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Metacognição, criatividade e emoção na Educação Visual e Tecnológica : contributos e orientações para a formação de alunos com sucesso

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Resumo:Este projecto nasceu de um desejo, um desejo de alcançar uma maior capacidade de intervenção no ensino e nas aprendizagens dos alunos. Foi apresentado e desenvolvido no Instituto de Estudos da Criança da Universidade do Minho. Na sua implementação participaram a Escola Básica de Ribeira do Neiva e a Associação de Paralisia Cerebral de Braga (APCB). Teve como objectivo geral fazer debater a eficácia de um programa de ensino experimental, na disciplina de Educação Visual e Tecnológica do segundo ciclo do ensino básico, tendo como alicerce teórico os três patamares da aprendizagem que se enquadraram numa orientação pelo aprender a aprender, nomeadamente, os aspectos afectivos, processo metacognitivo e criativo. Pretendeu-se, deste modo, dar resposta à pergunta: de que maneira é que na disciplina de Educação Visual e Tecnológica a formação de competências curriculares no aluno do ensino regular, onde podem estar inseridas crianças com deficiência mental ligeira, é dependente dos processos metacognitivos, criativos e afectivos, implementados na sala de aula. Por outro lado, pretende-se perceber, qual a importância destes processos no sucesso educativo e na transferência de competências do aprender a aprender em novas situações? O estudo revela que o programa implementado nos grupos experimentais (ensino regular e grupo de crianças com paralisia cerebral e deficiência mental ligeira da APCB), no que respeita às variáveis criativas, medidas pelo Teste de Pensamento Criativo de Torrance, não conduziu à melhoria do desempenho, quando comparamos os resultados observados no pré-teste e no pós-teste. Como hipótese interpretativa, considerou-se que, se na disciplina de EVT foram criados ambientes que deveriam estimular a criatividade, as práticas seguidas pelo Conselho de Turma na articulação do currículo, podem não ter sido suficientes para gerar eficácia, merecendo, por isso, uma maior atenção na sua gestão. No entanto, contrariando este cenário inicial, o programa também demonstra, tanto pela análise quantitativa como qualitativa, que no contexto do processo criativo e aspectos afectivos existiu um desenvolvimento em algumas das suas variáveis. Quanto ao primeiro, ao recorrermos a outras medidas, observaram-se melhorias na capacidade dos alunos para recordar matérias anteriores, na coragem para arriscar, na sua tolerância e na fluência de ideias. Quanto ao segundo, esse incremento, verificou-se nas emoções primárias e secundárias. Este aspecto é realçado em simultâneo, tanto pelo ponto de vista dos alunos, como dos professores. Quanto ao processo metacognitivo, a análise quantitativa reporta-nos para o facto de que apenas existiu alguma melhoria na perspectiva dos alunos, sendo assinalado, no seu ponto de vista, um aumento na autoconsequência (atribuição interna, que define as acções de sucesso ou insucesso das tarefas realizadas e as respectivas recompensas ou punições), no investimento do seu esforço individual (energia despendida para concretizar as tarefas), assim como no movimento dentro da sala de aula, dando a entender que este último factor serviu de catalisador de aprendizagens significativas. A triangulação dos dados da análise qualitativa evidenciou que o processo metacognitivo foi a dimensão mais trabalhada em ambos os grupos experimentais, autoregulando o próprio processo criativo e aspectos afectivos dos alunos. Os dados recolhidos permitem neste contexto reformular o modelo inicialmente traçado, possibilitando o surgimento de um nova estrutura interpretativa que pode dar origem a um novo ciclo de estudos. Nesta nova concepção, o método de resolução de problemas encontra-se dinamizado pelas três dimensões em estudo (afectividade, metacognição e criatividade), possibilitando a aprendizagem das competências pelo aprender a aprender, assim como o enriquecimento do currículo cognitivo dos alunos. Esta organização mostra novas possibilidades de exploração das didácticas a seguir na disciplina de Educação Visual e Tecnológica, na medida em que os alunos interiorizaram, de uma forma mais eficaz, as competências gerais do ensino básico, assimilando conhecimentos em rede, ou seja construindo aprendizagens significativas.
