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Antecipação da experiência de parto : mudanças desenvolvimentais ao longo da gravidez

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Este estudo foi desenvolvido com o intuito de: 1) conhecer o modo como durante a gravidez a mulher antecipa algumas dimensões relevantes da experiência de parto (tais como: 1) planeamento e preparação; 2) expectativas quanto ao medo, confiança, controlo e intensidade da dor; 3) preocupação com o bem-estar próprio e do bebé; 4) suporte esperado por parte de pessoas significativas; 5) antevisão dos cuidados maternos); 2) averiguar a presença de mudanças na antecipação do parto, em dois momentos sucessivos da gravidez (no 2º trimestre e no 3º trimestre); 3) identificar diferenças na antecipação da experiência de parto, atendendo a características sociais e demográficas das participantes. A amostra é constituída por 163 grávidas primiparas, utentes da Maternidade Júlio Dinis (Porto), e foi seleccionada aleatoriamente, tendo em conta os seguintes critérios: saber ler e escrever, primiparidade, gestação entre as 20 e as 24 semanas. Entre a 20ª e a 24ª semanas de gravidez administrou-se a Parte Social e Demográfica da Versão Portuguesa da Contextual Assessment of the Maternity Experience (CAME, Bernazzani, Marks, Siddle, Asten, Bifulco, et al., 2003), composta por 45 questões abertas, focadas na recolha de dados sociais e demográficos relativos à grávida e ao companheiro, bem como história obstétrica e psicopatológica da utente. Em dois momentos sucessivos, entre a 20ª e a 24ª semanas de gestação (2º trimestre) e entre a 30ª e a 36ª semanas de gestação (3º trimestre) as participantes preencheram o Questionário de Antecipação do Parto (QAP, Costa, Figueiredo, Pacheco, & Pais, in press), constituído por 58 questões de auto-relato relativas à antecipação da experiência de trabalho de parto, parto e pós-parto. Os resultados indicam que no 2º trimestre a generalidade das grávidas planeia e antecipa suporte por parte de pessoas significativas no parto, tem uma visão positiva das suas competências maternas e está moderadamente preocupada com o bem estar próprio e o do bebé. A maioria antevê, contudo, uma experiência de parto dolorosa, as previsões dividem-se entre o medo e, a confiança e o controlo. A comparação entre o 2º e o 3º trimestre de gravidez revela que, no 3º trimestre, a mãe está mais focada no parto, tem níveis superiores de planeamento e conhecimento acerca da situação, mas antecipa a experiência como mais dolorosa, assim como prevê menor confiança e controlo e mais medo no parto, e preocupa-se mais com possíveis consequências negativas no seu bem estar e do bebé. Simultaneamente podemos averiguar algumas características sociais e demográficas que resultam em maiores dificuldades para a mãe na adequada antecipação do parto, no 2º e 3º trimestres de gestação, tais como menor idade, baixo nível de escolaridade, profissões de reduzida qualificação, agregados familiares alargados ou no qual o companheiro está ausente. Em conclusão, entre outros aspectos, este estudo dá conta de mudanças desenvolvimentais que ocorrem durante a gravidez e alerta para a necessidade de dedicar mais atenção à preparação para o parto, sobretudo junto de grávidas pertencentes a determinados estratos sociais e económicos, sugerindo ainda áreas relevantes para essa preparação.
Autores principais:Pacheco, Alexandra P.
Outros Autores:Figueiredo, Bárbara; Costa, Raquel A.; Pais, A.
Assunto:Gravidez Experiência de parto Tarefas desenvolvimentais da maternidade Antecipação do parto Pregnancy Childbirth experience, Pregnancy developmental tasks Delivery anticipation
Ano:2005
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Este estudo foi desenvolvido com o intuito de: 1) conhecer o modo como durante a gravidez a mulher antecipa algumas dimensões relevantes da experiência de parto (tais como: 1) planeamento e preparação; 2) expectativas quanto ao medo, confiança, controlo e intensidade da dor; 3) preocupação com o bem-estar próprio e do bebé; 4) suporte esperado por parte de pessoas significativas; 5) antevisão dos cuidados maternos); 2) averiguar a presença de mudanças na antecipação do parto, em dois momentos sucessivos da gravidez (no 2º trimestre e no 3º trimestre); 3) identificar diferenças na antecipação da experiência de parto, atendendo a características sociais e demográficas das participantes. A amostra é constituída por 163 grávidas primiparas, utentes da Maternidade Júlio Dinis (Porto), e foi seleccionada aleatoriamente, tendo em conta os seguintes critérios: saber ler e escrever, primiparidade, gestação entre as 20 e as 24 semanas. Entre a 20ª e a 24ª semanas de gravidez administrou-se a Parte Social e Demográfica da Versão Portuguesa da Contextual Assessment of the Maternity Experience (CAME, Bernazzani, Marks, Siddle, Asten, Bifulco, et al., 2003), composta por 45 questões abertas, focadas na recolha de dados sociais e demográficos relativos à grávida e ao companheiro, bem como história obstétrica e psicopatológica da utente. Em dois momentos sucessivos, entre a 20ª e a 24ª semanas de gestação (2º trimestre) e entre a 30ª e a 36ª semanas de gestação (3º trimestre) as participantes preencheram o Questionário de Antecipação do Parto (QAP, Costa, Figueiredo, Pacheco, & Pais, in press), constituído por 58 questões de auto-relato relativas à antecipação da experiência de trabalho de parto, parto e pós-parto. Os resultados indicam que no 2º trimestre a generalidade das grávidas planeia e antecipa suporte por parte de pessoas significativas no parto, tem uma visão positiva das suas competências maternas e está moderadamente preocupada com o bem estar próprio e o do bebé. A maioria antevê, contudo, uma experiência de parto dolorosa, as previsões dividem-se entre o medo e, a confiança e o controlo. A comparação entre o 2º e o 3º trimestre de gravidez revela que, no 3º trimestre, a mãe está mais focada no parto, tem níveis superiores de planeamento e conhecimento acerca da situação, mas antecipa a experiência como mais dolorosa, assim como prevê menor confiança e controlo e mais medo no parto, e preocupa-se mais com possíveis consequências negativas no seu bem estar e do bebé. Simultaneamente podemos averiguar algumas características sociais e demográficas que resultam em maiores dificuldades para a mãe na adequada antecipação do parto, no 2º e 3º trimestres de gestação, tais como menor idade, baixo nível de escolaridade, profissões de reduzida qualificação, agregados familiares alargados ou no qual o companheiro está ausente. Em conclusão, entre outros aspectos, este estudo dá conta de mudanças desenvolvimentais que ocorrem durante a gravidez e alerta para a necessidade de dedicar mais atenção à preparação para o parto, sobretudo junto de grávidas pertencentes a determinados estratos sociais e económicos, sugerindo ainda áreas relevantes para essa preparação.