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Percepção dos homens gambianos residentes na República da Gâmbia sobre a circuncisão feminina

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Resumo:O presente estudo teve como finalidade examinar fatualmente os acontecimentos, pensamentos e emoções que os homens gambianos residentes na Gâmbia possuem em relação a uma questão que lhes é tabu, a circuncisão feminina. Foram analisadas 11 entrevistas efetuadas a homens com idades compreendidas entre os 20 e os 45 anos. Todos os participantes possuíam um nível de escolaridade acima da média, para as comunidades em questão, e são todos muçulmanos. Responderam as mesmas questões: O que é a circuncisão feminina?; Quer falar um pouco sobre os tipos de circuncisão feminina que existem?; Por que se faz a circuncisão feminina? e; por último, A circuncisão feminina deve continuar? Quer falar um pouco sobre o assunto?. Após a constituição do corpus de estudo efectuou-se a análise temática dos dados. Esta analise permitiu identificar uma serie de concepções solidamente interiorizadas e com forte componente cultural. Os sistemas de símbolos e de significados encontram-se grandemente influenciados pelo regime superestrutural, praticamente estático, destas comunidades. Assim, verificase que a modificação genital feminina étnica rege-se por uma poderosíssima componente educacional, que tanto pode ser ao nível da religião (sem no entanto, estar inscrita no Corão) e/ou dos processos tradicionais. O poder participativo que os homens possuem em todo o sistema sócio-cultural, político e económico é determinante na sociedade. São estes que constituem o grupo hegemónico que determina a manutenção ou a alteração de comportamentos/práticas. Considerando os seus testemunhos chega-se a conclusão que a erradicação da prática está longe de ser uma realidade. Que a manutenção e o reforço da mesma, por parte de quem se encontra informado sobre as consequências nefastas, é uma realidade. Os resultados induzem a um repensar sobre crenças e a criação de condições tanto ao nível hospitalar como de formação das profissionais tradicionais que executam este procedimento. Deste modo, fica salvaguardado o direito humano à diversidade cultural, o que vai permitir coexistir e criar espaço para o diálogo entre os praticantes e os outros povos.
Autores principais:Reis, Analisa dos Santos Teixeira da Costa
Assunto:Circuncisão Mutilação genital feminina Modificação genital feminina étnica Visão endógena Diversidade cultural Circumcision Female genital mutilation Female genital modification ethnic Vision endogenous Cultural diversity
Ano:2011
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:O presente estudo teve como finalidade examinar fatualmente os acontecimentos, pensamentos e emoções que os homens gambianos residentes na Gâmbia possuem em relação a uma questão que lhes é tabu, a circuncisão feminina. Foram analisadas 11 entrevistas efetuadas a homens com idades compreendidas entre os 20 e os 45 anos. Todos os participantes possuíam um nível de escolaridade acima da média, para as comunidades em questão, e são todos muçulmanos. Responderam as mesmas questões: O que é a circuncisão feminina?; Quer falar um pouco sobre os tipos de circuncisão feminina que existem?; Por que se faz a circuncisão feminina? e; por último, A circuncisão feminina deve continuar? Quer falar um pouco sobre o assunto?. Após a constituição do corpus de estudo efectuou-se a análise temática dos dados. Esta analise permitiu identificar uma serie de concepções solidamente interiorizadas e com forte componente cultural. Os sistemas de símbolos e de significados encontram-se grandemente influenciados pelo regime superestrutural, praticamente estático, destas comunidades. Assim, verificase que a modificação genital feminina étnica rege-se por uma poderosíssima componente educacional, que tanto pode ser ao nível da religião (sem no entanto, estar inscrita no Corão) e/ou dos processos tradicionais. O poder participativo que os homens possuem em todo o sistema sócio-cultural, político e económico é determinante na sociedade. São estes que constituem o grupo hegemónico que determina a manutenção ou a alteração de comportamentos/práticas. Considerando os seus testemunhos chega-se a conclusão que a erradicação da prática está longe de ser uma realidade. Que a manutenção e o reforço da mesma, por parte de quem se encontra informado sobre as consequências nefastas, é uma realidade. Os resultados induzem a um repensar sobre crenças e a criação de condições tanto ao nível hospitalar como de formação das profissionais tradicionais que executam este procedimento. Deste modo, fica salvaguardado o direito humano à diversidade cultural, o que vai permitir coexistir e criar espaço para o diálogo entre os praticantes e os outros povos.