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Retrato do poeta como artista

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O diálogo com as artes na escrita literária de Vasco Graça Moura, que retrocede ao seu primeiro livro de poesia, mais do que uma prática regular revela ser uma espécie de inevitabilidade, uma experiência ‘incorporada’, ou ‘culturalmente naturalizada’ e com assumidos nexos autobiográficos, através da qual se interroga o próprio fazer poético. A insistência na possibilidade ou no reconhecimento das interferências e simetrias entre ofícios, na procura do que habitualmente designa por ‘equivalentes verbais’ comparece como um refrão quase obstinado em prefácios, notas, esclarecimentos com que significativamente faz acompanhar a sua produção poética, tornando manifesta uma hiperconsciência crítica interessada em debater processos, enigmas, quiçá milagres comuns aos fazeres artísticos. O nomadismo artístico de VGM, a par do seu nomadismo cultural, é como se tem dito omnívoro e irrestritivo: e se é certo que nele se desenha uma trajectória predominantemente erudita e europeia, não deixa de ser patente na sua poesia o diálogo com variantes mais populares ou porventura ‘menos cultas’ de manifestação estética. Desde as artes visuais - nelas se incluindo a pintura, o desenho, a escultura, a fotografia, o cinema - até à música, o território artístico indagado é temporal e genealogicamente expansivo, ilimitadamente permeável à contaminação, ao palimpsesto, ao reenvio, a ponto de por aí se operar aquela espécie de contracção geral do sentido histórico que Mario Praz, reflectindo sobre a arte e os artistas modernos, comparou a uma experiência do afogamento.
Autores principais:Ribeiro, Eunice
Assunto:Poesia Artes Autobiografia Retrato
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:capítulo de livro
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:O diálogo com as artes na escrita literária de Vasco Graça Moura, que retrocede ao seu primeiro livro de poesia, mais do que uma prática regular revela ser uma espécie de inevitabilidade, uma experiência ‘incorporada’, ou ‘culturalmente naturalizada’ e com assumidos nexos autobiográficos, através da qual se interroga o próprio fazer poético. A insistência na possibilidade ou no reconhecimento das interferências e simetrias entre ofícios, na procura do que habitualmente designa por ‘equivalentes verbais’ comparece como um refrão quase obstinado em prefácios, notas, esclarecimentos com que significativamente faz acompanhar a sua produção poética, tornando manifesta uma hiperconsciência crítica interessada em debater processos, enigmas, quiçá milagres comuns aos fazeres artísticos. O nomadismo artístico de VGM, a par do seu nomadismo cultural, é como se tem dito omnívoro e irrestritivo: e se é certo que nele se desenha uma trajectória predominantemente erudita e europeia, não deixa de ser patente na sua poesia o diálogo com variantes mais populares ou porventura ‘menos cultas’ de manifestação estética. Desde as artes visuais - nelas se incluindo a pintura, o desenho, a escultura, a fotografia, o cinema - até à música, o território artístico indagado é temporal e genealogicamente expansivo, ilimitadamente permeável à contaminação, ao palimpsesto, ao reenvio, a ponto de por aí se operar aquela espécie de contracção geral do sentido histórico que Mario Praz, reflectindo sobre a arte e os artistas modernos, comparou a uma experiência do afogamento.