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Condicionantes ergonómicas das bicicletas urbanas para crianças

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Com o evidente aumento da utilização da bicicleta como meio de transporte generalizado pelas populações em várias cidades de Portugal e, em particular, na cidade de Aveiro, questionou-se a adequabilidade ergonómica das bicicletas utilizadas pelas crianças que utilizam este meio de transporte nos seus percursos diários. Assim, pretendeu-se estudar a possível ocorrência de posturas desfavoráveis em crianças que utilizam a bicicleta nas suas deslocações e avaliar o risco de lesões. Pretendeu-se, ainda, apurar se existe um padrão entre o tempo de utilização de bicicleta e as zonas do corpo em que é reportada dor e encontrar uma relação entre medidas antropométricas e a perceção de dor. Através da utilização de questionários sobre o nível de atividade física, de perceção de dor – previamente validados – e sobre características sociodemográficas, fez-se o levantamento online através da ferramenta Google Forms para apuramento da quantidade das crianças utilizadoras de bicicleta nos seus trajetos diários. Destas, um grupo de 28 fez parte do estudo antropométrico onde foi avaliada a sua maturidade biológica e consideradas as suas medidas para configuração da bicicleta. A estatística descritiva, o Teste do Qui-quadrado e o Teste Exato de Fisher foram utilizados para a análise estatística. Verificou-se uma prevalência de dor/desconforto, numa ou mais regiões anatómicas, de 50,0%, e destes, apenas 1 (3,6%) apresentou limitação às atividades normais em pelo menos uma região anatómica. A dor/desconforto foi mais elevada nos tornozelos/pés (14,3%), seguida da sintomatologia nas zonas do pescoço, punhos/mãos e joelhos, com uma prevalência de 10,7%, das zonas das ancas/coxas (7,1%) e da região lombar com 3,6%. As zonas dos ombros, cotovelos e região torácica não apresentaram qualquer sintomatologia. Não houve significância estatística na relação entre o tempo de utilização de bicicleta e as zonas do corpo em que é reportada dor. Também não se encontrou relação entre as medidas antropométricas associadas ao dimensionamento das bicicletas e a perceção de dor. Não se conseguiu encontrar relação estatisticamente significativa que permitisse comparar os participantes que reportam dor e os participantes que não reportam dor – o tamanho da amostra poderá ter condicionado o estudo, impedindo a obtenção de conclusões mais objetivas – mas concluiu-se, considerando estudos sobre a o dimensionamento de bicicletas para crianças, que existem condicionantes ergonómicas em bicicletas utilizadas por crianças e que através de medidas antropométricas como a altura entrepernas, o comprimento do braço e a altura de tronco em pé se consegue encontrar uma relação geométrica que permite prever a altura do selim e as distâncias horizontais e verticais entre o selim e o guiador.
Autores principais:Mesquita, Maria Isabel de Moura
Assunto:Antropometria Bicicletas Crianças Ergonomia Mobilidade sustentável Anthropometry Bicycles Children Ergonomics Sustainable mobility
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Com o evidente aumento da utilização da bicicleta como meio de transporte generalizado pelas populações em várias cidades de Portugal e, em particular, na cidade de Aveiro, questionou-se a adequabilidade ergonómica das bicicletas utilizadas pelas crianças que utilizam este meio de transporte nos seus percursos diários. Assim, pretendeu-se estudar a possível ocorrência de posturas desfavoráveis em crianças que utilizam a bicicleta nas suas deslocações e avaliar o risco de lesões. Pretendeu-se, ainda, apurar se existe um padrão entre o tempo de utilização de bicicleta e as zonas do corpo em que é reportada dor e encontrar uma relação entre medidas antropométricas e a perceção de dor. Através da utilização de questionários sobre o nível de atividade física, de perceção de dor – previamente validados – e sobre características sociodemográficas, fez-se o levantamento online através da ferramenta Google Forms para apuramento da quantidade das crianças utilizadoras de bicicleta nos seus trajetos diários. Destas, um grupo de 28 fez parte do estudo antropométrico onde foi avaliada a sua maturidade biológica e consideradas as suas medidas para configuração da bicicleta. A estatística descritiva, o Teste do Qui-quadrado e o Teste Exato de Fisher foram utilizados para a análise estatística. Verificou-se uma prevalência de dor/desconforto, numa ou mais regiões anatómicas, de 50,0%, e destes, apenas 1 (3,6%) apresentou limitação às atividades normais em pelo menos uma região anatómica. A dor/desconforto foi mais elevada nos tornozelos/pés (14,3%), seguida da sintomatologia nas zonas do pescoço, punhos/mãos e joelhos, com uma prevalência de 10,7%, das zonas das ancas/coxas (7,1%) e da região lombar com 3,6%. As zonas dos ombros, cotovelos e região torácica não apresentaram qualquer sintomatologia. Não houve significância estatística na relação entre o tempo de utilização de bicicleta e as zonas do corpo em que é reportada dor. Também não se encontrou relação entre as medidas antropométricas associadas ao dimensionamento das bicicletas e a perceção de dor. Não se conseguiu encontrar relação estatisticamente significativa que permitisse comparar os participantes que reportam dor e os participantes que não reportam dor – o tamanho da amostra poderá ter condicionado o estudo, impedindo a obtenção de conclusões mais objetivas – mas concluiu-se, considerando estudos sobre a o dimensionamento de bicicletas para crianças, que existem condicionantes ergonómicas em bicicletas utilizadas por crianças e que através de medidas antropométricas como a altura entrepernas, o comprimento do braço e a altura de tronco em pé se consegue encontrar uma relação geométrica que permite prever a altura do selim e as distâncias horizontais e verticais entre o selim e o guiador.