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Teatro para e com bebés na creche: diálogos artístico-pedagógicos na cocriação e na receção da performance teatral participativa “Eu brinco”

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O teatro para e com bebés, que se caracteriza pelo desenvolvimento de experiências teatrais para bebés e crianças até aos três anos, inspira-se, muitas vezes, no jogo natural e espontâneo da criança, no brincar e num trabalho de carácter experimental, com estéticas pós-dramáticas e performativas. Atravessa conceitos de arte participativa os quais colocam o foco num espetador ativo e emancipado e centra-se, ainda, na ideia de bebé e criança competente e capaz, pleno de direitos, nomeadamente, o direito ao teatro. O espetáculo de teatro para e com bebés “Eu brinco” desenvolvido nesta investigação-ação resultou de um processo participativo e interdisciplinar que envolveu a investigadora, a encenadora e os atores de uma companhia de teatro, educadoras de infâncias e bebés e crianças até aos três anos. Neste processo participativo de criação foram planeados e experimentados métodos e técnicas para o desenvolvimento de um trabalho teatral que permitisse e respeitasse a participação dos bebés e das crianças. A sua receção, observada em diferentes creches, permitiu analisar e compreender as diferentes formas de envolvimento dos bebés e das crianças, que iam desde um nível contemplativo, assistindo ao desenrolar da ação dramática, até um nível proativo, no qual jogavam e brincavam livremente. A receção da performance por parte dos bebés e das crianças foi influenciada por diversos fatores, nomeadamente: os recursos cénicos e o trabalho do ator; a participação das suas acompanhantes e a informação que lhes era transmitida; o contexto familiar e educativo; as suas características individuais; e o espaço e o número de crianças por sessão. O processo de criação e receção da performance “Eu brinco” deu-se através do diálogo entre investigação, teatro e educação de infância, realizado num constante vaivém entre a teoria e a prática que, por um lado, trouxe desafios e dificuldades aos atores e, por outro, tal como pretendido, provocou mudanças no seu trabalho e no da encenadora. Tais mudanças resultaram numa nova imagem de bebé, capaz e competente, espetador ativo e emancipado, cocriador da experiência teatral. Essa nova imagem traduziu-se na valorização da voz dos bebés, para a qual foram essenciais alguns dos elementos-chave do trabalho para e com bebés, nomeadamente, a comunicação não verbal e a capacidade de escuta e de presença ativa.
Autores principais:Cunha, Carla Sofia Ribeiro e
Assunto:Creche Participação Performance Teatro para e com bebés Teatro pós-dramático Nursery school Participation Theatre for and with babies Post-dramatic theatre
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:O teatro para e com bebés, que se caracteriza pelo desenvolvimento de experiências teatrais para bebés e crianças até aos três anos, inspira-se, muitas vezes, no jogo natural e espontâneo da criança, no brincar e num trabalho de carácter experimental, com estéticas pós-dramáticas e performativas. Atravessa conceitos de arte participativa os quais colocam o foco num espetador ativo e emancipado e centra-se, ainda, na ideia de bebé e criança competente e capaz, pleno de direitos, nomeadamente, o direito ao teatro. O espetáculo de teatro para e com bebés “Eu brinco” desenvolvido nesta investigação-ação resultou de um processo participativo e interdisciplinar que envolveu a investigadora, a encenadora e os atores de uma companhia de teatro, educadoras de infâncias e bebés e crianças até aos três anos. Neste processo participativo de criação foram planeados e experimentados métodos e técnicas para o desenvolvimento de um trabalho teatral que permitisse e respeitasse a participação dos bebés e das crianças. A sua receção, observada em diferentes creches, permitiu analisar e compreender as diferentes formas de envolvimento dos bebés e das crianças, que iam desde um nível contemplativo, assistindo ao desenrolar da ação dramática, até um nível proativo, no qual jogavam e brincavam livremente. A receção da performance por parte dos bebés e das crianças foi influenciada por diversos fatores, nomeadamente: os recursos cénicos e o trabalho do ator; a participação das suas acompanhantes e a informação que lhes era transmitida; o contexto familiar e educativo; as suas características individuais; e o espaço e o número de crianças por sessão. O processo de criação e receção da performance “Eu brinco” deu-se através do diálogo entre investigação, teatro e educação de infância, realizado num constante vaivém entre a teoria e a prática que, por um lado, trouxe desafios e dificuldades aos atores e, por outro, tal como pretendido, provocou mudanças no seu trabalho e no da encenadora. Tais mudanças resultaram numa nova imagem de bebé, capaz e competente, espetador ativo e emancipado, cocriador da experiência teatral. Essa nova imagem traduziu-se na valorização da voz dos bebés, para a qual foram essenciais alguns dos elementos-chave do trabalho para e com bebés, nomeadamente, a comunicação não verbal e a capacidade de escuta e de presença ativa.