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Intimamente na sombra do bardo: ressonâncias de Shakespeare na lírica amorosa de Elizabeth Barrett Browning

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Shakespeare na qualidade de ‘poet-hero’ e de ‘poet of womankind’, parece ter sido indispensável para os vitorianos de um modo geral. Se os sonetos do poeta renascentista português estão presentes na nossa mente, os sonetos de Shakespeare estão inevitavelmente presentes na mente de quem lê os Sonnets from the Portuguese de EBB, parecendo indiciar uma relação latente entre ambas as sequências. Estes estão longe de ser poemas típicos sobre o amor, revelando peculiaridades psicológicas na posição de EBB. Ela teve não só de resolver questões formais – a adaptação de uma forma tipicamente renascentista a uma linguagem quase coloquial e a um contexto contemporâneo – mas também de contrariar a convenção central da tradição sonetista de que à mulher é tradicionalmente atribuído o papel de objecto amado e nunca de sujeito poético. EBB não é uma copista servil e circunscrita das palavras de Shakespeare; as citações e alusões ao bardo reconhecem a devida diferença histórica e enfatizam transmissão e interrelação. Trata-se de uma relação de reconhecimento mútuo, de cooperação e de potencial criatividade, de um enriquecimento da fonte através de um novo conjunto de ressonâncias. A partir desta relação íntima, EBB constrói uma linguagem da intimidade na qual se dirige aos seus amigos mais próximos e ao seu amado Robert Browning. É uma linguagem que lhe permite, através do jogo de papéis, da liberdade de conhecimentos partilhados e da alusão quase silenciosa, encontrar um meio de articulação e de exposição de pensamentos íntimos fora das convenções vitorianas.
Autores principais:Guimarães, Paula Alexandra
Assunto:Elizabeth B Browning Shakespeare Sonetos Ressonância Lírica amorosa Camões
Ano:2010
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Shakespeare na qualidade de ‘poet-hero’ e de ‘poet of womankind’, parece ter sido indispensável para os vitorianos de um modo geral. Se os sonetos do poeta renascentista português estão presentes na nossa mente, os sonetos de Shakespeare estão inevitavelmente presentes na mente de quem lê os Sonnets from the Portuguese de EBB, parecendo indiciar uma relação latente entre ambas as sequências. Estes estão longe de ser poemas típicos sobre o amor, revelando peculiaridades psicológicas na posição de EBB. Ela teve não só de resolver questões formais – a adaptação de uma forma tipicamente renascentista a uma linguagem quase coloquial e a um contexto contemporâneo – mas também de contrariar a convenção central da tradição sonetista de que à mulher é tradicionalmente atribuído o papel de objecto amado e nunca de sujeito poético. EBB não é uma copista servil e circunscrita das palavras de Shakespeare; as citações e alusões ao bardo reconhecem a devida diferença histórica e enfatizam transmissão e interrelação. Trata-se de uma relação de reconhecimento mútuo, de cooperação e de potencial criatividade, de um enriquecimento da fonte através de um novo conjunto de ressonâncias. A partir desta relação íntima, EBB constrói uma linguagem da intimidade na qual se dirige aos seus amigos mais próximos e ao seu amado Robert Browning. É uma linguagem que lhe permite, através do jogo de papéis, da liberdade de conhecimentos partilhados e da alusão quase silenciosa, encontrar um meio de articulação e de exposição de pensamentos íntimos fora das convenções vitorianas.