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Aplicabilidade de fibras vegetais de espécies nativas do Brasil na produção de materiais têxteis para o vestuário

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Resumo:Com o aumento das preocupações ambientais e o esgotamento dos recursos naturais, as fibras têxteis naturais vêm ganhando destaque como alternativa às fibras de origem fóssil, que são dominantes na indústria do vestuário. A biodiversidade brasileira, aliada a novos paradigmas de desenvolvimento, representa uma fonte renovável de recursos em potencial. Neste contexto, este trabalho objetivou investigar a aplicabilidade de fibras vegetais de espécies nativas do Brasil na produção de novos materiais têxteis para aplicação ao vestuário. Com base num levantamento de plantas fibrosas do Brasil, as fibras de três espécies foram selecionadas para um estudo preliminar de caracterização físico-química, sendo escolhida a espécie Ananas bracteatus (abacaxi-vermelho) para os estudos de beneficiamento e fiação. Foram realizados três tipos de tratamento: químico, enzimático e a combinação de ambos, visando a otimização das suas propriedades. As fibras de curauá, de espécie do mesmo gênero botânico, foi utilizada como referência dado a quantidade de estudos a que já se foi sujeita. A alteração das principais características físico-químicas das fibras tratadas foi estudada. O tratamento químico mostrou-se pouco eficiente na abertura dos feixes e perda importante de resistência. O tratamento enzimático produziu fibras mais finas, conservando boa tenacidade. Para a fibra de abacaxi-vermelho, a associação dos dois tratamentos revelou-se eficiente na abertura dos feixes e conservação das propriedades mecânicas. Em análises por FT-IR identificou-se que o tratamento químico e a sua combinação com o enzimático implicaram em modificações químicas estruturais mais significativas, com redução de lignina e pectina. Foram produzidos protótipos de diferentes composições destas com algodão, (mas sempre em misturas ricas nestas fibras). O fio 50 % abacaxi-vermelho 50 % algodão foi o mais fino e delicado, mas também o de pior desempenho mecânico. Em termos de conforto termofisiológico, o fio 100 % algodão indicou capacidade de transferência e absorção de calor ligeiramente maiores aos fios com misturas com abacaxi-vermelho ou curauá. Em relação à capilaridade, o comportamento é semelhante ao algodão. A partir dos resultados, conclui-se a viabilidade técnica de aplicação das fibras de abacaxi-vermelho na produção de fios, cabendo investigar futuramente métodos mais otimizados de beneficiamento e de produção dos fios e tecidos de modo a compreender mais amplamente propriedades de desempenho do vestuário e de conforto.
Autores principais:Queiroz, Rayana Santiago de
Assunto:Abacaxi-vermelho Curauá Algodonização Tratamento enzimático Fiação Vestuário Conforto termofisiológico Red pineapple Cottonization Enzymatic treatment Spinning Apparel Thermophysiological comfort
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Com o aumento das preocupações ambientais e o esgotamento dos recursos naturais, as fibras têxteis naturais vêm ganhando destaque como alternativa às fibras de origem fóssil, que são dominantes na indústria do vestuário. A biodiversidade brasileira, aliada a novos paradigmas de desenvolvimento, representa uma fonte renovável de recursos em potencial. Neste contexto, este trabalho objetivou investigar a aplicabilidade de fibras vegetais de espécies nativas do Brasil na produção de novos materiais têxteis para aplicação ao vestuário. Com base num levantamento de plantas fibrosas do Brasil, as fibras de três espécies foram selecionadas para um estudo preliminar de caracterização físico-química, sendo escolhida a espécie Ananas bracteatus (abacaxi-vermelho) para os estudos de beneficiamento e fiação. Foram realizados três tipos de tratamento: químico, enzimático e a combinação de ambos, visando a otimização das suas propriedades. As fibras de curauá, de espécie do mesmo gênero botânico, foi utilizada como referência dado a quantidade de estudos a que já se foi sujeita. A alteração das principais características físico-químicas das fibras tratadas foi estudada. O tratamento químico mostrou-se pouco eficiente na abertura dos feixes e perda importante de resistência. O tratamento enzimático produziu fibras mais finas, conservando boa tenacidade. Para a fibra de abacaxi-vermelho, a associação dos dois tratamentos revelou-se eficiente na abertura dos feixes e conservação das propriedades mecânicas. Em análises por FT-IR identificou-se que o tratamento químico e a sua combinação com o enzimático implicaram em modificações químicas estruturais mais significativas, com redução de lignina e pectina. Foram produzidos protótipos de diferentes composições destas com algodão, (mas sempre em misturas ricas nestas fibras). O fio 50 % abacaxi-vermelho 50 % algodão foi o mais fino e delicado, mas também o de pior desempenho mecânico. Em termos de conforto termofisiológico, o fio 100 % algodão indicou capacidade de transferência e absorção de calor ligeiramente maiores aos fios com misturas com abacaxi-vermelho ou curauá. Em relação à capilaridade, o comportamento é semelhante ao algodão. A partir dos resultados, conclui-se a viabilidade técnica de aplicação das fibras de abacaxi-vermelho na produção de fios, cabendo investigar futuramente métodos mais otimizados de beneficiamento e de produção dos fios e tecidos de modo a compreender mais amplamente propriedades de desempenho do vestuário e de conforto.