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Bem-estar e qualidade de vida de crianças em contextos de pobreza

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Existe um vasto acervo acerca da pobreza infantil que documenta os seus efeitos deletérios na saúde, desenvolvimento e bem-estar das crianças. Estes efeitos estão consistentemente associados às circunstâncias da pobreza, que são caracterizadas pela falta de recursos de suporte e estímulo desenvolvimental e pela exposição ambiental ao risco físico e psicossocial. A pesquisa tem estado centrada na análise de variáveis e trajetórias isoladas do bem-estar e da ecologia social das crianças, ignorando possíveis efeitos cumulativos da exposição a recursos ecológicos e fatores promotores do desenvolvimento que são concomitantes com o risco. No presente estudo foi aplicada uma metodologia exploratória e correlacional, que aferisse a natureza e dinâmicas das associações existentes entre características sociodemográficas, indicadores de risco familiar, recursos ecológicos, e o bemestar e qualidade de vida de crianças em situação de pobreza, de forma a testar efeitos cumulativos e mediadores dos recursos ecológicos. A amostra é constituída por 125 crianças entre os 8 e os 16 anos de idade, pertencentes a famílias em risco de pobreza e exclusão social, apoiadas por respostas sociais prestadoras de serviços à família e comunidade. Os resultados indicaram que (a) crianças com mais recursos ecológicos apresentam níveis mais elevados no seu bem-estar e qualidade de vida; (b) características sociodemográficas específicas e indicadores de risco familiar predizem menos recursos ecológicos da criança e níveis mais baixos no seu bem-estar e qualidade de vida, observando-se efeitos mediadores dos recursos ecológicos na presença de risco familiar; (c) o sexo e idade da criança são bons preditores da sua qualidade de vida, verificando-se, no entanto, um efeito mediador dos recursos ecológicos da criança. Estes dados fornecem suporte à hipótese de efeitos cumulativos dos recursos ecológicos no bem-estar das crianças, relevando a importância de uma abordagem ecológica, centrada em mecanismos mediadores, à pobreza infantil e bemestar.
Autores principais:Oliveira, Vítor Hugo Pereira
Assunto:Crianças Bem-estar Qualidade de vida Pobreza infantil Recursos ecológicos Efeitos mediadores Children Well-being Quality of life Child poverty Ecological resources Mediating effects
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Existe um vasto acervo acerca da pobreza infantil que documenta os seus efeitos deletérios na saúde, desenvolvimento e bem-estar das crianças. Estes efeitos estão consistentemente associados às circunstâncias da pobreza, que são caracterizadas pela falta de recursos de suporte e estímulo desenvolvimental e pela exposição ambiental ao risco físico e psicossocial. A pesquisa tem estado centrada na análise de variáveis e trajetórias isoladas do bem-estar e da ecologia social das crianças, ignorando possíveis efeitos cumulativos da exposição a recursos ecológicos e fatores promotores do desenvolvimento que são concomitantes com o risco. No presente estudo foi aplicada uma metodologia exploratória e correlacional, que aferisse a natureza e dinâmicas das associações existentes entre características sociodemográficas, indicadores de risco familiar, recursos ecológicos, e o bemestar e qualidade de vida de crianças em situação de pobreza, de forma a testar efeitos cumulativos e mediadores dos recursos ecológicos. A amostra é constituída por 125 crianças entre os 8 e os 16 anos de idade, pertencentes a famílias em risco de pobreza e exclusão social, apoiadas por respostas sociais prestadoras de serviços à família e comunidade. Os resultados indicaram que (a) crianças com mais recursos ecológicos apresentam níveis mais elevados no seu bem-estar e qualidade de vida; (b) características sociodemográficas específicas e indicadores de risco familiar predizem menos recursos ecológicos da criança e níveis mais baixos no seu bem-estar e qualidade de vida, observando-se efeitos mediadores dos recursos ecológicos na presença de risco familiar; (c) o sexo e idade da criança são bons preditores da sua qualidade de vida, verificando-se, no entanto, um efeito mediador dos recursos ecológicos da criança. Estes dados fornecem suporte à hipótese de efeitos cumulativos dos recursos ecológicos no bem-estar das crianças, relevando a importância de uma abordagem ecológica, centrada em mecanismos mediadores, à pobreza infantil e bemestar.