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Efeitos da composição da turma no desempenho dos alunos das escolas públicas portuguesas

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Resumo:Existe uma vasta literatura sobre os efeitos da composição da turma no desempenho dos alunos. Contudo, os resultados apontam para diferentes direções e são escassos para o contexto português. A presente investigação pretende contribuir para uma melhor compreensão deste tema, procurando dar resposta à seguinte questão: Qual a dimensão e composição das turmas que favorece o desempenho dos alunos nos exames nacionais de Matemática e Português? Este estudo beneficia de uma nova base de dados construída a partir de duas fontes do Ministério de Educação: a MISI (Sistema de Informação do Ministério da Educação) e as estatísticas publicadas pelo JNE (Júri Nacional de Exames). O painel utilizado permite seguir o mesmo aluno desde o 9º ano (ano letivo 2007/2008 ou 2008/2009) até ao 12º ano de escolaridade (ano letivo 2010/2011 ou 2011/2012), com informação ao nível do estudante e ao nível da turma. Utilizando diferentes metodologias, considerou-se que a que melhor se adequa aos problemas evidenciados pela literatura é a estimação via High-Dimensional Fixed Effects (HDFE). Assim, controlando para a heterogeneidade não observada ao nível do aluno e a eventual alocação não aleatória dos alunos entre escolas (efeitos fixos do aluno e da escola), concluiu-se que a nota interna se encontra indexada à nota obtida no exame nacional, tanto em Matemática como em Português. Para além disso, os alunos beneficiários do Sistema de Ação-Social Escolar possuem um desempenho médio inferior relativamente aos não beneficiários em Português. Adicionalmente, concluiu-se que uma medida passível de aumentar o desempenho dos alunos em Matemática seria garantir uma dimensão de turma compreendida entre os 21 e os 24 alunos. Em relação à composição da turma, aumentar a quota de mulheres parece ser prejudicial ao desempenho dos alunos no exame nacional de Matemática. Para além disso, aumentar a proporção de repetentes e de alunos com internet na turma produz uma externalidade negativa em ambas as disciplinas. Contrariamente, aumentar a proporção de bons alunos parece incrementar as classificações obtidas nos exames nacionais de Matemática e Português.
Autores principais:Pimenta, Ana Catarina Pereira
Assunto:Dimensão da turma Composição da turma Desempenho dos alunos Class size Class composition Student achievement
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Existe uma vasta literatura sobre os efeitos da composição da turma no desempenho dos alunos. Contudo, os resultados apontam para diferentes direções e são escassos para o contexto português. A presente investigação pretende contribuir para uma melhor compreensão deste tema, procurando dar resposta à seguinte questão: Qual a dimensão e composição das turmas que favorece o desempenho dos alunos nos exames nacionais de Matemática e Português? Este estudo beneficia de uma nova base de dados construída a partir de duas fontes do Ministério de Educação: a MISI (Sistema de Informação do Ministério da Educação) e as estatísticas publicadas pelo JNE (Júri Nacional de Exames). O painel utilizado permite seguir o mesmo aluno desde o 9º ano (ano letivo 2007/2008 ou 2008/2009) até ao 12º ano de escolaridade (ano letivo 2010/2011 ou 2011/2012), com informação ao nível do estudante e ao nível da turma. Utilizando diferentes metodologias, considerou-se que a que melhor se adequa aos problemas evidenciados pela literatura é a estimação via High-Dimensional Fixed Effects (HDFE). Assim, controlando para a heterogeneidade não observada ao nível do aluno e a eventual alocação não aleatória dos alunos entre escolas (efeitos fixos do aluno e da escola), concluiu-se que a nota interna se encontra indexada à nota obtida no exame nacional, tanto em Matemática como em Português. Para além disso, os alunos beneficiários do Sistema de Ação-Social Escolar possuem um desempenho médio inferior relativamente aos não beneficiários em Português. Adicionalmente, concluiu-se que uma medida passível de aumentar o desempenho dos alunos em Matemática seria garantir uma dimensão de turma compreendida entre os 21 e os 24 alunos. Em relação à composição da turma, aumentar a quota de mulheres parece ser prejudicial ao desempenho dos alunos no exame nacional de Matemática. Para além disso, aumentar a proporção de repetentes e de alunos com internet na turma produz uma externalidade negativa em ambas as disciplinas. Contrariamente, aumentar a proporção de bons alunos parece incrementar as classificações obtidas nos exames nacionais de Matemática e Português.