Publicação
As famílias tribais
| Resumo: | (Excerto) A crise tornou-se num conceito premente da modernidade. Ao ponto de constituir uma preocupação de ordem conceptual mais do que de ordem real. Fala-se indistintamente de crise das instituições e dos valores, da família e do casamento. Parece que existe mesmo um movimento necrófilo que se apoderou das ciências sociais, anunciando sucessivamente, e às vezes simultaneamente, a morte do homem, o fim da história, o falhanço da moral, o desaparecimento da família tradicional. Tal obsessão explica-se quiçá pelo sociocentrismo da modernidade, inerente à cultura ocidental, que padronizou formas de vida específicos, atribuindo-lhes um valor universal. Deste ponto de vista, e como bem o viu o filósofo José Gil, a crise não é mais do que a expressão da modernidade ocidental que está «a reduzir cada vez mais a margem das possibilidades, das possibilidades de vida, das possibilidades de escolha. Cada vez mais aparece, como única possibilidade, uma via única: uma via única de ter um emprego, uma via única de criar uma família, uma via única de pensar, de ter emoções, de amar…» («Entrevista a José Gil», in Jornal de Negócios, de 8 de Janeiro de 2010, pp. 6-9: 9 para a citação). Assim, a modernidade viu-se incapaz de compreender os processos de mudança a que toda a forma instituída fica submetida. Ficou, embora de forma secularizada, enraizada na moral religiosa do Ocidente, segundo a qual «o casamento estável entre um homem e uma mulher é um dos princípios não negociáveis» para «uma correcta convivência civil e cristã», como o professou o cardeal Saraiva Martins na Igreja da Santíssima Trindade, no quadro das celebrações do dia 13 de Maio de 2008, em Fátima. |
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| Autores principais: | Rabot, Jean-Martin |
| Assunto: | Famílias Tribos |
| Ano: | 2010 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | capítulo de livro |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | (Excerto) A crise tornou-se num conceito premente da modernidade. Ao ponto de constituir uma preocupação de ordem conceptual mais do que de ordem real. Fala-se indistintamente de crise das instituições e dos valores, da família e do casamento. Parece que existe mesmo um movimento necrófilo que se apoderou das ciências sociais, anunciando sucessivamente, e às vezes simultaneamente, a morte do homem, o fim da história, o falhanço da moral, o desaparecimento da família tradicional. Tal obsessão explica-se quiçá pelo sociocentrismo da modernidade, inerente à cultura ocidental, que padronizou formas de vida específicos, atribuindo-lhes um valor universal. Deste ponto de vista, e como bem o viu o filósofo José Gil, a crise não é mais do que a expressão da modernidade ocidental que está «a reduzir cada vez mais a margem das possibilidades, das possibilidades de vida, das possibilidades de escolha. Cada vez mais aparece, como única possibilidade, uma via única: uma via única de ter um emprego, uma via única de criar uma família, uma via única de pensar, de ter emoções, de amar…» («Entrevista a José Gil», in Jornal de Negócios, de 8 de Janeiro de 2010, pp. 6-9: 9 para a citação). Assim, a modernidade viu-se incapaz de compreender os processos de mudança a que toda a forma instituída fica submetida. Ficou, embora de forma secularizada, enraizada na moral religiosa do Ocidente, segundo a qual «o casamento estável entre um homem e uma mulher é um dos princípios não negociáveis» para «uma correcta convivência civil e cristã», como o professou o cardeal Saraiva Martins na Igreja da Santíssima Trindade, no quadro das celebrações do dia 13 de Maio de 2008, em Fátima. |
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