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Contextos e práticas funerárias da Idade do Bronze na Serra da Freita (Centro-Norte de Portugal)

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Os monumentos sob tumuli de dimensões reduzidas traduzem um fenómeno de âmbito funerário, incluível cronologicamente na Idade do Bronze, que se verifica nalgumas áreas da fachada atlântica da Península Ibérica, essencialmente no Norte, Centro-Norte de Portugal e Beira Alta. No presente trabalho pretende-se dar a conhecer a investigação levada a cabo no núcleo de tumuli localizado no extremo sudoeste da Serra da Freita, no concelho de Vale de Cambra e Arouca. Com base nalguns pressupostos teóricos, procedemos à relocalização dos monumentos, assim como à sua descrição e contextualização espacial. Procedemos igualmente à escavação do tumulus de Laceiras do Côvo 3. Do conjunto do trabalho desenvolvido, foi possível perceber que em termos espaciais os monumentos se localizam na linha de cumeada do planalto superior da Freita, numa zona de contacto entre xistos e granitos, com ocorrências de quartzo aflorante e recursos mineiros de cassiterite, em solos pobres mas favoráveis à pastorícia e em áreas de encruzilhadas de caminhos que dão acesso a pontos distintos da serra. No que diz respeito às arquiteturas, pudemos constatar a existência uma grande variedade nas tipologias construtivas dos montículos e das áreas sepulcrais, confirmando a grande diversidade presente nos contextos funerários da Idade do Bronze. É igualmente de assinalar a grande policromia de todos eles, resultante do uso de diferentes materiais geológicos usados. Tais elementos permitiram elaborar algumas interpretações sobre o universo de crenças destas comunidades, nomeadamente a importância da visibilidade da morte e o caráter animista destas populações. No que concerne aos modos de vida dos construtores destes túmulos, os dados arqueológicos, complementados com dados de ordem antropológica como os modos de vida tradicionais, a memória popular e lendas associadas, permitemnos avançar hipóteses interpretativas que relacionam estas construções com comunidades de pastores que se deslocariam periodicamente à montanha em busca de alimento para os animais.
Autores principais:Sá, Edite
Assunto:Serra da Freita Idade do Bronze Contextos e práticas funerárias Pastores Metalurgistas Visibilidade da morte Animismo Mountains of Freita Bronze age Funerary contexts and practices Shepherds Blacksmiths Significance of the visibility of death Animism
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Os monumentos sob tumuli de dimensões reduzidas traduzem um fenómeno de âmbito funerário, incluível cronologicamente na Idade do Bronze, que se verifica nalgumas áreas da fachada atlântica da Península Ibérica, essencialmente no Norte, Centro-Norte de Portugal e Beira Alta. No presente trabalho pretende-se dar a conhecer a investigação levada a cabo no núcleo de tumuli localizado no extremo sudoeste da Serra da Freita, no concelho de Vale de Cambra e Arouca. Com base nalguns pressupostos teóricos, procedemos à relocalização dos monumentos, assim como à sua descrição e contextualização espacial. Procedemos igualmente à escavação do tumulus de Laceiras do Côvo 3. Do conjunto do trabalho desenvolvido, foi possível perceber que em termos espaciais os monumentos se localizam na linha de cumeada do planalto superior da Freita, numa zona de contacto entre xistos e granitos, com ocorrências de quartzo aflorante e recursos mineiros de cassiterite, em solos pobres mas favoráveis à pastorícia e em áreas de encruzilhadas de caminhos que dão acesso a pontos distintos da serra. No que diz respeito às arquiteturas, pudemos constatar a existência uma grande variedade nas tipologias construtivas dos montículos e das áreas sepulcrais, confirmando a grande diversidade presente nos contextos funerários da Idade do Bronze. É igualmente de assinalar a grande policromia de todos eles, resultante do uso de diferentes materiais geológicos usados. Tais elementos permitiram elaborar algumas interpretações sobre o universo de crenças destas comunidades, nomeadamente a importância da visibilidade da morte e o caráter animista destas populações. No que concerne aos modos de vida dos construtores destes túmulos, os dados arqueológicos, complementados com dados de ordem antropológica como os modos de vida tradicionais, a memória popular e lendas associadas, permitemnos avançar hipóteses interpretativas que relacionam estas construções com comunidades de pastores que se deslocariam periodicamente à montanha em busca de alimento para os animais.