reforça a necessidade de um olhar mais aprofundado sobre o tema. Este trabalho analisa a política curricular de formação de professores dos 1.º e 2.º ciclos do ensino básico na Guiné-Bissau, com ênfase nos principais desafios e nas possibilidades de reconstrução do sistema educativo nacional. Adotou-se uma abordagem qualitativa, de natureza interpretativa, baseada na revisão de literatura e na análise documental. A análise de conteúdo de documentos oficiais, estudos e relatórios permitiu identificar entraves e potencialidades da formação docente na Guiné-Bissau. Os resultados evidenciam a ausência de uma política curricular contextualizada, uma diminuta formação científica e pedagógica dos professores, greves constantes e prolongadas, o absentismo dos professores, a desarticulação entre teoria e prática pedagógica, a escassez de recursos materiais e humanos, e a desvalorização social da profissão docente. Essas condições contribuem para a evasão de profissionais qualificados e a baixa qualidade do ensino. Aponta-se ainda a inadequação de métodos de ensino, fragilidade nos estágios supervisionados e descontinuidade na formação contínua. A discussão destaca a urgência de uma reconstrução curricular pautada na contextualização, participação dos actores educativos e valorização da prática pedagógica. Defende-se o fortalecimento das estruturas institucionais de formação, através de uma abordagem intersectorial e articulada, com vista à construção de um ensino básico de qualidade, equitativo e inclusivo. Conclui-se que uma política curricular sustentável na Guiné-Bissau deve ser crítica, endógena e exógena, promovendo o desenvolvimento do sistema educativo e a valorização da docência. Recomenda-se, para trabalhos futuros, o aprofundamento de estudos empíricos com a participação direta de formadores, gestores e professores em formação.

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