Publicação
Unidades e processos fonológicos no falar da região da Terra Quente: contributos para a linguística forense
| Resumo: | Nos últimos anos tem crescido o interesse pela análise forense da produção linguística. É no seguimento desta tendência que surge a presente tese, um trabalho pioneiro no panorama dos estudos linguísticos em Portugal. Tendo como objectivo a identificação de traços caracterizadores de grupos de falantes a partir de unidades e processos fonológicos, entrevistámos cem falantes da Terra Quente Transmontana, equitativamente divididos por concelho de origem (Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Macedo de Cavaleiros, Mirandela, Vila Flor), escolaridade do falante (Alfabetizado/Analfabeto), sexo (Feminino/Masculino) e idade, tendo sido considerados quatro intervalos etários: [20-35], [36-50], [51-65] e [>65]. Depois de recolhido e transcrito o corpus optámos por analisar os seguintes aspectos: (i) distribuição de classes de segmentos; (ii) distribuição dos tipos silábicos; e (iii) distribuição de acento; e os seguintes processos: (i) a manutenção da africada surda (e.g. [sR\amar); (ii) a semivocalização da lateral em pronomes e determinantes (e.g. eis pagavam pouco); (iii) a centralização das vogais anteriores [-altas] (e.g. tempo> t[ã]po); (iv) a realização de /S/ em contexto final de palavra seguido de segmento [-consonântico] (e.g. a[Y]aulas; a[y]aulas; a[R]aulas); e (v) o sândi externo envolvendo a realização da nasal (e.g. assim que biam na gente). As opções metodológicas na recolha e tratamento de dados foram feitas de acordo com a abordagem metodológica da linguística variacionista laboviana (Labov 1966, 1969, 1972 [1991]), tendo sido consideradas as variáveis externas ou sociais já referidas e variáveis internas ou linguísticas específicas de cada processo analisado. A análise fonológica a partir de variáveis externas e internas permitiu-nos verificar de que forma os aspectos sociais e linguísticos se correlacionam na realização das unidades e processos já mencionados, podendo, ao mesmo tempo, contribuir para a identificação de grupos de falantes. Desta forma, concluiu-se que a ocorrência das unidades e processos fonológicos depende de factores linguísticos, como a frequência de palavra, a qualidade dos segmentos e o acento, entre outros; e das características sociais dos falantes, sendo a idade e a escolaridade os factores que, de acordo com o nosso estudo, mais influenciam o comportamento linguístico e, desta forma, aqueles que poderão concorrer para a identificação de falantes da Terra Quente Transmontana. |
|---|---|
| Autores principais: | Santos, Isabel Joana Aguiar |
| Ano: | 2009 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Nos últimos anos tem crescido o interesse pela análise forense da produção linguística. É no seguimento desta tendência que surge a presente tese, um trabalho pioneiro no panorama dos estudos linguísticos em Portugal. Tendo como objectivo a identificação de traços caracterizadores de grupos de falantes a partir de unidades e processos fonológicos, entrevistámos cem falantes da Terra Quente Transmontana, equitativamente divididos por concelho de origem (Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Macedo de Cavaleiros, Mirandela, Vila Flor), escolaridade do falante (Alfabetizado/Analfabeto), sexo (Feminino/Masculino) e idade, tendo sido considerados quatro intervalos etários: [20-35], [36-50], [51-65] e [>65]. Depois de recolhido e transcrito o corpus optámos por analisar os seguintes aspectos: (i) distribuição de classes de segmentos; (ii) distribuição dos tipos silábicos; e (iii) distribuição de acento; e os seguintes processos: (i) a manutenção da africada surda (e.g. [sR\amar); (ii) a semivocalização da lateral em pronomes e determinantes (e.g. eis pagavam pouco); (iii) a centralização das vogais anteriores [-altas] (e.g. tempo> t[ã]po); (iv) a realização de /S/ em contexto final de palavra seguido de segmento [-consonântico] (e.g. a[Y]aulas; a[y]aulas; a[R]aulas); e (v) o sândi externo envolvendo a realização da nasal (e.g. assim que biam na gente). As opções metodológicas na recolha e tratamento de dados foram feitas de acordo com a abordagem metodológica da linguística variacionista laboviana (Labov 1966, 1969, 1972 [1991]), tendo sido consideradas as variáveis externas ou sociais já referidas e variáveis internas ou linguísticas específicas de cada processo analisado. A análise fonológica a partir de variáveis externas e internas permitiu-nos verificar de que forma os aspectos sociais e linguísticos se correlacionam na realização das unidades e processos já mencionados, podendo, ao mesmo tempo, contribuir para a identificação de grupos de falantes. Desta forma, concluiu-se que a ocorrência das unidades e processos fonológicos depende de factores linguísticos, como a frequência de palavra, a qualidade dos segmentos e o acento, entre outros; e das características sociais dos falantes, sendo a idade e a escolaridade os factores que, de acordo com o nosso estudo, mais influenciam o comportamento linguístico e, desta forma, aqueles que poderão concorrer para a identificação de falantes da Terra Quente Transmontana. |
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