Publicação
O papel das Organizações Não-Governamentais em situação de desastre: o caso da Organização Mundial do Movimento Escutista
| Resumo: | Com o fim da Guerra Fria assistimos ao aumento do número de atores na cena internacional, sobretudo atores da sociedade civil, dos quais destacamos as Organizações Não - - Governamentais (ONGs). Contrapondo o papel tradicional do Estado, estas organizações, que atuam mais próximas das comunidades, são vistas como instrumentos de democratização a nível local. O fenómeno da globalização provocou ainda o aumento do número de desastres, sobretudo de origem natural, consequência das alterações climáticas, do aumento da população mundial, da sobrepovoação dos centros urbanos e da sobreexploração dos recursos naturais. No entanto, segundo vários investigadores, os desastres não são eventos isolados, mas sim construções sociais. Estes amplificam problemas e desigualdades já existentes numa sociedade. Quando perigos de origem natural ou humana encontram populações vulneráveis, o resultado é catastrófico e envolve a necessidade de um pedido de ajuda internacional. De entre os vários atuantes, as ONGs são dos principais intervenientes neste tipo de cenários. No entanto, apesar da sua maior proximidade às comunidades, a grande maioria das ONGs enfrenta um conjunto de desafios à sua atuação, sobretudo a comunicação com aqueles aos quais se propõem ajudar. É sob este pano de fundo que é apresentado o presente trabalho, centrado no caso da Organização Mundial do Movimento Escutista (OMME), uma ONG Internacional (ONGI), que por estar aliada a um movimento social, o Movimento Escutista, possui uma aproximação distinta e não convencional em situação de desastres. Com base numa análise da relevância das ONGs na cena internacional e sobre o seu papel ao nível do desastre, o presente estudo explora o desempenho da OMME à luz da abordagem teórica do hybrid peacebuilding e procura encontrar uma nova classificação para as funções da organização em operações de emergência. Através da apresentação de evidências empíricas históricas e atuais, a presente investigação conclui que a OMME, embora compartindo das caraterísticas de uma ONG - dirigida por profissionais, oficialmente estabelecida, de natureza apolítica e sem fins lucrativos e atuando a nível internacional com vista ao bem-estar comum - possui uma caraterística distinta: está associada a um movimento social de atuação local (bottom-up) e, por isso, possui acesso privilegiado a uma rede de voluntários a nível mundial. Pelo seu tipo de atuação, esta é exemplo de que instituições liberais e atores locais podem dialogar e cooperar, com o objetivo de encontrar soluções que respondam às necessidades das comunidades afetadas. |
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| Autores principais: | Rêgo, Sara Isabel Ribeiro Alves |
| Assunto: | Organizações Não-Governamentais Desastre Hybrid peacebuilding Organização Mundial do Movimento Escutista Movimento escutista Nepal Haiti Non-Governmental Organizations Disaster World Organization of the Scout Movement Scout movement |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Com o fim da Guerra Fria assistimos ao aumento do número de atores na cena internacional, sobretudo atores da sociedade civil, dos quais destacamos as Organizações Não - - Governamentais (ONGs). Contrapondo o papel tradicional do Estado, estas organizações, que atuam mais próximas das comunidades, são vistas como instrumentos de democratização a nível local. O fenómeno da globalização provocou ainda o aumento do número de desastres, sobretudo de origem natural, consequência das alterações climáticas, do aumento da população mundial, da sobrepovoação dos centros urbanos e da sobreexploração dos recursos naturais. No entanto, segundo vários investigadores, os desastres não são eventos isolados, mas sim construções sociais. Estes amplificam problemas e desigualdades já existentes numa sociedade. Quando perigos de origem natural ou humana encontram populações vulneráveis, o resultado é catastrófico e envolve a necessidade de um pedido de ajuda internacional. De entre os vários atuantes, as ONGs são dos principais intervenientes neste tipo de cenários. No entanto, apesar da sua maior proximidade às comunidades, a grande maioria das ONGs enfrenta um conjunto de desafios à sua atuação, sobretudo a comunicação com aqueles aos quais se propõem ajudar. É sob este pano de fundo que é apresentado o presente trabalho, centrado no caso da Organização Mundial do Movimento Escutista (OMME), uma ONG Internacional (ONGI), que por estar aliada a um movimento social, o Movimento Escutista, possui uma aproximação distinta e não convencional em situação de desastres. Com base numa análise da relevância das ONGs na cena internacional e sobre o seu papel ao nível do desastre, o presente estudo explora o desempenho da OMME à luz da abordagem teórica do hybrid peacebuilding e procura encontrar uma nova classificação para as funções da organização em operações de emergência. Através da apresentação de evidências empíricas históricas e atuais, a presente investigação conclui que a OMME, embora compartindo das caraterísticas de uma ONG - dirigida por profissionais, oficialmente estabelecida, de natureza apolítica e sem fins lucrativos e atuando a nível internacional com vista ao bem-estar comum - possui uma caraterística distinta: está associada a um movimento social de atuação local (bottom-up) e, por isso, possui acesso privilegiado a uma rede de voluntários a nível mundial. Pelo seu tipo de atuação, esta é exemplo de que instituições liberais e atores locais podem dialogar e cooperar, com o objetivo de encontrar soluções que respondam às necessidades das comunidades afetadas. |
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