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Representações do colonialismo nos Manuais Escolares de História do 1º ciclo do ensino secundário geral no período pós-independência em Moçambique

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Resumo:Investigar as representações sociais constitui um dos propósitos dos Estudos Culturais, que têm o compromisso de examinar criticamente os modos de interpretação da realidade social e as práticas culturais. Este processo tem sido caraterizado por conflitos sociais e pelas relações de poder, tendentes a apropriação e seleção de memórias do passado por um grupo, assim como para o seu apagamento ou silenciamento. Por isso, esta investigação enquadrada nos Estudos Culturais procura analisar como é que o passado colonial tem sido representado nos manuais escolares de História do 1º ciclo do ensino secundário geral em Moçambique, no período após a independência e que propósitos a ele se relacionavam. Trata-se de aferir até que ponto as relações entre Moçambique e Portugal, inicialmente constituídas na base da diferenciação e de dominação (nós vs. eles, europeus vs. africanos, etc.), foram sendo reconstruídas e modificadas para uma relação menos binária e no reconhecimento do “outro” como parte de “nós”. Deste modo, enquadrada nos estudos culturais, a pesquisa tem como propósito compreender como é que as práticas sociais do passado colonial têm influenciado as relações interculturais no presente. O trabalho pretende trazer as diversas versões de interpretação desse passado de forma a contribuir para a convivência social. Para o efeito, foram analisados os manuais escolares de História da 9ª e 10ª classes, por serem os que mais abordam o colonialismo. A análise de conteúdo dos manuais escolares foi complementada com a análise de entrevistas a decisores da política educativa, autores dos manuais escolares e professores de História em várias províncias moçambicanas. A análise efetuada aponta para uma abordagem diferenciada do colonialismo em função dos contextos políticos vigentes. Desde a independência nacional em 1975 até a introdução da Constituição em 1990, o colonialismo foi descrito como “a razão do sofrimento e do subdesenvolvimento” dos moçambicanos. Por isso, o desencadeamento da luta de libertação como a forma mais ativa de resgate da dignidade. Por seu turno, o período subsequente, o colonialismo tem sido representado de forma crítica e reflexiva, com o objetivo de esbater dicotomias profundas e valorizar a diversidade cultural, ajudando assim, a socialização cívica dos alunos.
Autores principais:Jamal, Cassimo Manuel
Assunto:colonialismo identidade social Manual escolar memória social representações sociais da história colonialism social identity social memory social representations of history School textbooks
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Investigar as representações sociais constitui um dos propósitos dos Estudos Culturais, que têm o compromisso de examinar criticamente os modos de interpretação da realidade social e as práticas culturais. Este processo tem sido caraterizado por conflitos sociais e pelas relações de poder, tendentes a apropriação e seleção de memórias do passado por um grupo, assim como para o seu apagamento ou silenciamento. Por isso, esta investigação enquadrada nos Estudos Culturais procura analisar como é que o passado colonial tem sido representado nos manuais escolares de História do 1º ciclo do ensino secundário geral em Moçambique, no período após a independência e que propósitos a ele se relacionavam. Trata-se de aferir até que ponto as relações entre Moçambique e Portugal, inicialmente constituídas na base da diferenciação e de dominação (nós vs. eles, europeus vs. africanos, etc.), foram sendo reconstruídas e modificadas para uma relação menos binária e no reconhecimento do “outro” como parte de “nós”. Deste modo, enquadrada nos estudos culturais, a pesquisa tem como propósito compreender como é que as práticas sociais do passado colonial têm influenciado as relações interculturais no presente. O trabalho pretende trazer as diversas versões de interpretação desse passado de forma a contribuir para a convivência social. Para o efeito, foram analisados os manuais escolares de História da 9ª e 10ª classes, por serem os que mais abordam o colonialismo. A análise de conteúdo dos manuais escolares foi complementada com a análise de entrevistas a decisores da política educativa, autores dos manuais escolares e professores de História em várias províncias moçambicanas. A análise efetuada aponta para uma abordagem diferenciada do colonialismo em função dos contextos políticos vigentes. Desde a independência nacional em 1975 até a introdução da Constituição em 1990, o colonialismo foi descrito como “a razão do sofrimento e do subdesenvolvimento” dos moçambicanos. Por isso, o desencadeamento da luta de libertação como a forma mais ativa de resgate da dignidade. Por seu turno, o período subsequente, o colonialismo tem sido representado de forma crítica e reflexiva, com o objetivo de esbater dicotomias profundas e valorizar a diversidade cultural, ajudando assim, a socialização cívica dos alunos.