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Responsabilidade social e hipocrisia corporativa: um estudo comparativo sobre o efeito das crises de marca na atitude do consumidor

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A responsabilidade social corporativa encontra-se, atualmente, no centro da consciencialização social e ética das marcas, integrando o vasto leque de informações que estas disponibilizam. Assim, numa altura em que as marcas se encontram cada vez mais sob o escrutínio público, torna-se imperativo perceber como os consumidores reagem quando surgem escândalos numa área de responsabilidade social que a marca promove ativamente. O presente estudo tem como propósito compreender como a responsabilidade social corporativa e a perceção de hipocrisia corporativa são capazes de alterar a atitude do consumidor, no contexto de uma crise de marca. Para tal, realizou-se um estudo comparativo entre quatro marcas conhecidas do público em geral, que se depararam com crises de marca: BP, Zara, Nestlé e Volkswagen. Para este estudo, de natureza quantitativa, a amostra foi recolhida através de um questionário online, tendo-se obtido um total de 328 respostas. Os resultados obtidos verificaram a existência de alterações significativas na atitude dos consumidores antes e após terem sido expostos a informações inconsistentes entre a RSC da marca e o seu comportamento na prática. Em média, estas alterações resultaram numa atitude final do consumidor mais negativa, pelo que se depreende que a RSC agrava o impacto negativo de uma crise de marca, quando estas ocorrem na mesma área. Para além disso, todos os casos estudados comprovaram o importante papel da perceção da hipocrisia corporativa na formação de atitudes mais negativas em relação à marca, tal como sugere a literatura. No que toca às outras variáveis capazes de explicar a atitude final do consumidor, a familiaridade com a marca mostrou-se estatisticamente significativa para todas as marcas, exceto para a Zara, e a perceção inicial de RSC apresentou-se como importante apenas para a Nestlé e Volkswagen. Para além disso, concluiu-se que a maior congruência entre as iniciativas de RSC e própria marca se traduz em atitudes mais positivas. Por último, o presente estudo comprova, de forma clara, a relação positiva entre as motivações extrínsecas da marca a perceção de hipocrisia corporativa. Pela validação de vários pressupostos em situações e marcas reais, a presente investigação traz importantes contributos teóricos. Além disso, o estudo serve também para alertar os gestores para a fragilidade das iniciativas de RSC quando estas são movidas por motivos extrínsecos ou de interesse próprio, já que estas podem ser contraproducentes quando um escândalo surge na mesma área.
Autores principais:Santos, Ana Luísa Neves dos
Assunto:Atitude em relação à marca Crises de marca Hipocrisia corporativa Responsabilidade social corporativa Attitude towards the brand Brand crises Corporate hypocrisy Corporate social responsibility
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A responsabilidade social corporativa encontra-se, atualmente, no centro da consciencialização social e ética das marcas, integrando o vasto leque de informações que estas disponibilizam. Assim, numa altura em que as marcas se encontram cada vez mais sob o escrutínio público, torna-se imperativo perceber como os consumidores reagem quando surgem escândalos numa área de responsabilidade social que a marca promove ativamente. O presente estudo tem como propósito compreender como a responsabilidade social corporativa e a perceção de hipocrisia corporativa são capazes de alterar a atitude do consumidor, no contexto de uma crise de marca. Para tal, realizou-se um estudo comparativo entre quatro marcas conhecidas do público em geral, que se depararam com crises de marca: BP, Zara, Nestlé e Volkswagen. Para este estudo, de natureza quantitativa, a amostra foi recolhida através de um questionário online, tendo-se obtido um total de 328 respostas. Os resultados obtidos verificaram a existência de alterações significativas na atitude dos consumidores antes e após terem sido expostos a informações inconsistentes entre a RSC da marca e o seu comportamento na prática. Em média, estas alterações resultaram numa atitude final do consumidor mais negativa, pelo que se depreende que a RSC agrava o impacto negativo de uma crise de marca, quando estas ocorrem na mesma área. Para além disso, todos os casos estudados comprovaram o importante papel da perceção da hipocrisia corporativa na formação de atitudes mais negativas em relação à marca, tal como sugere a literatura. No que toca às outras variáveis capazes de explicar a atitude final do consumidor, a familiaridade com a marca mostrou-se estatisticamente significativa para todas as marcas, exceto para a Zara, e a perceção inicial de RSC apresentou-se como importante apenas para a Nestlé e Volkswagen. Para além disso, concluiu-se que a maior congruência entre as iniciativas de RSC e própria marca se traduz em atitudes mais positivas. Por último, o presente estudo comprova, de forma clara, a relação positiva entre as motivações extrínsecas da marca a perceção de hipocrisia corporativa. Pela validação de vários pressupostos em situações e marcas reais, a presente investigação traz importantes contributos teóricos. Além disso, o estudo serve também para alertar os gestores para a fragilidade das iniciativas de RSC quando estas são movidas por motivos extrínsecos ou de interesse próprio, já que estas podem ser contraproducentes quando um escândalo surge na mesma área.