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Pensar a Necrópole: a arquitetura como catalisador do ritual funerário

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Resumo:Com a sociedade em constante mudança, com matérias como a eutanásia e o aborto a serem debatidas e com o recente impacto da pandemia e da guerra, acentuam-se inquietações latentes sobre os espaços funerários, desde o seu desenho arquitetónico à forma como são vivenciados e apreendidos coletivamente. Esta dissertação procurou compreender a conceção do espaço funerário português e a forma como evoluiu no tempo e no espaço, estudando a sua materialização espacial e o seu simbolismo social, religioso e cultural para, por fim, indagar sobre o seu futuro. Através de uma aproximação também sociocultural, contextualiza-se a espacialização da necrópole - identificando os temas que a conformaram historicamente e analisando-os à luz da situação atual -, e pensa-se criticamente as matérias que agora definem o espaço cemiterial. Com este objetivo apresentam-se exemplares arquitetónicos, portugueses e estrangeiros, que melhor parecem representar as visões contemporâneas desse equipamento público. Finalmente, reflete-se sobre o futuro do cemitério, identificando realidades socioculturais deste século com claro impacto no entendimento da morte e nos rituais e procedimentos tanatológicos que ainda não encontraram lugar nas novas conceções funerárias. A investigação desenvolvida constata a necessidade de repensar espacialmente a necrópole, tanto do ponto de vista arquitetónico quanto da sua relação com a cidade, uma vez que ao longo do tempo foi progressivamente excluída da urbanidade, traduzindo - e reforçando - a barreira cultural a ela associada. Assim, duas perguntas se colocam: que transformações precisam de ser materializadas para que o cemitério reencontre o seu lugar nas cidades e nas sociedades contemporâneas, recuperando o seu significado espiritual e comemorativo? Que papel deverá a arquitetura cumprir no debate e na evolução do espaço funerário? Como pressuposto que orientou esta dissertação encontra-se a convicção, profunda, de que a arquitetura cemiterial, apesar de se centralizar no culto dos mortos é, essencialmente, um desígnio filosófico e material do universo dos vivos.
Autores principais:Silva, Maria de Fátima Lopes da
Assunto:Arquitetura cemiterial Contemporaneidade Memória Representação Ritual funerário Cemetery architecture Contemporaneity Memory Representation Funerary ritual
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Com a sociedade em constante mudança, com matérias como a eutanásia e o aborto a serem debatidas e com o recente impacto da pandemia e da guerra, acentuam-se inquietações latentes sobre os espaços funerários, desde o seu desenho arquitetónico à forma como são vivenciados e apreendidos coletivamente. Esta dissertação procurou compreender a conceção do espaço funerário português e a forma como evoluiu no tempo e no espaço, estudando a sua materialização espacial e o seu simbolismo social, religioso e cultural para, por fim, indagar sobre o seu futuro. Através de uma aproximação também sociocultural, contextualiza-se a espacialização da necrópole - identificando os temas que a conformaram historicamente e analisando-os à luz da situação atual -, e pensa-se criticamente as matérias que agora definem o espaço cemiterial. Com este objetivo apresentam-se exemplares arquitetónicos, portugueses e estrangeiros, que melhor parecem representar as visões contemporâneas desse equipamento público. Finalmente, reflete-se sobre o futuro do cemitério, identificando realidades socioculturais deste século com claro impacto no entendimento da morte e nos rituais e procedimentos tanatológicos que ainda não encontraram lugar nas novas conceções funerárias. A investigação desenvolvida constata a necessidade de repensar espacialmente a necrópole, tanto do ponto de vista arquitetónico quanto da sua relação com a cidade, uma vez que ao longo do tempo foi progressivamente excluída da urbanidade, traduzindo - e reforçando - a barreira cultural a ela associada. Assim, duas perguntas se colocam: que transformações precisam de ser materializadas para que o cemitério reencontre o seu lugar nas cidades e nas sociedades contemporâneas, recuperando o seu significado espiritual e comemorativo? Que papel deverá a arquitetura cumprir no debate e na evolução do espaço funerário? Como pressuposto que orientou esta dissertação encontra-se a convicção, profunda, de que a arquitetura cemiterial, apesar de se centralizar no culto dos mortos é, essencialmente, um desígnio filosófico e material do universo dos vivos.