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Sentidos da diversidade em São Paulo e Lisboa: patrimônios e alteridades nos centros urbanos

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Summary:Esta pesquisa investiga quais os sentidos produzidos pelos patrimônios culturais edificados que compõem o espaço urbano das regiões centrais de Lisboa e São Paulo onde se observa a presença contínua de grupos sociais minorizados que ali desenvolvem suas práticas de vida e deixam suas marcas e em que medida tais práticas participam da produção de sentido desses locais a ponto de inscreverem novas camadas de memória no espaço público e desestabilizarem as narrativas identitárias dominantes. Para isso, desenvolvemos um estudo comparativo sobre pontos de visibilidade dos patrimônios culturais materiais/imóveis presentes nos espaços públicos destas cidades, com uma abordagem à luz da teoria semiótica greimasiana e seus desdobramentos, em articulação com os conceitos dos Estudos Culturais. Desta forma, buscamos identificar traços identitários e narrativas presentes ou ausentes que representam ou não as populações e as práticas de vida que habitam esses espaços a fim de compreender de que modo esses patrimônios se colocam em interação com esses grupos e em que medida são ressemantizados no tempo presente. Para tanto, perseguimos a hipótese central de que os patrimônios culturais que habitam espaços públicos dessas áreas não acompanham o atual apelo global à diversidade cultural e, ao contrário, traduzem identidades dominantes que mobilizam diversas formas de colonialidade e produzem semioticamente diferenças que atuam na manutenção da exclusão ou invisibilização das populações politicamente minorizadas. O estudo está dividido em duas partes: a análise dos discursos e eventos que atuam historicamente na construção de uma identidade dominante que permanece presentificada nos patrimônios das duas cidades; a identificação e análise a partir da presença da pesquisadora nos locais que compõem o corpus, inseridos em seus centros históricos e áreas contíguas, onde se observa a presença de grupos sociais minorizados que estabelecem relações com esses patrimônios. Os resultados mostram que, embora a reafirmação das identidades dominantes persista na paisagem de ambas as cidades, a insistente presença desses grupos e suas práticas de vida inserem descontinuidades na lógica dominante do espaço urbano e criam ali formas de política prefigurativa, revelando caminhos para a produção de um patrimônio ambiental urbano mais alinhado com a realidade social das capitais contemporâneas.
Main Authors:Altamirano, Micaela
Subject:Estudos culturais Identidades e alteridades Patrimônio cultural urbano Semiótica greimasiana Cultural studies Greimasian semiotics Identities and alterity Urban cultural heritage
Year:2023
Country:Portugal
Document type:doctoral thesis
Access type:open access
Associated institution:Universidade do Minho
Language:Portuguese
Origin:RepositóriUM - Universidade do Minho
Description
Summary:Esta pesquisa investiga quais os sentidos produzidos pelos patrimônios culturais edificados que compõem o espaço urbano das regiões centrais de Lisboa e São Paulo onde se observa a presença contínua de grupos sociais minorizados que ali desenvolvem suas práticas de vida e deixam suas marcas e em que medida tais práticas participam da produção de sentido desses locais a ponto de inscreverem novas camadas de memória no espaço público e desestabilizarem as narrativas identitárias dominantes. Para isso, desenvolvemos um estudo comparativo sobre pontos de visibilidade dos patrimônios culturais materiais/imóveis presentes nos espaços públicos destas cidades, com uma abordagem à luz da teoria semiótica greimasiana e seus desdobramentos, em articulação com os conceitos dos Estudos Culturais. Desta forma, buscamos identificar traços identitários e narrativas presentes ou ausentes que representam ou não as populações e as práticas de vida que habitam esses espaços a fim de compreender de que modo esses patrimônios se colocam em interação com esses grupos e em que medida são ressemantizados no tempo presente. Para tanto, perseguimos a hipótese central de que os patrimônios culturais que habitam espaços públicos dessas áreas não acompanham o atual apelo global à diversidade cultural e, ao contrário, traduzem identidades dominantes que mobilizam diversas formas de colonialidade e produzem semioticamente diferenças que atuam na manutenção da exclusão ou invisibilização das populações politicamente minorizadas. O estudo está dividido em duas partes: a análise dos discursos e eventos que atuam historicamente na construção de uma identidade dominante que permanece presentificada nos patrimônios das duas cidades; a identificação e análise a partir da presença da pesquisadora nos locais que compõem o corpus, inseridos em seus centros históricos e áreas contíguas, onde se observa a presença de grupos sociais minorizados que estabelecem relações com esses patrimônios. Os resultados mostram que, embora a reafirmação das identidades dominantes persista na paisagem de ambas as cidades, a insistente presença desses grupos e suas práticas de vida inserem descontinuidades na lógica dominante do espaço urbano e criam ali formas de política prefigurativa, revelando caminhos para a produção de um patrimônio ambiental urbano mais alinhado com a realidade social das capitais contemporâneas.