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Aprender com as crianças sobre o lugar que habitam: uma aproximação ao Bairro da Emboladoura, Guimarães, Portugal.

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Resumo:E se em vez de querermos ensinar as crianças, nos colocássemos na posição oposta, de aprender com elas? O reposicionamento das autoras, com formação académica nas áreas da Arquitetura, Urbanismo e Sociologia da Infância, na relação com “o outro”, a Criança, reconhece que Esta tem voz e saberes próprios. Estes saberes, quando partilhados, podem vislumbrar possibilidades futuras que nos escapam, nos nossos campos disciplinares tantas vezes ensimesmados por demasiados (pre)conceitos em relação ao “que é” e ao que “deve ser” o espaço habitado. Este artigo parte da investigação-ação interdisciplinar que as autoras têm concretizado, no contexto do ProChild CoLab, against Poverty and Social Exclusion. No caso específico, refere-se ao trabalho desenvolvido com as crianças do Bairro da Emboladoura, situado no limite oeste do concelho de Guimarães. Este processo de imersão num contexto social e territorial específico pretende explorar a relação de reciprocidade entre Criança e o seu Espaço do dia a dia (Haraway, 1991).“Aprender”, como? Através de três meios: a desenhar, a caminhar e a imaginar. Estas são as partes estruturantes deste artigo, e explicitam a metodologia dialógica (Morin 1990; Bakhtin [1930s] 1981) usada para dar voz às crianças do Bairro da Emboladoura. “Aprender, para quê? Para ver o que nós não vemos com o nosso véu de adultos, mas também para integrar o seu conhecimento sobre o lugar que habitam em cenários de transformação futura. Começamos por “desenhar” o meu bairro. Quais as representações mentais que as crianças guardam do bairro que habitam? Seguidamente, avançamos para “caminhar” e assim as crianças desvelaram-nos o seu bairro, num caminho por elas definido pela ação concreta de caminhar. Finalmente, “no imaginar” o meu bairro as crianças tiveram a oportunidade de nos ensinar qual é a sua posição crítica em relação aos espaços coletivos que habitam e o que vislumbram para a sua transformação espa(e)cial. Estes trabalhos procuram mobilizar uma conceção de participação das crianças nos seus mundos que ultrapassa meros processos de escuta para integrar processos de co-transformação dos seus espaços de vida. Assim, as ações situadas das crianças constroem-se quotidianamente, e em relação com diferentes gerações que influenciam a suas vidas (Fernandes & Trevisan, 2018).
Autores principais:Silva, Cidália F.
Outros Autores:Trevisan, Gabriela; Carvalho, Mariana
Assunto:Humanidades::Artes Cidades e comunidades sustentáveis
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:outro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:E se em vez de querermos ensinar as crianças, nos colocássemos na posição oposta, de aprender com elas? O reposicionamento das autoras, com formação académica nas áreas da Arquitetura, Urbanismo e Sociologia da Infância, na relação com “o outro”, a Criança, reconhece que Esta tem voz e saberes próprios. Estes saberes, quando partilhados, podem vislumbrar possibilidades futuras que nos escapam, nos nossos campos disciplinares tantas vezes ensimesmados por demasiados (pre)conceitos em relação ao “que é” e ao que “deve ser” o espaço habitado. Este artigo parte da investigação-ação interdisciplinar que as autoras têm concretizado, no contexto do ProChild CoLab, against Poverty and Social Exclusion. No caso específico, refere-se ao trabalho desenvolvido com as crianças do Bairro da Emboladoura, situado no limite oeste do concelho de Guimarães. Este processo de imersão num contexto social e territorial específico pretende explorar a relação de reciprocidade entre Criança e o seu Espaço do dia a dia (Haraway, 1991).“Aprender”, como? Através de três meios: a desenhar, a caminhar e a imaginar. Estas são as partes estruturantes deste artigo, e explicitam a metodologia dialógica (Morin 1990; Bakhtin [1930s] 1981) usada para dar voz às crianças do Bairro da Emboladoura. “Aprender, para quê? Para ver o que nós não vemos com o nosso véu de adultos, mas também para integrar o seu conhecimento sobre o lugar que habitam em cenários de transformação futura. Começamos por “desenhar” o meu bairro. Quais as representações mentais que as crianças guardam do bairro que habitam? Seguidamente, avançamos para “caminhar” e assim as crianças desvelaram-nos o seu bairro, num caminho por elas definido pela ação concreta de caminhar. Finalmente, “no imaginar” o meu bairro as crianças tiveram a oportunidade de nos ensinar qual é a sua posição crítica em relação aos espaços coletivos que habitam e o que vislumbram para a sua transformação espa(e)cial. Estes trabalhos procuram mobilizar uma conceção de participação das crianças nos seus mundos que ultrapassa meros processos de escuta para integrar processos de co-transformação dos seus espaços de vida. Assim, as ações situadas das crianças constroem-se quotidianamente, e em relação com diferentes gerações que influenciam a suas vidas (Fernandes & Trevisan, 2018).