Autores principais:Martins, José Alberto Lourenço Gonçalves
Assunto:Aprender a aprender Processo metacognitivo Processo criativo Aspectos afectivos Self learning Metacognitive process Creative process Affective process
Ano:2010
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Este projecto nasceu de um desejo, um desejo de alcançar uma maior capacidade de intervenção no ensino e nas aprendizagens dos alunos. Foi apresentado e desenvolvido no Instituto de Estudos da Criança da Universidade do Minho. Na sua implementação participaram a Escola Básica de Ribeira do Neiva e a Associação de Paralisia Cerebral de Braga (APCB). Teve como objectivo geral fazer debater a eficácia de um programa de ensino experimental, na disciplina de Educação Visual e Tecnológica do segundo ciclo do ensino básico, tendo como alicerce teórico os três patamares da aprendizagem que se enquadraram numa orientação pelo aprender a aprender, nomeadamente, os aspectos afectivos, processo metacognitivo e criativo. Pretendeu-se, deste modo, dar resposta à pergunta: de que maneira é que na disciplina de Educação Visual e Tecnológica a formação de competências curriculares no aluno do ensino regular, onde podem estar inseridas crianças com deficiência mental ligeira, é dependente dos processos metacognitivos, criativos e afectivos, implementados na sala de aula. Por outro lado, pretende-se perceber, qual a importância destes processos no sucesso educativo e na transferência de competências do aprender a aprender em novas situações? O estudo revela que o programa implementado nos grupos experimentais (ensino regular e grupo de crianças com paralisia cerebral e deficiência mental ligeira da APCB), no que respeita às variáveis criativas, medidas pelo Teste de Pensamento Criativo de Torrance, não conduziu à melhoria do desempenho, quando comparamos os resultados observados no pré-teste e no pós-teste. Como hipótese interpretativa, considerou-se que, se na disciplina de EVT foram criados ambientes que deveriam estimular a criatividade, as práticas seguidas pelo Conselho de Turma na articulação do currículo, podem não ter sido suficientes para gerar eficácia, merecendo, por isso, uma maior atenção na sua gestão. No entanto, contrariando este cenário inicial, o programa também demonstra, tanto pela análise quantitativa como qualitativa, que no contexto do processo criativo e aspectos afectivos existiu um desenvolvimento em algumas das suas variáveis. Quanto ao primeiro, ao recorrermos a outras medidas, observaram-se melhorias na capacidade dos alunos para recordar matérias anteriores, na coragem para arriscar, na sua tolerância e na fluência de ideias. Quanto ao segundo, esse incremento, verificou-se nas emoções primárias e secundárias. Este aspecto é realçado em simultâneo, tanto pelo ponto de vista dos alunos, como dos professores. Quanto ao processo metacognitivo, a análise quantitativa reporta-nos para o facto de que apenas existiu alguma melhoria na perspectiva dos alunos, sendo assinalado, no seu ponto de vista, um aumento na autoconsequência (atribuição interna, que define as acções de sucesso ou insucesso das tarefas realizadas e as respectivas recompensas ou punições), no investimento do seu esforço individual (energia despendida para concretizar as tarefas), assim como no movimento dentro da sala de aula, dando a entender que este último factor serviu de catalisador de aprendizagens significativas. A triangulação dos dados da análise qualitativa evidenciou que o processo metacognitivo foi a dimensão mais trabalhada em ambos os grupos experimentais, autoregulando o próprio processo criativo e aspectos afectivos dos alunos. Os dados recolhidos permitem neste contexto reformular o modelo inicialmente traçado, possibilitando o surgimento de um nova estrutura interpretativa que pode dar origem a um novo ciclo de estudos. Nesta nova concepção, o método de resolução de problemas encontra-se dinamizado pelas três dimensões em estudo (afectividade, metacognição e criatividade), possibilitando a aprendizagem das competências pelo aprender a aprender, assim como o enriquecimento do currículo cognitivo dos alunos. Esta organização mostra novas possibilidades de exploração das didácticas a seguir na disciplina de Educação Visual e Tecnológica, na medida em que os alunos interiorizaram, de uma forma mais eficaz, as competências gerais do ensino básico, assimilando conhecimentos em rede, ou seja construindo aprendizagens significativas.