Publicação
Medos pandémicos em tempos sombrios e de silêncios ensurdecedores
| Resumo: | [Excerto] O tema que nos propomos desenvolver adquire uma sensação mais estranha se for colocado sob a proteção do deus Pã da mitologia grega, que significa “natureza viva” e também a encarnação do Universo (o Todo), particularmente sob um dos seus atributos, que é o de provocar pânico e terror repentinos pela sua turbulência endógena. Por isso é que Pã é um deus perturbador do espírito e enlouquecedor dos sentidos (parentesco com Dioniso). Perceber-se-á então que os silêncios nestes tempos sombrios e de profunda incerteza não poderão deixar de ser ameaçadoramente ensurdecedores e paradoxalmente monótonos: tempos de horror e de angústia existencial, mergulhados num imaginário apocalítico, senão mesmo escatológico, onde parece que o fim do mundo e das nossas vidas nunca esteve tão próximo. Fica-se com a certeza de que a ideia de fim do mundo (a orientação escatológica) assombra a mentalidade coletiva do nosso tempo2 (Boia, 1989; Delumeau, 1997; Dumas-Reungoat, 2001; Foessel, 2012; Ricoeur, 2002, p. 307-477). [...] |
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| Autores principais: | Araújo, Alberto Filipe |
| Assunto: | COVID-19 Pandemia |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | capítulo de livro |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | [Excerto] O tema que nos propomos desenvolver adquire uma sensação mais estranha se for colocado sob a proteção do deus Pã da mitologia grega, que significa “natureza viva” e também a encarnação do Universo (o Todo), particularmente sob um dos seus atributos, que é o de provocar pânico e terror repentinos pela sua turbulência endógena. Por isso é que Pã é um deus perturbador do espírito e enlouquecedor dos sentidos (parentesco com Dioniso). Perceber-se-á então que os silêncios nestes tempos sombrios e de profunda incerteza não poderão deixar de ser ameaçadoramente ensurdecedores e paradoxalmente monótonos: tempos de horror e de angústia existencial, mergulhados num imaginário apocalítico, senão mesmo escatológico, onde parece que o fim do mundo e das nossas vidas nunca esteve tão próximo. Fica-se com a certeza de que a ideia de fim do mundo (a orientação escatológica) assombra a mentalidade coletiva do nosso tempo2 (Boia, 1989; Delumeau, 1997; Dumas-Reungoat, 2001; Foessel, 2012; Ricoeur, 2002, p. 307-477). [...] |
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