Publicação
O local e o global: Igualdade e diferença nas sociedades multiculturais
| Resumo: | Com o fenómeno da globalização, acentuaram-se as desigualdades, as exclusões e a pobreza, emergiram novas formas de exploração e de precarização do trabalho, surgiram variadas manifestações de discriminação, racismo e xenofobia, entre outros fenómenos que nos questionam quanto ao nível civilizacional em que nos encontramos. Por exemplo, a mobilidade é tendencialmente encarada como um benefício, mas quando observamos os mais recentes fenómenos migratórios, especialmente de refugiados, ficamos alarmados com o drama e o terror que eles causam, não só pela situação de extrema vulnerabilidade e de grande sofrimento em que as pessoas se encontram, mas sobretudo pelo modo desumano como os estados e os organismos internacionais lidam com a situação. Portanto, se pensávamos que o processo civilizacional era linear, constatamos, hoje, que as fronteiras entre a civilização e a barbárie são ténues e que a defesa e a promoção dos Direitos Humanos continuam a ser um empreendimento cidadão, ético, político, profissional e humano de grande vulto. Neste capítulo, sem pretender alongar a discussão sobre o conceito de globalização, começo por esboçar alguns apontamentos que permitam expressar uma leitura crítica de fenómenos com ele relacionados, pretendendo contribuir para o debate sobre a relação entre globalização e multiculturalismo que caracteriza as sociedades contemporâneas. Tratando-se de um conceito polissémico e multidimensional, importa abordar a globalização tendo em conta as suas dimensões económicas e financeiras, mas também sociais, ambientais, culturais e biográficas. Diferentemente das teses que se referem apenas à globalização neoliberal, exploro neste trabalho outras abordagens, considerando que o fenómeno da globalização se manifesta em complexas relações entre o global e o local e entre questões de igualdade e de diferença, colocando enormes desafios quer à investigação quer às práticas sociais e profissionais, sobretudo quando estas se colocam na perspetiva dos Direitos Humanos e da promoção de uma educação intercultural crítica e emancipatória. |
|---|---|
| Autores principais: | Ferreira, Fernando Ilídio |
| Assunto: | Educação igualdade e diferença sociedades multiculturais educação intercultural global e local Direitos Humanos |
| Ano: | 2016 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | capítulo de livro |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Com o fenómeno da globalização, acentuaram-se as desigualdades, as exclusões e a pobreza, emergiram novas formas de exploração e de precarização do trabalho, surgiram variadas manifestações de discriminação, racismo e xenofobia, entre outros fenómenos que nos questionam quanto ao nível civilizacional em que nos encontramos. Por exemplo, a mobilidade é tendencialmente encarada como um benefício, mas quando observamos os mais recentes fenómenos migratórios, especialmente de refugiados, ficamos alarmados com o drama e o terror que eles causam, não só pela situação de extrema vulnerabilidade e de grande sofrimento em que as pessoas se encontram, mas sobretudo pelo modo desumano como os estados e os organismos internacionais lidam com a situação. Portanto, se pensávamos que o processo civilizacional era linear, constatamos, hoje, que as fronteiras entre a civilização e a barbárie são ténues e que a defesa e a promoção dos Direitos Humanos continuam a ser um empreendimento cidadão, ético, político, profissional e humano de grande vulto. Neste capítulo, sem pretender alongar a discussão sobre o conceito de globalização, começo por esboçar alguns apontamentos que permitam expressar uma leitura crítica de fenómenos com ele relacionados, pretendendo contribuir para o debate sobre a relação entre globalização e multiculturalismo que caracteriza as sociedades contemporâneas. Tratando-se de um conceito polissémico e multidimensional, importa abordar a globalização tendo em conta as suas dimensões económicas e financeiras, mas também sociais, ambientais, culturais e biográficas. Diferentemente das teses que se referem apenas à globalização neoliberal, exploro neste trabalho outras abordagens, considerando que o fenómeno da globalização se manifesta em complexas relações entre o global e o local e entre questões de igualdade e de diferença, colocando enormes desafios quer à investigação quer às práticas sociais e profissionais, sobretudo quando estas se colocam na perspetiva dos Direitos Humanos e da promoção de uma educação intercultural crítica e emancipatória. |
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