Publicação
Determinantes da participação eleitoral nas freguesias portuguesas
| Resumo: | É possível encontrar na literatura da ciência política uma diversidade de argumentos teóricos que servem de sustentação à análise da participação política e eleitoral e que foram sendo desenvolvidos ao longo dos anos. As explicações que cada um desses modelos teóricos oferece variam. A vasta maioria da literatura sobre a participação política formal e, claro está, participação eleitoral, incide nas características individuais. Aqui se incluem os modelos baseados nos recursos individuais (ver Wolfinger e Rosentone 1980), os modelos baseados na escolha que o indivíduo racionalmente faz (ver Downs 1957 e Kanazawa 2000) e os modelos psicológicos (ver Campbell et al. 1960). Segundo Aldrich e Simon (1986) esta é a “ciência normal” de participação política. Mais recentemente, os estudos empíricos sobre participação eleitoral focam-se também na estrutura do governo e nos procedimentos eleitorais, como de resto parte de uma ampla literatura que enfatiza a forma como as instituições mobilizam e desmobilizam os eleitores. Esta investigação assumirá uma perspectiva agregada e não individual, baseando-se numa tradição de investigação anterior que assenta na utilização de estatísticas de voto agregadas (Merriam e Gosnell 1925; Tingsten 1937), e fazendo lembrar que a literatura sobre as variações na participação eleitoral tem apresentado explicações que derivam da investigação a nível individual, através do uso de dados de sondagem (Verba e Nie 1972; Wolfinger e Rosentone 1980) e motivações relacionadas com os custos e benefícios do voto (Downs 1957). O uso de modelos hierárquicos lineares para efeitos de explicação dos determinantes da participação eleitoral no contexto dos EUA e da Europa tem‐se focado nas relações entre o nível individual e o nível municipal ou nacional. Esta investigação contribui para esta literatura e realiza uma análise multi‐nível assumindo como unidade de análise as 4260 freguesias portuguesas (nível 1), distribuídas por 308 municípios (nível 2). Assumem‐se como determinantes da participação eleitoral nas freguesias três conjuntos de factores, a saber: (1) factores socioeconómicos – aqui se incluem as variáveis dimensão e densidade populacional, idade, educação e religião; (2) factores políticos – onde se analisam os impactos da competição partidária e da fragmentação política; (3) e, factores institucionais – que incluem o impacto da fragmentação territorial e dos candidatos independentes (i.e., candidatos sem filiação partidária). Dos determinantes enunciados, esta investigação avança com algumas conclusões importantes para a contínua construção do conhecimento acerca da participação eleitoral. Sustenta e valida o argumento clássico do efeito negativo da dimensão populacional sobre a participação eleitoral, inovando pelo facto de se tratar de uma unidade territorial inframunicipal (sub-city government). Pelo contrário, a densidade populacional oferece aqui um comportamento sobre a participação eleitoral diferente do esperado, contrariando uma vasta literatura empírica recente, e fazendo retomar os clássicos da sociologia urbana. Outra conclusão importante relaciona-se com o número de candidatos independentes e os seus efeitos na participação eleitoral, apontando para um enfraquecimento do sistema partidário, por via da desconfiança ou percepção de menor utilidade dos partidos políticos para os cidadãos eleitores. Conjuntamente com o efeito negativo da ausência de competição partidária, o efeito positivo dos candidatos independentes na participação eleitoral é um dos traços dominantes das eleições locais em Portugal plenamente confirmado neste estudo. |
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| Autores principais: | Maia, Tânia Sofia Vieira |
| Assunto: | Participação eleitoral Análise multi‐nível Modelo hierárquico linear Freguesia Município Electoral participation Multi‐level analysis Hierarchical linear model Parish Municipality |
| Ano: | 2013 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | É possível encontrar na literatura da ciência política uma diversidade de argumentos teóricos que servem de sustentação à análise da participação política e eleitoral e que foram sendo desenvolvidos ao longo dos anos. As explicações que cada um desses modelos teóricos oferece variam. A vasta maioria da literatura sobre a participação política formal e, claro está, participação eleitoral, incide nas características individuais. Aqui se incluem os modelos baseados nos recursos individuais (ver Wolfinger e Rosentone 1980), os modelos baseados na escolha que o indivíduo racionalmente faz (ver Downs 1957 e Kanazawa 2000) e os modelos psicológicos (ver Campbell et al. 1960). Segundo Aldrich e Simon (1986) esta é a “ciência normal” de participação política. Mais recentemente, os estudos empíricos sobre participação eleitoral focam-se também na estrutura do governo e nos procedimentos eleitorais, como de resto parte de uma ampla literatura que enfatiza a forma como as instituições mobilizam e desmobilizam os eleitores. Esta investigação assumirá uma perspectiva agregada e não individual, baseando-se numa tradição de investigação anterior que assenta na utilização de estatísticas de voto agregadas (Merriam e Gosnell 1925; Tingsten 1937), e fazendo lembrar que a literatura sobre as variações na participação eleitoral tem apresentado explicações que derivam da investigação a nível individual, através do uso de dados de sondagem (Verba e Nie 1972; Wolfinger e Rosentone 1980) e motivações relacionadas com os custos e benefícios do voto (Downs 1957). O uso de modelos hierárquicos lineares para efeitos de explicação dos determinantes da participação eleitoral no contexto dos EUA e da Europa tem‐se focado nas relações entre o nível individual e o nível municipal ou nacional. Esta investigação contribui para esta literatura e realiza uma análise multi‐nível assumindo como unidade de análise as 4260 freguesias portuguesas (nível 1), distribuídas por 308 municípios (nível 2). Assumem‐se como determinantes da participação eleitoral nas freguesias três conjuntos de factores, a saber: (1) factores socioeconómicos – aqui se incluem as variáveis dimensão e densidade populacional, idade, educação e religião; (2) factores políticos – onde se analisam os impactos da competição partidária e da fragmentação política; (3) e, factores institucionais – que incluem o impacto da fragmentação territorial e dos candidatos independentes (i.e., candidatos sem filiação partidária). Dos determinantes enunciados, esta investigação avança com algumas conclusões importantes para a contínua construção do conhecimento acerca da participação eleitoral. Sustenta e valida o argumento clássico do efeito negativo da dimensão populacional sobre a participação eleitoral, inovando pelo facto de se tratar de uma unidade territorial inframunicipal (sub-city government). Pelo contrário, a densidade populacional oferece aqui um comportamento sobre a participação eleitoral diferente do esperado, contrariando uma vasta literatura empírica recente, e fazendo retomar os clássicos da sociologia urbana. Outra conclusão importante relaciona-se com o número de candidatos independentes e os seus efeitos na participação eleitoral, apontando para um enfraquecimento do sistema partidário, por via da desconfiança ou percepção de menor utilidade dos partidos políticos para os cidadãos eleitores. Conjuntamente com o efeito negativo da ausência de competição partidária, o efeito positivo dos candidatos independentes na participação eleitoral é um dos traços dominantes das eleições locais em Portugal plenamente confirmado neste estudo. |
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