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Ideologia e investimento em arte pública: um estudo aplicado aos municípios portugueses

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Resumo:Esta dissertação investiga a forma como a orientação ideológica dos executivos municipais portugueses condiciona a aquisição de arte pública e, por extensão, a construção simbólica das cidades. Partindo da constatação de que a arte em espaços públicos é simultaneamente uma expressão estética e um instrumento político, o estudo analisa oito municípios estrategicamente escolhidos pela sua diversidade partidária. A investigação combina a análise documental dos orçamentos culturais (2020-2024) e entrevistas semiestruturadas a decisores e técnicos, permitindo a triangulação entre os dados financeiros, os processos institucionais e as narrativas dos atores. Os resultados mostram que, embora a estética das obras varie pouco entre municípios, a ideologia influencia decisivamente os critérios de seleção, os modelos de contratação, o volume de investimento e o posicionamento territorial dos projetos. Os governos de esquerda privilegiam os murais participativos nos bairros periféricos e os orçamentos estáveis, mas modestos, valorizando a inclusão social e a justiça espacial; os executivos de direita investem montantes mais elevados em esculturas icónicas ou em festivais internacionais que visam o branding urbano e o turismo; as administrações independentes combinam ambas as lógicas. Em todos os casos, a autonomia artística é modulada por filtros temáticos e órgãos curatoriais que atenuam os conflitos políticos. Conclui-se que a arte pública funciona como um mediador entre estratégias de regeneração, legitimação política e identidade coletiva. Propõe também que estudos futuros adotem amostras maiores, métricas de despesa normalizadas e avaliações de impacto social a longo prazo para aprofundar o debate sobre justiça cultural e transparência na governação local. Além disso, sugere a integração das perceções dos artistas e dos residentes, quantificando os benefícios simbólicos, económicos e emocionais que as intervenções produzem nas comunidades.
Autores principais:Teixeira, Yoan Luigi Branco
Assunto:Arte pública Ideologia política Poder local Política cultural Cultural policy Local power Political ideology Public art
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Esta dissertação investiga a forma como a orientação ideológica dos executivos municipais portugueses condiciona a aquisição de arte pública e, por extensão, a construção simbólica das cidades. Partindo da constatação de que a arte em espaços públicos é simultaneamente uma expressão estética e um instrumento político, o estudo analisa oito municípios estrategicamente escolhidos pela sua diversidade partidária. A investigação combina a análise documental dos orçamentos culturais (2020-2024) e entrevistas semiestruturadas a decisores e técnicos, permitindo a triangulação entre os dados financeiros, os processos institucionais e as narrativas dos atores. Os resultados mostram que, embora a estética das obras varie pouco entre municípios, a ideologia influencia decisivamente os critérios de seleção, os modelos de contratação, o volume de investimento e o posicionamento territorial dos projetos. Os governos de esquerda privilegiam os murais participativos nos bairros periféricos e os orçamentos estáveis, mas modestos, valorizando a inclusão social e a justiça espacial; os executivos de direita investem montantes mais elevados em esculturas icónicas ou em festivais internacionais que visam o branding urbano e o turismo; as administrações independentes combinam ambas as lógicas. Em todos os casos, a autonomia artística é modulada por filtros temáticos e órgãos curatoriais que atenuam os conflitos políticos. Conclui-se que a arte pública funciona como um mediador entre estratégias de regeneração, legitimação política e identidade coletiva. Propõe também que estudos futuros adotem amostras maiores, métricas de despesa normalizadas e avaliações de impacto social a longo prazo para aprofundar o debate sobre justiça cultural e transparência na governação local. Além disso, sugere a integração das perceções dos artistas e dos residentes, quantificando os benefícios simbólicos, económicos e emocionais que as intervenções produzem nas comunidades.